


Para conhecimento dos meus leitores e por transcrição do Portal do Governo aqui deixo as medidas, constantes da Resolução do Conselho de Ministros abaixo indicada, de Apoio ao Desenvolvimento da Economia Social, através do PADES (Programa de Apoio ao Desenvolvimento da Economia Social).
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Resolução do Conselho de Ministros n.º 16/2010
O Programa do XVIII Governo Constitucional estabelece, entre as suas prioridades, o relançamento da economia e a promoção do emprego.
As entidades que integram o sector social são as cooperativas, as instituições particulares de solidariedade social, as misericórdias, as mutualidades, as associações de desenvolvimento local e outras entidades sem fins lucrativos.
Estas entidades desenvolvem actividades essenciais no domínio da acção social, em especial através da prestação de serviços de assistência de proximidade, contribuindo assim para o desenvolvimento local e a coesão social.
Por outro lado, desenvolvem acções para a promoção e a integração social activa dos grupos vulneráveis, como os imigrantes, os idosos e os desempregados, estabelecendo redes de apoio e contribuindo activamente para a criação de empregos estáveis.
O posicionamento destas organizações no domínio socioeconómico evidencia -se, assim, pelo facto de a sua intervenção se basear em princípios de defesa dos interesses colectivos, em mecanismos de cooperação e de solidariedade, bem como por uma forte componente de integração das suas actividades ao nível das comunidades e dos territórios.
Por este conjunto de factores, as entidades do sector social têm vindo a afirmar -se como elementos essenciais nas parcerias promovidas para o desenvolvimento das políticas sociais.
Perante esta realidade, o reforço do sector social constitui, inquestionavelmente, um dos pilares do desenvolvimento económico e social do nosso país, traduzindo -se a linha de intervenção estratégica a prosseguir pelo Governo, por um lado, na criação de um programa de formação profissional de apoio à qualificação institucional destinado a promover a inovação social e, por outro, na criação de estruturas e de mecanismos específicos de apoios e de incentivos ao exercício da sua actividade e ao seu desenvolvimento, contribuindo assim para o reforço da coesão e desenvolvimento sociais, mediante a melhoria da qualidade dos serviços prestados.
No seguimento deste esforço de dinamização da economia social, o primeiro passo em prol desta nova estratégia de reconhecimento e de valorização do sector social foi dado através do processo de criação da Cooperativa António Sérgio para a Economia Social — Cooperativa de Interesse Público de Responsabilidade Limitada (Cooperativa António Sérgio), expressando-se, assim, o reconhecimento oficial deste sector enquanto organismo com uma identidade comum, apesar da sua diversidade e heterogeneidade.
Um segundo passo foi, ainda, dado no sentido da afirmação do potencial de criação de emprego por parte deste sector, através da criação de um programa específico de estágios profissionais, o INOV -Social, aprovado pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 112/2009, de 26 de Novembro, visando a colocação de jovens quadros qualificados junto das instituições da economia social e, concomitantemente, o reforço da gestão e a modernização das instituições acolhedoras.
A presente resolução vem, agora, estabelecer um conjunto articulado de medidas de estímulo ao desenvolvimento da economia social, através da aprovação do Programa de Apoio ao Desenvolvimento da Economia Social (PADES).
A primeira medida no âmbito do PADES será a criação, durante o 1.º semestre de 2010, de uma linha de crédito bonificado, no valor de €12500000, com o objectivo de incentivar as entidades que integram o sector social ao investimento e ao reforço da actividade em áreas existentes ou em novas áreas de intervenção, na modernização dos serviços prestados às comunidades.
Por outro lado, lança -se o programa nacional de microcrédito, no montante global de € 15 000 000, gerido pelas entidades que integram o sector social, em parceria com as instituições de crédito e com as sociedades financeiras de microcrédito.
Este novo programa pretende ser uma medida de estímulo à criação de emprego e ao empreendedorismo entre as populações com maiores dificuldades de acesso ao mercado de trabalho, facilitando -se não só o acesso ao crédito bem como a prestação de apoio técnico à criação e consolidação dos projectos empresariais.
Em terceiro lugar, o Governo aposta na qualificação das entidades e dos seus dirigentes, dos seus quadros e dos restantes trabalhadores.
Por último, resolve -se criar Conselho Nacional para a Economia Social, órgão consultivo, de avaliação e de acompanhamento ao nível das estratégias e das propostas políticas nas questões ligadas à dinamização e ao desenvolvimento da economia social.
Foi ouvido o Banco de Portugal.
Assim:
Nos termos da alínea g) do artigo 199.º da Constituição, o Conselho de Ministros resolve:
1 — Aprovar o Programa de Apoio ao Desenvolvimento da Economia Social (PADES), com o objectivo de permitir o acesso a programas específicos de desenvolvimento das suas actividades de natureza social e solidária às entidades que integram o sector social — as instituições particulares de solidariedade social, as mutualidades, as misericórdias, as cooperativas, as associações de desenvolvimento local e outras entidades da economia social sem fins lucrativos.
2 — Implementar, durante o 1.º semestre de 2010, no âmbito do PADES, uma linha de crédito bonificado, no valor de € 12 500 000, específica para as entidades que integram o sector social, com os seguintes objectivos:
a) Investimento no reforço da actividade em áreas existentes ou em novas áreas de intervenção;
b) Modernização dos serviços prestados às comunidades;
c) Modernização da gestão e reforço de tesouraria;
d) Reforço do fundo de maneio necessário ao desenvolvimento da sua actividade;
e) Liquidação de dívidas junto de instituições de crédito ou de fornecedores.
3 — Determinar que compete à Cooperativa António Sérgio para a Economia Social — Cooperativa de Interesse Público de Responsabilidade Limitada (Cooperativa António Sérgio) a gestão desta linha.
4 — Lançar, no âmbito do PADES, um programa nacional de microcrédito, no montante global de € 15 000 000, a criar durante o 2.º semestre de 2010, destinado a fomentar a criação de emprego e o empreendedorismo entre as populações com maiores dificuldades de acesso ao mercado de trabalho, beneficiando, preferencialmente, desempregados que pretendam desenvolver uma actividade por conta própria, para a qual necessitem de um empréstimo de baixo valor, com o limite máximo de € 25 000, e ao qual não consigam aceder junto de instituições financeiras.
5 — Determinar que os apoios a conceder para o desenvolvimento deste programa se consubstanciam na facilitação do acesso ao crédito e na prestação de apoio técnico à criação e à consolidação dos projectos empresariais.
