


Textos para Maio, 2009
A TRADICIONAL FOTO PARA A POSTERIDADE!…
Nos finais dos anos 60, numa época em que a televisão ainda não tinha invadido, definitivamente, os nossos lares e os jogos de futebol ainda levaram multidões aos estádios e até aos campos dos mais humildes clubes, como era o caso do Campo Municipal, onde o nosso Clube de Futebol de Estremoz realizava os seus jogos (onde hoje existe o Centro de Saúde), deambulavam por entre as suas “quatro linhas” os “craques” que vos aqui deixo nesta fotografia.

C. F. Estremoz - Anos 60
José Capitão Pardal
Tomo a liberdade de transcrever, pela sua actualidade e sentido crítico o texto que abaixo vos deixo, da autoria do Professor Carlos Zorrinho.
2009/05/25 14:45 | Diário do Sul, Visto do Alentejo |
A vila ribatejana do Tramagal está desde há muito tempo associada à metalurgia pesada e em particular à produção e montagem de veículos pesados de transporte.
Os mais novos não se recordam, mas todos os que serviram ou acompanharam o exército português até aos anos 80 do século passado têm certamente na memória as “Berliet Tramagal”, viaturas pesadas de transporte que eram um portento de força e uma dor de cabeça de condução, com as suas 12 mudanças invertidas, exigindo um cuidadoso jogo de embraiagem (duplas) para entrarem.
Na minha memória perduram ainda também as botas de borracha e tecido usadas pelo exército e adoradas pelos jovens do meu tempo, que lhe chamavam carinhosamente “Berliet Tramagal” em homenagem à sua resistência e aspecto imponente.
A tradição do Tramagal como centro de produção de camiões, camionetas e outros veículos manteve-se ao longo das décadas. Recentemente a Mitsubishi Fuso Trucks controlada pelo maior produtor mundial de Camiões (Daimler Trucks) passou a produzir aí o seu modelo Canter, exportado para mais de 30 Países e com um volume de produção anual de quase 200 milhões de Euros.
A aposta no Tramagal como centro de produção de camiões tem vindo a ser reforçada (embora no cerne da crise se tenha verificado uma ligeira redução do esforço produtivo face à quebra de encomendas). No dia 13 de Maio, um comunicado da empresa anunciou a decisão de encerrar duas unidades produtivas na Ásia e reforçar a linha de produção do Tramagal, naquilo que constitui uma grande notícia pelo seu valor directo e pelo significado indirecto da decisão.
Trago esta notícia para esta crónica pelas recordações que me desperta, pelo interesse do facto relatado mas sobretudo para sublinhar como os critérios editoriais dos nossos “media” mais significativos, em particular as televisões, tendem a dar uma visão distorcida da realidade, seguindo o princípio de que o povo gosta mais de ver desgraças do que receber boas novas.
A notícia que antes relatei surgiu em pequenas notas nas páginas de economia dos principais jornais publicados em 14 de Maio e não me apercebi que tivesse tido destaque em nenhuma televisão.
O que teria sucedido se os factos fossem ao contrário, ou seja, se a Daimler Trucks tivesse transferido a sua produção do Tramagal para as suas fábricas na Ásia?
Algum telejornal teria aberto com outra notícia que não essa?
Haveria imagens com muitas lágrimas, desespero e comentadores encartados afirmando o colapso da indústria Automóvel em Portugal. No entanto, como as boas notícias não dão essa agitação, esta boa notícia foi quase ignorada.
Portugal vive tempos difíceis tal como acontece com todo o mundo, fazendo com que as más notícias económicas surjam com grande regularidade e tenham grande visibilidade.
Não é salutar que as más notícias sejam ignoradas ou dadas de forma mitigada.
O que seria espectável era um tratamento equilibrado entre o que corre mal e o que corre bem.
O exemplo da fábrica da Daimler Trucks no Tramagal é bem uma caricatura que demonstra que não é assim.
A imprensa ressalta muito mais as más notícias do que as boas agravando ainda mais o clima económico pouco favorável em que vamos vivendo.
É um exercício de liberdade.
Bom seria que fosse também um exercício de equidade.
José Capitão Pardal
Empreendedorismo: O software territorial
Por ter achado bastante interessante, apesar de polémico para alguns, aqui vos deixo este texto inserto no site do Ano Europeu da Criatividade e Inovação.
