De acordo com a aproximação baseada na teoria dos recursos, o objectivo último das organizações competitivas é obter resultados sustentáveis, acima da média, quando comparados com os seus competidores.
A pré-condição para resultados sustentáveis superiores reside num conjunto de recursos, não disponíveis do mesmo modo para todas as organizações e na sua combinação em competências e capacidades.
Estas competências e capacidades devem ser específicas da organização, valiosas para os clientes, insubstituíveis e difíceis de imitar.
Estes “activos não replicáveis” na terminologia de Teece, são, essencialmente, activos de conhecimento e, dentro destes, em especial, o conhecimento tácito das organizações.
O conhecimento tácito das organizações que resulta, fundamentalmente, da combinação e socialização do conhecimento explícito dos seus membros constituindo-se num conhecimento da experiência e da acção colectiva, tem uma importância crucial em todas as organizações, com destaque para as que actuam no âmbito sociológico e comportamental.
Não é, pois, de estranhar a relevância do conhecimento tácito nos partidos políticos e a indispensabilidade da sua conversão em competências e capacidades, para o combate político, que lhes permita atingir o seu objectivo último, ou seja, a conquista do poder.
O conhecimento tácito do meu partido, o PSD, tem diminuído consistentemente nos últimos tempos, o que constitui uma das explicações para o seu afastamento da liderança política do país.
E esse facto não se deve à inexistência de uma base de conhecimento explícito considerável dos seus membros que, felizmente, continua a prevalecer, mas à incapacidade de garantir a sua combinação e a ineficiência da sua socialização.
As duas unidades organizativas que tradicionalmente garantiam esses movimentos – o Gabinete de Estudos e o Instituto Sá Carneiro, estão praticamente inactivos. Com a agravante, no caso deste, de se ter criado a convicção de que este processo de interacção das várias valências do conhecimento podia ser garantido através de uma plataforma digital aberta onde se escrevem alguns artigos de opinião.
A teoria das redes estipula que as redes digitais promovem, quando muito e quando têm qualidade, exclusivamente, o incremento do conhecimento explícito, porque são abertas e porque a interactividade para complementar conhecimentos diferenciados é limitada.
Curiosamente, o PS, com uma base de conhecimento explícito claramente inferior à do PSD, tem promovido de um modo sustentado e com eficiência a criação do conhecimento tácito que lhe tem permitido a conquista e manutenção do poder.
Com a previsível alteração, a curto prazo, da liderança do meu partido, vai ser interessante acompanhar estes movimentos, no futuro próximo, e a sua repercussão na ocupação do poder no nosso país.
*Professor Associado Convidado do ISCTE
Texto publicado na edição do Expresso de 19 de Dezembro de 2009