6 — Estabelecer que o crédito ao investimento é concedido pelas instituições de crédito ou pelas sociedades financeiras de microcrédito, através de linhas de crédito a criar para o efeito, beneficiando de bonificação de taxa de juro e de garantia, no quadro do sistema de garantia mútua.
7 — Determinar que a operacionalização do programa assenta na celebração de protocolos com as instituições de crédito e com as sociedades financeiras de microcrédito, bem como com a intervenção descentralizada das entidades que integram o sector social, ao nível da identificação dos públicos-alvo e do acompanhamento dos projectos.
8 — Determinar que compete à Cooperativa António Sérgio a coordenação e o acompanhamento do programa nacional de microcrédito, em articulação com o Instituto de Emprego e Formação Profissional, o Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e à Inovação e Direcção-Geral de Tesouro e Finanças.
9 — Desenvolver, durante o 2.º semestre de 2010, no âmbito do PADES, um programa de formação profissional de apoio à gestão e à modernização das entidades do sector social com os seguintes objectivos:
a) Reforçar as qualificações dos seus dirigentes, dos seus quadros e dos restantes trabalhadores;
b) Promover a melhoria dos seus procedimentos de gestão e de administração.
10 — Implementar, durante o 2.º semestre de 2010, no âmbito do PADES, um programa de apoio à qualificação das entidades do sector social para melhorar a qualidade das suas actividades e o desenvolvimento de sistemas de certificação de qualidade, de modernização tecnológica e de gestão.
11 — Determinar a criação, durante o 1.º trimestre de 2010, do Conselho Nacional para a Economia Social, órgão consultivo de avaliação e de acompanhamento das estratégias e das propostas políticas nas questões ligadas à dinamização e desenvolvimento da economia social.
Presidência do Conselho de Ministros, 4 de Fevereiro de 2010.
O Primeiro-Ministro,
José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa.
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José Capitão Pardal
Sobre o assunto em título deixo a notícia constante da versão online da “Exame Informática” de hoje (20091030)
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Em Dezembro, é dado o tiro de partida para o leilão de espectro para a exploração de serviços regionais de banda larga móvel. O leilão inclui 36 regiões do País e pode abrir caminho ao WiMax.
O leilão prevê a licitação de licenças de exploração para a prestação de serviços de banda larga no espectro de frequências entre os 3,4 e os 3,8 GigaHertzs (GHz).
A Anacom pretende que leilão siga a lógica da neutralidade tecnológica, mas a verdade é que o espectro disponível pode facilitar a aposta nas tecnologias FWA e WiMax, como alternativas às redes móveis GSM e 3G, que operam noutros espectros.
Numa primeira fase, os maiores operadores (PT, Sonaecom, Vodafone e Zon) vão ser impedidos de participar neste leilão que é conhecido por Broadband Wireless Access (BWA).
Só no caso de não serem apresentadas licitações, estes operadores de maior dimensão poderão tentar ganhar o direito de exploração dos já referidos espectros, noticia o Público.
Com estes leilões de espectros, a entidade que regula as telecomunicações em Portugal pretende fomentar a concorrência na banda larga móvel, permitindo que câmaras municipais, associações ou outras empresas se tornem operadores de telecomunicações regionais.
O registo das entidades interessadas arranca a 17 de Dezembro; a licitação tem lugar em Janeiro.
Os custos de licitação mínimos vão de 100 mil euros (na região dos Açores) a 300 mil euros (Lisboa, Santarém e outras cidades).
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José Capitão Pardal
Com um convite para que se desloquem a Estremoz, este fim de semana, aqui vos deixo a notícia inserta no jornal HARDMUSICA de hoje (20091030), sobre a Feira de Artes, Velharias e Antiguidades de Estremoz, a ENCONTARTES.
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EncontrArtes em Estremoz
O certame, que decorre até dia 01 de Novembro no parque de feiras e exposições de Estremoz, promovido pelo município, junta um vasto conjunto de actividades culturais e económicas, representativas da região e do país, assim como instituições da área da cultura.
Segundo a autarquia, “este é o único evento do género que se realiza no Alentejo”, e a edição deste ano conta com mais de 60 expositores, entre artistas plásticos e antiquários.
O certame, de acordo com a autarquia, pretende agregar no mesmo espaço a venda, mostra, compra e troca de antiguidades, livros antigos, coleccionismo e artes plásticas. No certame pode ser apreciada uma “Mostra Surrealista”, com obras de Carlos Godinho, Firmo Silva, Gustavo Fernandes, Luiz Morgadinho, Pedro Prata, Maria Pedro Olaia, Santiago Ribeiro e Victor Lages.
O evento, segundo o município, pretende aproximar a região do resto da Europa, em termos artísticos, tendo sido convidadas embaixadas europeias com representação em Portugal a participar na EncontrArtes, através da fotografia.
Segundo os organizadores, na denominada “Foto Europa”, está garantida a presença de trabalhos de fotógrafos da Bélgica, Croácia, Eslovénia, Estónia e Turquia.
Ainda no âmbito das artes plásticas, a Universidade de Évora, através do seu Departamento de Artes, vai também estar representada no certame com alguns trabalhos produzidos pelos melhores alunos finalistas do curso de artes plásticas, nomeadamente desenho, gravura, escultura e vídeo.
O certame pretende ser, segundo a autarquia, “um ponto de encontro entre associações, galeristas, artistas plásticos, coleccionadores, antiquários, alfarrabistas, críticos e outros agentes destas áreas”.
De acordo com a autarquia, a feira pretende ainda dinamizar um conjunto de sectores de actividade há muito ligados à região de Estremoz, os quais geram um movimento de pessoas e bens muito apreciável, nomeadamente na feira de antiguidades e velharias que decorre aos sábados na cidade.
(ES)
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José Capitão Pardal
Pela actualidade do tema e a sua importância para os alentejanos, que desejam melhores acessibilidades para o Alentejo, aproveito para transcrever o artigo do jornal “Diário de Notícias” de hoje, 20090901, sobre a reunião havida hoje em Elvas, em defesa do projecto do TGV, entre autarcas e empresários dos dois lados da fronteira, onde esteve presente o Presidente da Câmara Municipal de Estremoz, José Alberto Fateixa.

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Autarcas do Alentejo e Extremadura espanhola criam comissão em defesa do TGV
por Lusa Hoje
Vários autarcas do Alentejo e da Extremadura espanhola aprovaram hoje, em Elvas, um documento em defesa da continuidade do projecto ferroviário de alta velocidade, nomeadamente a ligação Lisboa-Madrid, e a criação de uma comissão de acompanhamento do TGV.