Por Frederico Lucas a 23 Maio 2009
Vou poupar o leitor às estatísticas que demonstram que a distribuição de riqueza depende muito mais do empreendedorismo do que do emprego.
E faz sentido.
A economia tem riscos e oportunidades e são os empreendedores que têm a capacidade de os absorver, isto é, de serem actores da economia em que operam.
Este é um ano em que o poder local vai a votos. Na fase do hardware territorial, os mandatos foram avaliados pela capacidade dos autarcas em fazer OBRA: Pavilhões Polidesportivos; Piscinas Olímpicas; Centros Culturais; Autoestradas na sua área de influência.
Este modelo chegou ao fim por estar concluído. Já não falta hardware a este fantástico país.
Hoje precisamos de software que explore este território que construímos: Ideias, Criatividade; Empreendedorismo.
É a recombinação de saberes que promove produtos capazes de entrar no mercado global. E não é difícil enumerar mais de 1000 produtos nacionais – que são concebidos em terras cujos nomes muitos portugueses desconhecem – que têm mercados em raios de muitos milhares de quilómetros.
Dito isto, que julgo consensual, passo à fase das consequências.
Estarão os autarcas portugueses preparados para avaliarem os seus mandatos em função do número de empreendedores que foram capazes de gerar nos seus territórios?
Por outras palavras: Estarão os autarcas portugueses capazes de promover software territorial para o hardware que já conquistaram?
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O articulista não é exaustivo sobre a tema e certamente, nem tudo será como nos faz crer, mas não será preciso mudar de paradigma?…
Voltarei ao assunto no futuro, tentando traçar a minha modesta opinião sobre esta questão.
José Capitão Pardal
175 Anos da Assinatura da Convenção de Evoramonte
1ª Reunião da Rede Europeia de Sítios de Paz
(1st. European Network of Places of Peace Meeting)
DECLARAÇÃO DE EVORAMONTE

- Castelo de Evoramonte
As comemorações dos 175 anos da Assinatura da Convenção de Evoramonte realizaram-se no passado dia 23 de Maio, na nobre vila que lhe deu o nome, com toda a pompa e circunstância, que a solenidade merecia.
As comemorações foram presididas pelo Sr. Ministro da Cultura, Dr. José António Pinto Ribeiro, estando presentes o Sr. Presidente da Câmara Municipal de Estremoz, Dr. José Alberto Fateira e o Sr. Presidente da Junta de Freguesia de Evoramonte, Sr. Bruno Oliveira.
Pelos intervenientes foi destacado o papel relevante que Convenção de Evoramonte teve para a paz celebrada em 26 de Maio de 1834, pelos chefes dos exércitos de D. Miguel e de D. Pedro, que colocou fim à única guerra civil que Portugal conheceu ao longo dos seus quase 900 anos de História e para subsequente modernização do país.
No início do século XIX as ideias liberais fervilhavam por toda a Europa e em Portugal não era excepção.
Em 1831 o monarca D. Miguel, absolutista e tradicionalista, anula a Carta Constitucional, que vigorava desde 1826 e tinha jurado defender ao subir ao trono.
Seu irmão D. Pedro que ocupava o trono do Brasil e era defensor desta, desloca-se para Portugal, declara detentora do trono sua filha D. Maria e a partir dos Açores reune um exército e desembarca no Norte de Portugal tomando de seguida a cidade do Porto.
Lutas sangrentas, perseguições e destruição de bens tomaram conta do país, até que em 16 de Maio de 1834, os exércitos de D. Miguel sofrem uma humilhante derrota na Batalha de Asseiceira, no centro do país que obriga o monarca D. Miguel a refugiar-se com o resto do seu exército na cidade de Évora, estando os exércitos de seu irmão, D. Pedro na cidade de Estremoz.
Com o seu exército fragilizado, perante a possibilidade de uma rendição sem glória e na impossibilidade de continuar a lutar, D. Miguel pede a paz a seu irmão.
A meia distância dos dois exércitos, em Evoramonte é assinada a paz, na Casa do então Presidente da Câmara, Sr. Joaquim António Saramago, a 26 de Maio de 1834.
A Convenção de Evoramonte e a reposição da Carta Constitucional foram marcos decisivos para a História de Portugal, não só pelo seu contributo para a PAZ, mas também por ter sido no seu seguimento que foi possível modernizar o país, no comércio, na administração pública, na justiça e no exército, para além de ter acabado com o poder absoluto da Casa Real.