“Este documento será entregue a todas as forças políticas com o objectivo de as sensibilizar para a importância da alta velocidade”, disse o presidente da Câmara Municipal de Elvas, José Rondão Almeida, no final de um encontro que juntou os autarcas dos dois lados da fronteira.
A reunião em Elvas, convocada pelo autarca local, abordou, entre outras matérias, o projecto do TGV, tendo contado com a presença de vários presidentes de câmara do Alentejo (dois deles eleitos pela CDU e os outros pelo PS) e cinco autarcas da Extremadura: Cáceres, Mérida, Plasencia, Olivença e Lobón, todos eleitos pelo PSOE.
Além dos autarcas, também associações empresariais dos dois lados da fronteira estiveram representadas no encontro.
Além de terem aprovado e assinado o documento em defesa da alta velocidade, os participantes na reunião acordaram criar uma Comissão de Acompanhamento do projecto, que será constituída por autarcas alentejanos e “alcaides” espanhóis.
Esta comissão terá por missão defender e trabalhar em prol da concretização da linha de mercadorias Sines-Évora-Caia e da plataforma logística do Caia.
Em representação dos “alcaides” socialistas da Extremadura, Angel Calle, presidente do município de Mérida, lembrou que existem “acordos internacionais assinados” entre Portugal e Espanha, em matéria de alta velocidade, e que “têm apoio de fundos europeus”.
“Os acordos internacionais são para cumprir, sobretudo quando falamos do TGV que pressupõe uma união económica entre duas regiões até aqui deprimidas, como é o caso do Alentejo e da Extremadura”, disse.
Angel Calle acrescentou que “será uma grande frustração para o povo espanhol se o TGV parar em Badajoz”, sem que siga para Lisboa, relativamente à projectada linha entre a capital portuguesa e a espanhola, Madrid.
O autarca espanhol apelou à líder nacional do PSD, Manuela Ferreira Leite, “para que reconsidere a sua atitude, porque há alturas em que os interesses nacionais e internacionais devem ficar acima dos projectos partidários”.
No sábado passado, em declarações à agência Lusa, o presidente do município de Elvas divulgou o agendamento da reunião e acusou o PSD por, no seu programa eleitoral para as eleições legislativas, colocar “em causa certos investimentos públicos, como a alta velocidade Lisboa-Madrid”.
Do lado dos empresários alentejanos, Rui Nabeiro, presidente do Grupo Nabeiro/Delta Cafés, defendeu hoje que “construir a alta velocidade é construir o progresso”.
“Enquanto empresário, exijo que as autoridades cumpram o prometido. Os governos têm a obrigação de dar ao Alentejo e à Extremadura o que merecem: desenvolvimento e prosperidade”, argumentou.
O empresário Rui Nabeiro realçou ainda a importância da linha de mercadorias Sines-Évora-Caia, com ligação ao interior de Espanha, como forma de recepção e escoamento de produtos e matérias-primas da sua empresa.
“Falamos de eficácia e melhorias acentuadas com a alta velocidade para o sucesso empresarial“, vincou.
Por seu turno, Alvaro Sancho, da confederação empresarial da Extremadura e de Badajoz, lembrou que, do lado espanhol, “a construção da ligação entre Madrid e Badajoz já está em fase avançada”.
Ao mesmo tempo, o empresário defendeu que, a nível empresarial, “a ligação Lisboa-Madrid é uma infra-estrutura fundamental para o desenvolvimento económico dos dois países”.
Em declarações à Lusa, o presidente da distrital de Portalegre do PSD, Cristóvão Crespo, acusou segunda-feira Rondão Almeida de “faltar à verdade” e argumentou que o programa eleitoral social-democrata “não diz que vai acabar com o TGV”, mas apenas que “a situação económica do país não permite assumir esse compromisso”.
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José Capitão Pardal
António Costa
07/08/09 00:10
Numa entrevista exclusiva ao Diário Económico, Luís Figo fala dos seus negócios, da situação do país e faz uma “avaliação muita positiva” do trabalho do Governo de Sócrates nos últimos quatro anos.
O Luís Figo é uma marca mundial. O país tem aproveitado bem essa marca?
Poderíamos ficar aqui horas a falar sobre isso… Eu tenho a sorte de praticar um desporto popular, que mobiliza milhões e que chega a todo o mundo, tenho também a sorte de ser conhecido em todo mundo, mas não falo no meu caso particular.
Realmente, poderíamos associar os nossos melhores produtos, aquilo em que somos fortes, à imagem do país.
Acho que isto poderia ajudar a mostrar o país, mas acho que, muitas vezes, não há uma estratégia de divulgação daquilo que fazemos bem. Poderíamos chegar ao consumidor internacional de forma muito mais eficaz se houvesse uma estratégia de publicidade e marketing correcta. Muitas vezes, aposta-se em outros caminhos, as vezes até em personalidades estrangeiras. De qualquer maneira, lembro-me de que no ano passado, salvo erro, houve uma primeira campanha de divulgação internacional dos nossos valores, como a Marisa, a Joana Vasconcelos, etc.
Acho que foi uma boa iniciativa que devia ser repetida mais vezes.
Que apostas deveriam ser feitas?
Uma das apostas de futuro do país e do seu desenvolvimento deve ser claramente nos nossos produtos e nas nossas pessoas, no vinho do Porto, na Cortiça, no Turismo, nas Energias renováveis.
Temos de enaltecer e publicitar de forma mais agressiva o que temos e fazemos, mas fora do país, porque cá dentro nós sabemos o que temos e fazemos.
Portugal pode equiparar-se a Espanha ou a Itália, podemos oferecer tudo o que os outros oferecem.
Como é que vê hoje o país?
Portugal tem feito um caminho… foram feitos investimentos importantes em infra-estruturas nos últimos anos, a aposta nas energias renováveis é também muito importante, hoje e no futuro, mas acabámos por ser apanhados pela turbulência do sistema financeiro que abalou o país.
Mas, acho que, pouco a pouco, o país tem feito um caminho de desenvolvimento, por exemplo na educação e nas novas tecnologias, por isso, parece-me que este trabalho tem de ser continuado nos próximos anos…
Faz uma avaliação positiva deste governo?
Ainda há muita coisa a fazer, mas, visto de fora, faço uma avaliação muita positiva do trabalho deste Governo nos últimos quatro anos.
No momento em que estamos com as eleições à porta, é preciso garantir a estabilidade e continuidade das decisões que foram tomadas, para que a entrada de um novo governo não signifique que se começa tudo outra vez do início.
Não é positivo para o país estar sempre a mudar de rumo e de opções e é sempre necessário algum tempo para as coisas produzirem efeitos.
No seu entender, era desejável que o actual governo ganhasse as eleições legislativas?
A implementação de algumas opções políticas não se faz em quatro anos.
As pessoas também têm a consciência que algumas das opções foram erradas, porque ninguém é perfeito, mas, havendo mais quatro anos de governação, esses eventuais erros podem ser corrigidos.
Aliás, sou defensor de governos com dois mandatos para podermos avaliar a governação.
Fica claro em quem vai votar no dia 27 de Setembro…
Sempre votei em pessoas e não em partidos políticos.
Eu vejo a energia de José Sócrates, a capacidade empreendedora, e espero que continue a ter essa capacidade de mobilizar o país.
Bem precisamos!
O que é deve ser, para si, uma prioridade do próximo Governo?
O desemprego é o nosso maior problema hoje, e temos de garantir que o país se desenvolve para diminuir essa taxa de desemprego.
É verdade que é um problema mundial com a actual crise, mas isso não diminui a responsabilidade do Governo.
Depois deve apostar em cursos profissionalizantes, em vez dos habituais. São esses cursos que podem dar as melhores ferramentas as pessoas que querem trabalhar, os cursos clássicos não tem saída. Temos demasiados doutores, e cada vez mais desemprego.
É preciso mudar de mentalidades, não temos todos de ser doutores, temos é de fazer bem aquilo que sabemos fazer! Em termos de prioridades, o foco deve ser o aumento do salário mínimo.
O caminho que foi feito foi positivo, mas temos de continuar a aumentar aqueles cujos salários são mais baixos.
Isso vai, de certeza, ajudar a economia, porque as pessoas têm mais capacidade para consumir, além de contribuir também para credibilizar os órgãos políticos aos olhos dos cidadãos, porque as pessoas estão a deixar de acreditar nos políticos e no que dizem.
É uma questão, se quiserem, de justiça social.
Depois, como já disse, é preciso apostar naquilo em que somos bons, incentivar a exportação desses produtos, além de melhorar, pouco a pouco, os pontos mais focados pelos cidadãos, boas condições de acesso à saúde e à educação. Por exemplo, é necessário ajudar as famílias numerosas.
Fundação Luís Figo ainda à espera do estatuto de utilidade público
Luís Figo tem outra prioridade na sua vida, a Fundação que tem o seu nome. “Olhe, a fundação foi criada em 2003, mas ainda não temos o estatuto de utilidade público, por isso, não se pense que fizemos a fundação por razões de ordem fiscal.
Nos primeiros cinco anos, tivemos vários mecenas, a começar por mim, que sou o presidente da Fundação, a Coca-Cola, o BPN e a Galp, esta última, como parceira não-financeira, e nenhum de nós teve qualquer tipo de benefício”.
Os projectos que a fundação desenvolveu nos últimos anos enchem-no de orgulho, que se percebe em cada palavra. “Com um esforço financeiro destes mecenas, começamos com um projecto de apoio a jovens de diferentes modalidades, ténis, motor e atletismo, e com o jogo anual All Stars, que continua e é a principal fonte de receita da fundação”.
“Hoje, apostámos em quatro eixos: saúde, desporto, educação e esperança, cada um deles com projectos próprios, financiados pelos orçamentos dos primeiros cinco anos da fundação e que corresponderam também ao período de contrato dos mecenas. Agora, o momento não é o melhor nem o mais adequado para arranjar novos parceiros financeiros, mas vamos utilizando as receitas desse jogo anual para garantir doações necessárias a várias instituições, desenvolver novas iniciativas”.
Figo garante manter uma preocupação: “O mais importante é sermos credíveis porque os portugueses são muito disponíveis para ajudar e apoiar os que estão em situação difícil, mas querem saber de que forma o seu dinheiro é utilizado.
E isso é muito importante para nós. Também por aquilo que já fizemos, hoje é mais fácil seduzir as empresas numa lógica de parceria. Além disso, a fundação tem um objectivo que é criar condições para o desenvolvimento e não simplesmente distribuir dinheiro.
Há aquele célebre ditado chinês: mais importante do que dar o peixe, é ensinar as pessoas a pescar. É isso que tentamos fazer na Fundação”.
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Após 20 anos de carreira, terminada em Maio, Luís Figo diz que se preparou para não ser obrigado a seguir um percurso em torno do futebol.
Luís Figo pôs fim à sua carreira futebolística como sonhava, num grande clube e com um título de campeão de Itália. Na primeira grande entrevista depois de abandonar o futebol, como não podia deixar de ser no Algarve, em Albufeira, a olhar para o mar, Figo não dá sinais de saudades da competição.
Figo descarta, pelo menos nos próximos anos, vir a ser treinador de futebol. Prefere, antes, dedicar-se aos seus projectos empresariais, além de manter uma ligação ao Inter na área das relações internacionais. Mas Figo afirma estar preocupado com o futuro do país e, por isso, acredita na importância da continuidade do trabalho de José Sócrates para um futuro melhor para os Portugueses e para Portugal.
O antigo jogador não foge a nenhuma questão, fala do sistema financeiro português e, até, de futebol Foi uma entrevista diferente de um jogador de futebol diferente.
O Luís Figo deixou este ano o futebol profissional. Está a ser um Verão diferente dos outros?
Até ao momento, está a ser um Verão normal, porque acabei a época como nos outros anos e passei umas semanas de férias, de descanso… Está a ser, no fundo, uma transição tranquila e, por isso, ainda não notei diferenças, pelo menos mentalmente.
Em Outubro ou Novembro é que lhe poderei dar uma resposta. Quando a competição começar a sério é que poderei sentir a nostalgia de não estar em competição.
Mas se conseguir estar ocupado, acredito que não vou sentir diferenças significativas em relação a uma actividade futebolística activa.
Tem acompanhado a pré-época?
Sim, em Portugal e no estrangeiro.
E tendo em conta os resultados da pré-época, qual é a sua aposta no campeonato português?
Face aos resultados da pré-época, o Benfica vai ser campeão (risos). O que conta é o resultado no final do campeonato, mas é um bom indício. É sempre bom para o futebol português que o campeonato seja disputado até às últimas jornadas e que os três grandes estejam envolvidos, porque isso garante maior emoção.
De qualquer forma, não deixo de gozar as minhas férias ou de fazer o que tenho a fazer diariamente para ver os jogos, ao vivo ou na televisão.
Sempre passou a imagem de que a sua vida não se esgota no futebol. Isso ajuda-o a passar esta fase?