Durante os passados dias 22 e 23 decorreu, igualmente, na Torre Paço de Evoramonte, a 1ª Reunião da Rede Europeia de Sítios de Paz (1st. European Network of Places of Peace Meeting).
A reunião aprovou a DECLARAÇÃO DE EVORAMONTE que cria a Rede Europeia de Sítios de Paz (European Network of Places of Peace), com a finalidade de congregar as cidades e sítios onde foram assinalados relevantes Tratados de Paz e outras organizações europeias que tenham como actividade prioritária a defesa da Paz e entre outros objectivos a promoção do turismo cultural.
Foi ainda aprovada a constituição da Comissão Instaladora da Rede.
Estiveram presentes delegações, constituidas por organizações institucionais e organizações não governamentais de Portugal, Espanha, Holanda, Grécia e Alemanha.
A ideia da constituição da Rede partiu da Liga dos Amigos do Castelo de Evoramonte e foi desde sempre apadrinhada pela Câmara Municipal de Estremoz, que promoveu esta primeira reunião.
Estas entidades pretendem que Evoramonte seja considerada SÍMBOLO NACIONAL DE PAZ, estando previstas a recolha de assinaturas para uma petição a endereçar à Assembleia da República, com esse objectivo.
Por terem tomado em mãos tão arrojada tarefa, dou os meus parabéns a todos os que tornaram possíveis estas realizações, em especial, à LACE e ao seu presidente, Eduardo Basso, assim como ao Município de Estremoz e ao seu presidente, José Alberto Fateixa.
Há que não perder de vista o rumo e os objectivos principais: a Promoção da Paz, a Promoção do Turismo Cultural e a Promoção das Cidades e Sítios aderentes.
José Capitão Pardal

Torre de Menagem
Apadrinhados pelos Ministros da Cultura e dos Negócios Estrangeiros os concelhos de Estremoz, Marvão, Almeida, Elvas e Valença iniciaram hoje o processo de candidatura das suas fortificações a Património da UNESCO
No final da cerimónia de entrega da declaração, Luís Amado considerou que o processo de candidatura está «a apartir de agora em aberto», admitindo que se trata de um «património riquíssimo que justifica o reconhecimento da UNESCO».
Do ponto de vista cultural, José António Pinto Ribeiro considerou que os fortes em causa serviram «para efeitos militares e para consolidar o território português», por esse motivo são «áreas de história e cultura portuguesa».
Os cinco municípios apresentaram a intenção de desenvolver o processo de candidatura a Património Mundial pelas suas fortificações abaluartadas de .fronteira entre Portugal e Espanha, com a tipologia de candidatura transfronteiriça em série .

Casco Antigo
Em declarações à agência Lusa, os presidentes das autarquias de Estremoz (José Alberto Fateixa) e Valença “concordaram que esta era uma forma de «valorização de uma fronteira histórica» e uma forma de «dar vida às regiões do interior», além de que serve para «reforçar» as ligações com Espanha”.
jornal Destak - 2009/05/21
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José Capitão Pardal
Aproveito para transcrever o texto inserido no Expresso Online de hoje 2009/05/20, da autoria de ALU
Tecnologia: Gigantes mundiais vão imitar portátil Magalhães
Lisboa, 20 Mai (Lusa) – Os maiores fabricantes de computadores do mundo, entre os quais a Dell, HP ou Toshiba, estão a preparar o lançamento de portáteis para crianças, à semelhança do que Portugal fez com o Magalhães.
De acordo com o diário espanhol Cinco Días, a Dell vai ser o primeiro fabricante de computadores do top 10 a lançar um portátil para “satisfazer as necessidades dos estudantes da primária”, isto em pleno concurso para fornecer o governo espanhol, que inclui, entre outras medidas, o fornecimento de 420.000 portáteis a partir de Setembro.
A HP e a Toshiba são outras das empresas que estão interessadas em concorrer ao plano de educação espanhol, refere o diário, acrescentando que a Acer e a Asus também poderão estar na corrida.
O projecto espanhol tem como objectivo que cada aluno tenha o seu próprio portátil e que sejam instalados quadros digitais paralelamente aos quadros negros, assim como ‘Internet wireless’.
A iniciativa, semelhante ao programa e-escolinha português, desenvolvida pelo Governo em colaboração com as Comunidades Autónomas, irá estender-se gradualmente até alcançar o ultimo ano do ensino secundário.