Sim. Não vivia 24 horas a pensar em futebol nem estava dependente do futebol. Tenho outros gostos, outras preferências, e tive a preocupação de me preparar para o fim da carreira, para a necessidade de não ficar dependente do futebol depois de deixar de jogar.
Eu preparei-me ao longo destes anos para não ter de pedir favores a ninguém, nem estar obrigado a seguir uma carreira em torno do futebol, como treinador ou dirigente. Depois de tantos anos de sacrifícios, quero ser eu a decidir o que vou fazer, com liberdade para o fazer.
Se quiser ir para Espanha, vou, se quiser ir para Itália, vou. Se quiser dedicar-me à agricultura, posso. Numa palavra, liberdade.
Acabou a carreira como queria?
Qualquer jogador quer ser eterno, manter-se a jogar para sempre, estar sempre no auge. Ao mesmo tempo, temos de ser realistas e, por isso, decidi que queria terminar em alta, num grande clube e a ganhar títulos, queria sair com um bom sabor na boca, em vez de acabar a carreira numa equipa de segundo nível ou lesionado..
E conseguiu…
Tive sorte e lutei por isso. No futebol, nunca se sabe quem ganha um campeonato, as vitórias são imprevisíveis, por isso, foi ainda mais importante sair com o título de campeão de Itália.
Posso revelar que, há dois anos, estive para pôr fim à carreira, mas depois tive a infelicidade de me lesionar no fim da temporada e pensei: estou há quinze anos a jogar futebol de alto nível, por isso seria terminar a carreira com um mau sabor na boca, terminar desta forma, lesionado. Então, decidi jogar mais uma temporada para terminar de outra forma.
E José Mourinho chegou ao Inter no último ano…
Sim, depois, tive a sorte de encontrar o Zé [José Mourinho] e isso foi também um estímulo acrescido, foi, de certa forma, a renovação da ambição para poder ter uma nova experiência em termos profissionais. E foi uma experiência maravilhosa, apesar dos problemas físicos que tive no início do ano…. mas antes no princípio do que no final do campeonato, outra vez.
Ainda não se arrependeu dessa decisão?
Não, não me arrependi. Este ano, a única possibilidade que admiti foi ter uma nova experiência de vida nos Estados Unidos, especialmente por causa da minha família, particularmente para as minhas filhas, que estudam num colégio britânico e poderiam ter a oportunidade de praticar a língua inglesa.
Essa possibilidade está em cima da mesa?
Neste momento, não, porque as opções não eram para as cidades que eu queria e, depois, porque o período de contrato que me foi proposto não estava de acordo com o calendário escolar das minhas filhas.
Está preparado para a ressaca do estrelato?
Estou… estou preparado, porque não vivo nem vivi do estrelato, vivo do que produzi em termos profissionais e não da notoriedade.
Agora, como é que é o seu quotidiano?
O meu quotidiano vai ser ocupado. Não me vejo a estar em casa, sem fazer nada. Tenho, em primeiro lugar, as minhas obrigações familiares e, depois, terei a oportunidade de me envolver em áreas de que gosto. Estarei, também, ligado ao Inter nos próximos dois anos na área das relações internacionais, apesar de ficar a viver em Madrid.
Admitiu a hipótese de ser candidato à Federação Portuguesa de Futebol e nunca pôs em cima da mesa a possibilidade de ser treinador…
…Isso não significa que, dentro de quatro ou cinco anos, não possa vir a ser treinador, não sei. No curto prazo, acho que a carreira de treinador é muito mais exaustiva e dependente de outras pessoas do que a de jogador. O jogador treina, trabalha e vai para casa, enquanto o treinador é um escravo da profissão.
Foi a cara do BPN e é cliente do BPP. Figo diz-se surpreendido pelos casos e espera um final feliz.
Foi a cara do BPN. Era accionista do banco?
Eu nunca fui accionista do BPN, fui, apenas, a cara do banco em campanhas de publicidade e, nessa altura, obviamente, também cliente.
Foi surpreendido com os problemas do BPN?
Quem é que ia imaginar que um banco poderia cair na situação em que o BPN caiu? Os portugueses confiavam nas instituições bancárias, e eu não fugia à regra. Se não temos confiança no sistema financeiro, estamos mortos…
Tem confiança no sistema financeiro?
Tenho confiança na justiça, apesar de pensar que é necessário mudar o sistema para acelerar as decisões judiciais. Enquanto cliente, não me passava pela cabeça que um banco poderia cair, mesmo com uma crise económica grave.
Tendo sido a imagem do BPN, prejudicou-o o que aconteceu? Sentiu-se enganado?
O que é que eu poderia fazer? Fui contratado para promover o BPN, mas não tinha nada a ver com a gestão do banco, por isso, não acredito que possa ser prejudicado pelo que aconteceu. Ainda para mais, era um banco com uma rede de balcões importante no país e, além disso, sempre fui muito bem tratado, inclusive pelo presidente, Oliveira e Costa. Falava bem com ele [Oliveira e Costa], por isso, fui surpreendido, logicamente.
Se quiserem, olhando para trás, a única coisa que posso lamentar é ter dado a cara por um projecto que provou que não merecia a confiança que as pessoas depositaram nele. Mas é evidente que a minha boa fé me levou a acreditar na seriedade dos responsáveis do Banco!
Porque é que moveu um processo judicial ao BPN?
Basicamente, estão desde há dois anos em falta com o pagamento do contrato de imagem que assinaram comigo e que termina em 2009. Não era necessário que as coisas se tivessem degradado ao ponto de ter que mover um processo judicial. Tentei conversar com os responsáveis do banco, mas nem sequer se preocuparam em dar uma explicação, uma resposta, em devolver as chamadas. Afinal de contas, não sou eu que estou em dívida com o banco. Foi uma falta de consideração e respeito.
Apesar desta experiência, mantém a confiança no sistema financeiro nacional?
Não perdi a confiança, mas digo-lhe, para uma pessoa que vê de fora, a partir de Itália ou de Espanha, o que aconteceu em Portugal, nomeadamente no BPP, não foi nada positivo para o sistema financeiro. Especialmente porque as coisas se arrastam no tempo sem solução, porque não são dadas explicações aos clientes e isso é o mais grave!. É verdade que, infelizmente, houve situações idênticas em outros países, mas naturalmente o que mais me preocupa é o que se passa em Portugal.
É cliente do BPP?
Sou, e também de outros bancos portugueses, dos quais sou cliente e com os quais faço as minhas operações. No caso do BPN, foi tomada uma decisão, mas no caso do BPP não, e é urgente que seja, porque as contas dos clientes não podem continuar congeladas. Nos últimos meses, vários amigos perguntaram-me o que está a suceder nos bancos portugueses. E, ao contrário do que dizem, o BPP não é um banco dos ricos, há de tudo, como em todos os bancos.
Conheço várias pessoas que amealharam as suas poupanças durante uma vida, que têm pequenos negócios, e que passam hoje por grandes dificuldades, enquanto os três ou quatro responsáveis pela situação a que se chegou continuam a viver ‘à grande’. Considero extremamente negativo que um banco vá à falência em Portugal.
“Gosto de dinheiro, não sou hipócrita”
Como é que lida com o dinheiro?
Muitas pessoas acusam-me de gostar muito de dinheiro, mas, pergunto, quem não gosta? Eu digo que gosto porque não sou hipócrita, mas quem não gosta? Você não gosta? A minha primeira e principal preocupação é precaver o futuro da minha família, garantir a estabilidade e o conforto da minha família. Depois, gosto de economia e de negócios, mas acho que isso está no sangue de cada um. Há gente que gosta de estar tranquila, de viver dos rendimentos, outros não. Eu gosto de estar ocupado com projectos e negócios.
Gostar de dinheiro significa ser forreta?
Não, gostar de dinheiro significa ter a noção de que custa ganhar, está a perceber? E eu tenho a noção de que me custou muito, muito, muito aquilo que consegui. E significa transmitir essa noção às minhas filhas, que ainda são pequenas para perceber isto. A mais velha, com dez anos, começa agora a fazer perguntas e a perceber a moeda que se usa. Queremos incutir às nossas filhas, eu e a minha mulher, a responsabilidade e a noção de que as coisas têm o seu valor, não caem do céu. Temos muitas vezes de lhes dizer ‘não’ e de explicar porquê.
Então, onde é que investe o seu dinheiro?
O primeiro dinheiro que ganhei serviu para comprar uma casa para os meus pais. Era um investimento mais seguro, e continua a sê-lo.
As suas ambições ultrapassam o investimento em imobiliário?
Sim, tenho feito alguns investimentos em outras áreas, algumas aplicações financeiras, na restauração e na hotelaria, designadamente no Suites Alba Resort & Spa, aliás, gostaria de investir numa cadeia de hotéis. Tenho, também, um investimento na área dos vinhos, na D+D (‘Douro&Duero), no Douro.
Qual é o negócio que lhe consome mais atenção e que lhe dá mais gosto?
Eu gosto de investir em ‘real estate’ [imobiliário], fundamentalmente em Itália, Espanha e Portugal. Mas, neste momento, estou em processo de contenção, por causa da crise económica e até por causa das eleições. De qualquer forma, a crise não está a ser tão forte em Portugal como em Espanha, a nossa economia tem sobrevivido bem a esta crise mundial, mas é uma bola de neve. As pessoas ouvem falar em crise, deixam de consumir e, depois, é lógico que isso afecta a economia em geral.
E projectos em novas áreas?
Neste momento, tenho em vista uma aposta na energia renovável, a área da energia solar, no Alentejo. O país tem investido muito nas renováveis, e bem, e o potencial da energia solar é enorme.
O futuro de Figo pode passar pela Federação, mas isso estaria dependente de mudanças no futebol nacional.
O futebol português está bem?
Vendo de fora, acho que o futebol português tem de se preocupar em formar jogadores para poder consolidar os seus clubes, excepção feita às equipas que jogam na Liga dos Campeões, como é o caso do Porto, que têm mais receitas e, por isso, podem investir mais. Caso contrário, os clubes acabam por endividar-se e, no prazo de quatro ou cinco anos, passam a ser controlados pelo sistema financeiro.
É isso que está a acontecer?
Não sei, porque não estou por dentro da realidade dos clubes… mas existe esse risco.
Aí, o Porto é um caso à parte, não é?
Eu acho que o Porto pode estar um bocadinho à frente dos outros clubes, especialmente pela experiência que ganhou na Liga dos Campeões e pela forma como gere esses interesses.
Em Portugal, há três modelos: o Porto vende bem, o Sporting forma bem e o Benfica tenta fazer um pouco de tudo e, por isso, acaba por ter mais dificuldades…
À vista, é o que sucede.
Está a viver no estrangeiro há muitos anos. Como é que o futebol português é visto no estrangeiro quando surgem tantos casos judiciais?
As notícias do futebol português que chegam ao estrangeiro não são assim tantas, por isso, quando existem é por causa de algum resultado desportivo fantástico ou por notícias mais preocupantes, como as relacionados com os problemas de que fala. Mas é bom não esquecer que esse tipo de casos existe em todos os países. Não vamos destacar em excesso algo que sucede em todos os países. O importante é ter vontade de os resolver e de evitar que eles se repitam no futuro.
Porque é que admitiu candidatar-se à Federação? O futebol português precisa de mudar e considera que pode contribuir para essa mudança?
O futebol português tem de mudar e isso depende do reforço do poder da federação. Ainda recentemente, foi levada à discussão mudanças dos estatutos e essas mudanças não foram aceites. Neste momento, o futebol português depende de quatro ou cinco associações distritais e eu não concordo com isso, considero que o poder deve estar concentrado num órgão, que é a Federação.
Como é que se consegue isso?
O Governo tem de ter um papel importante nesta mudança, porque nos outros países, são as federações a mandar. Porque é que em Portugal continuamos a depender das associações mais fortes? Qualquer que seja, neste momento, o projecto da direcção da Federação, esbarra sempre nas decisões das associações. Mas, é o que eu digo, há muitos interesses e quando há muitos interesses há muitos conflitos.
Neste quadro e com esta organização, não está disposto a candidatar-se?
Neste modelo, não faria sentido porque seria só uma cabeça de cartaz e eu não estou disponível para isso. Para ser uma cara, fico em casa.
Faz uma avaliação positiva do trabalho de Gilberto Madaíl?
Eu faço uma análise positiva. Foi o presidente que nos levou às fases finais dos europeus e dos mundiais. Ao contrário do que, por vezes se disse, eu tenho um bom relacionamento com o presidente da federação. Em alguns pontos, estávamos em desacordo, porque Madaíl defendia os interesses da Federação e eu, como capitão da Selecção, tinha que defender os interesses da equipa. De qualquer forma, não me pronuncio sobre a federação, até porque existe um presidente e, por isso, não vou passar por cima de ninguém para ser candidato.
Se a oportunidade surgir e eu verificar que há condições para implementar as mudanças que entendo devem ser feitas, então, aí, podemos voltar a falar.
Não vai candidatar-se contra Gilberto Madaíl?