Para responder a este repto, “as grandes multinacionais estão a trabalhar em soluções que vão nesta linha. Temos de estar preparados para participar em concursos que se vão lançar um pouco por toda a Europa”, disse ao Cinco Días o director da HP Sistemas Personales, Salvador Cayón.
Reino Unido, França, Itália e Alemanha são alguns dos países europeus que terão demonstrado interesse em imitar o projecto português.
Depois de Portugal ter avançado com o portátil Magalhães, produzido em parceria pela portuguesa JP Sá Couto e a multinacional Intel, a 30 de Julho do ano passado, cabe agora a Espanha “imitar” o projecto, com a ajuda da Dell, explorando um potencial de mercado – os portáteis dirigidos às crianças.
ALU
Lusa/Fim
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Palavras para quê!…
José Capitão Pardal
| HOMENAGEM A UM GRANDE HOMEM TRANSCREVO NA INTEGRA A MINHA INTERVENÇÃO NA ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE 27 DE JUNHO DE 2008 |
Quando numa anterior Assembleia, me congratulei pelo reconhecimento a 3 ilustres estremocenses, agraciados com a Medalha de Mérito Municipal Grau Ouro, fi-lo e disse-o, por e na convicção ‘que são actos como esses que galvanizam os cidadãos e criam condições, para que coloquemos de parte, aquilo que nos divide e possibilitam que nos unamos, em torno de um projecto comum’. E disse também que: ‘Sou daqueles que acham que as homenagens, aos homens bons, heróis ou notáveis, deverão realizar-se em sua vida, para que sintam quão os comuns dos mortais como nós, os admiram e lhes estão reconhecidos, pelas suas obras ou pelos seus actos, dignos ou ousados…’. Nessa altura apesar de o pensar, não o disse, mas hoje digo também que, mal está a terra, a cidade, o concelho, a região ou o país, que não sabe homenagear condignamente e em vida os melhores dos seus filhos. Não terá um projecto comum, nem história, nem identidade e não terá certamente futuro risonho. A identidade de uma nação, de uma região ou de uma localidade, constroi-se na atitude e vivência dos homens, e nos actos relevantes por eles praticados, e transmite-se através da memória colectiva às gerações vindouras. Quantos serão os que tendo elevado bem alto o nome de Estremoz ou dado muito do seu tempo, da sua dedicação e sacrifícios, Estremoz lhes não soube reconhecer mérito, capacidade, exemplo e dedicação em prol da cidade, do concelho e dos outros concidadãos, para os agraciar em vida? Muitos terão sido certamente. A maioria nem sequer teve direito a ter o seu nome numa das ruas do concelho!… Há que reconhecer condignamente e em vida, o papel que os melhores filhos da terra tiveram em prol da divulgação de Estremoz ou dos interesses do nosso concelho, das nossas colectividades e dos nossos concidadãos. Minhas Senhoras e Meus Senhores Vem tudo isto a propósito da recusa, em reunião de Câmara, por falta de unanimidade, na concessão da Medalha de Mérito Municipal Grau Ouro, ao cidadão José Palmeiro Costa. O cidadão José Costa tem sido ao longo da sua vida, um cidadão exemplar a quem deveria ser reconhecido o papel relevante, que desempenhou na sociedade estremocense, nas mais variadas actividades por onde passou, durante os seus mais de 80 anos. E a Medalha de Mérito Municipal Grau Ouro é inequivocamente, o galardão que se adequava a esse reconhecimento, nesta fase da sua vida. Minhas Senhoras e Meus Senhores Creiam, que lamento profundamente esta decisão e esta recusa, e que não poderia ficar calado perante tamanha injustiça. Quando se tomam decisões desta relevância é necessário, que a nossa consciência e o nosso sentido de justiça, estejam livres e desinibidos de preconceitos de qualquer natureza, que nos podem toldar uma qualquer decisão racional. Com esta falta de capacidade para reconhecer condignamente, o papel relevante de alguns em proveito de todos, continuaremos a não ter identidade, a não ter história e a ter um futuro toldado por erros grosseiros dos vários passados, que já passaram ou hão-de passar. Esperemos que este episódio, apesar de relevante, seja apenas um pequeno percalço, no longo trajecto que é a vida do nosso todo colectivo.”
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José Capitão Pardal