Não, não. Nunca me vou candidatar passando por cima de outras pessoas, porque não faz parte da minha forma de estar. Nunca me candidataria contra ninguém, mas sim em função de uma ideia, de um projecto. O tempo o dirá, em função dos estatutos e das minhas ideias para o futuro do futebol português.
Seria muito grave falhar o apuramento para o mundial
Admite a possibilidade da Selecção Portuguesa falhar o apuramento para o Mundial?
Eu sou bastante realista, gosto de sonhar acordado… Neste momento, é uma das possibilidades.
Isso seria um cataclismo para o futebol português?
Eu acho que seria extremamente negativo. Primeiro, para os jogadores, depois, para a imagem do futebol português, finalmente, para a própria Federação. Ainda mais importante, se Portugal não conseguir o apuramento, vai quebrar-se um ciclo consecutivo de apuramentos para as fases finais. De um momento para o outro, perderemos esse prestígio, até uma relação de amor que existe – e espero que se mantenha – com os portugueses. Esta foi uma das grandes conquistas dos últimos anos e, se perdermos isso, perde-se tudo.
O que é que está a falhar?
Os jogadores são praticamente os mesmos relativamente à última classificação. Não sei o que está a falhar, não sei. Eu não gosto tecer considerações avulsas, de opinar sem estar por dentro das situações. A única coisa que me preocupa é a credibilidade da selecção junto das pessoas, porque sei que é muito difícil de ganhar e muito fácil de perder. Uma das maiores dificuldades da minha geração foi ganhar o respeito e o apoio dos portugueses, porque isso depende dos resultados e demora anos. Além disso, ganhámos também o respeito, que não existia, de outras selecções, e isso não pode perder-se.
Não é possível rentabilizar uma transferência com a venda de camisolas
O futebol está sobrevalorizado pela sociedade?
Do meu ponto de vista, está, especialmente pelos interesses financeiros que gera, isto é, por causa do valor das transferências de jogadores, o que torna a recuperação do investimento muito difícil ou mesmo impossível. O futebol é uma realidade com muitos interesses, quer em termos financeiros, quer em relação às expectativa e emoções dos adeptos e, por isso, do meu ponto de vista, a sobrevalorização que pode haver dos jogadores e do futebol pode ser prejudicial, mas só o tempo poderá responder a essa pergunta.
Porquê?
O futebol produz tantas emoções que as pessoas, os adeptos, esquecem os problemas financeiros, o que um jogador custa. Se um presidente de um clube apresentar um jogador fantástico, a primeira preocupação dos sócios e adeptos não é o estado de saúde financeira do clube, porque são levados pelas emoções clubísticas.
O futebol também se joga muito neste campo, não há grandes preocupações de curto prazo, apenas a gestão das emoções e a conquista de títulos, que é aquilo que conta. E os problemas surgem depois, passados anos.
Não acredita na rentabilização de um jogador que custa o que custou, por exemplo, Cristiano Ronaldo?
Devo dizer-lhe que, se fosse presidente de um clube, venderia todos os jogadores, fossem eles quem fossem, por um valor acima dos 30 milhões de euros. E, caso fosse presidente de um clube comprador, poderia pagar eventualmente por um, mas não pagaria por quatro ou cinco, como está a suceder em alguns clubes.
Eu não sou economista, mas parece-me enganador tentar, não digo confundir, mas garantir aos adeptos e sócios de um determinado clube que é possível rentabilizar uma transferência de 50 milhões de euros com a venda de camisolas…
Não se rentabiliza?
Não, isso é uma loucura. Eu não sou economista, mas expliquem-me como é que é possível, como é que um clube recupera cinquenta milhões com a venda de camisolas. Até porque a maior percentagem da venda das camisolas vai para os patrocinadores e apenas uma pequena fatia para os clubes. Isso é que eu não entendo, e gostava que me explicassem.
“Ronaldo não me pediu conselhos”
Que conselhos deu a Cristiano Ronaldo, já que passou, em 2000, por uma experiência semelhante, também no Real Madrid?
Não dei conselhos, desde logo, porque isso não se proporcionou. Mas creio que ele sabe a dimensão do clube a que chegou e a pressão que representa esta mudança, desde logo pelo valor da transferência. Não gosto de me meter na vida de ninguém. Nem devo. É evidente que se o Ronaldo quiser algum conselho meu em relação a alguma questão mais específica, não tenho nenhum problema em faze-lo.
Das cidades em que jogou, Madrid é a mais difícil para um jogador?
É a mais exigente, sem dúvida, porque os adeptos querem sempre ganhar e, ao mesmo tempo, ver bom futebol. A equipa pode ganhar 4-0, mas se não jogar bem, as pessoas não aplaudem… estão habituadas a bom futebol desde o Di Stefano.
Vai ser esse o principal desafio de Cristiano Ronaldo?
Ronaldo vai ter dificuldades por causa desta exigência, mas principalmente, repito, pelo valor da transferência. É algo que o vai perseguir nos tempos mais próximos.
“O melhor treinador que tive foi Cruift”
Qual foi o momento mais importante da sua carreira?
É muito difícil escolher um momento ao longo de tantos anos, há tantos… mas acho que foi o primeiro contrato de profissional com o Sporting…A primeira marca é sempre a mais duradoura.
…provavelmente, muitos esperariam a escolha de um golo ou de um título?
O primeiro contrato foi o momento da transição, o momento em que tinha de escolher entre o futebol e os estudos. Aí, percebi e senti que teria uma oportunidade no futebol profissional.
E qual foi o clube que mais o marcou?
O Sporting marcou-me pela formação, aprendi muito naquela casa em dez anos, e encontrei pessoas que ainda hoje estão no clube. O Barcelona foi o meu primeiro clube no estrangeiro, foi onde fiz a transição de adolescente para adulto, o Real Madrid deu-me uma projecção mundial e o Inter foi o clube familiar que acreditou em mim, apesar de já ter passado dos 30 anos. Tenho um relacionamento fantástico com o presidente, Massimo Morati, que é uma pessoa única, não é uma pessoa do futebol e o futebol precisava de mais pessoas como ele. Além disso, fiz laços muito apertados com os adeptos do Inter durante os quatro anos de contrato e identifiquei-me muito com o clube, daí, aliás, continuar ligado a ele.
José Mourinho não tem esse perfil familiar?
Ele [Mourinho] é um vencedor, adapta-se aos clubes onde está, às causas impossíveis, e quer ganhar sempre…
…foi o melhor treinador que teve?
Foi dos melhores, especialmente no gozo de treinar todos os dias, foi uma experiência fantástica. Mas continuo a dizer que o melhor treinador que tive foi Joan Cruift, pelos seus métodos de trabalho. Tive a sorte de trabalhar com ele em Barcelona e foi ele, aliás, um dos motivos que me levou a assinar pelo clube. Talvez por ter sido o primeiro treinador que tive no estrangeiro, influenciou-me muito. Cruift deixou de treinar há dez anos e continua à frente de muitos treinadores, dez anos à frente. Obviamente, Carlos Queirós também me marcou muito, quase toda a vida na selecção, acompanhou-me em toda a carreira.
Os jogadores precisam de ser geridos com chicote?
Não, o mais difícil e essencial é gerir uma equipa. A grande arma dos treinadores, hoje, é saber gerir um plantel, garantir um bom ambiente de trabalho. Hoje, todos os treinadores têm um preparador físico, todos dominam as tácticas e as metodologias de treino, mas nem todos sabem gerir. Neste sentido, um grande treinador foi Vicente del Bosque, que não tinha um ar sofisticado, mas que ganhou tudo.
Mas, como se gere uma equipa de estrelas, como foi a do Real Madrid em que esteve ou a actual?
O treinador tem de ter a capacidade de dizer não e de cortar com o mal pela raiz quando se justifica, para garantir a estabilidade da equipa. Mas acho que as coisas funcionam quando os jogadores são contratados em função das necessidades da equipa e quando se sacrificam em prol da equipa. Quando os jogadores são contratados com outros fins, o sucesso é muito mais difícil.
“Não vou a casa de quem não me convida”
É sportinguista?
Sou, mas não sou fanático. Sou sportinguista, mas penso de forma diferente do habitual. Dou-lhe um exemplo, sobre o qual nunca falei: muitos criticaram-me por ter festejado um golo do Inter contra o Sporting. É verdade, sou sportinguista e quero que o clube tenha sucesso, mas, primeiro, sou profissional e devo esse profissionalismo ao clube que me paga. Perguntam-me, és do Sporting ou queres ganhar? Quero ganhar.
Mesmo contra o Sporting?
Mesmo contra o Sporting, eu quero ganhar. Mas não deixo de ser do Sporting por causa disso. E há muitas pessoas que não entendem isso. Essas pessoas dizem que não sou do Sporting porque festejei um golo, então, deveria fazer de propósito para falhar esse golo? Se eu gostasse tanto do meu clube em relação ao clube onde jogo, em vez de marcar um golo, deveria mandar a bola para fora, não é? Isso é uma hipocrisia.
Porque é que nunca admitiu acabar a carreira no Sporting, como sucedeu com outros jogadores da sua geração, no Porto e no Benfica?
Eu nunca vou a casa de uma pessoa ou a uma festa sem ser convidado. Eu não sei se as pessoas fazem isso, mas eu não faço…
E se fosse?
Se fosse, avaliava a situação, avaliava os prós e os contras e decidia. Mas como não houve convite nenhum, não me posso oferecer. Primeiro, porque sou orgulhoso, depois porque não me cabia a mim fazer esse convite.
Luís Figo protagonizou no Verão de 2000 a mais cara e mais turbulenta transferência do mundo até então. De Barcelona para Madrid, Figo passou de figura de primeira linha e dos mais acarinhados jogadores catalães para o símbolo da nova força do Real Madrid.
Hoje, nove anos depois, Figo recorda a telenovela e revela episódios nunca contados de uma transferência de 61,7 milhões de euros. A primeira pessoa a saber da assinatura do contrato com o Real foi a sua mulher, Helen Svedin.
“Viajei de avião para Lisboa, e dirigi-me ao escritório do José Veiga. Quando cheguei e entrei na sala, estavam cerca de dez pessoas à volta de uma mesa, todos a tentaram convencer-me a assinar naquele momento. Foi, então, que telefonei à minha mulher e disse ‘já está, pronto, sou do Real Madrid’. Já não regressei a Barcelona”.
Foi no dia seguinte às eleições do Real que deram a vitória a Florentino Perez, a 17 de Julho de 2000, segunda-feira. No mês anterior, Luís Figo foi deixando saber ao então presidente do Barcelona,. Luiz Nuñez, que tinha clubes interessados na sua contratação e que estavam dispostos a pagar a cláusula de rescisão.
“Eu decidi, na altura, confrontar o presidente do Barcelona, essencialmente pela forma como estava a reagir à minha proposta. Na altura, a Lazio estava disponível para pagar a minha cláusula de transferência e, por isso, comuniquei-lhe que tinha uma oferta e que, por isso, teria de rever as minhas condições e equipará-las às melhores praticadas no clube”, recorda Figo.
Figo foi para o campeonato da Europa sem o seu futuro decidido. E foi por essa altura que surgiu a possibilidade de vestir a camisola do Real. “Estava no campeonato da Europa na Holanda e as coisas estavam a correr bem.
Houve, entretanto, a possibilidade de um dos candidatos à presidência do Madrid, Florentino Perez, me contratar e eu voltei a comunicar ao presidente Nuñez que existia essa proposta. Nessa altura, eu não queria sair do Barcelona, apenas queria que reconhecessem a minha qualidade, e ele limitava-se a dizer que iria esperar pelo pagamento da cláusula de rescisão”.
“Todo o meu processo de transferência para Madrid foi caricato. Depois do Europeu, estive de férias no Algarve e, depois, voei para a Sardenha com a minha família e, nessa altura, ainda não tinha decidido o que fazer, porque, por esses dias, realizavam-se eleições nos dois clubes. Num desses fins-de-semana, tinha à minha porta vários intermediários a tentarem convencer-me a assinar pelo Madrid e alguns deles a chorarem à frente da minha mulher, porque tinham assumido compromissos em meu nome que, se não fossem cumpridos, teriam um custo elevado e a pagar do bolso deles”, diz, hoje com um sorriso.
“O candidato concorrente ao presidente Nuñez, Joan Gaspart, queria que eu continuasse, mas não confiava nas promessas que me fazia. Finalmente, Florentino Perez ganhou as eleições no Real Madrid [a 16 de Julho], e eu assumi a responsabilidade de concretizar o que o José Veiga tinha acordado nas semanas anteriores”.
Figo esperou pelo resultados das eleições no Real Madrid e decidiu, naquele dia, assumir a responsabilidade de chocar o mundo futebolístico. “Viajei de avião para Lisboa no dia seguinte às eleições, segunda-feira, e dirigi-me ao escritório do José Veiga. Quando cheguei e entrei na sala, estavam cerca de dez pessoas à volta de uma mesa, todos a tentaram convencer-me a assinar naquele momento. Foi, então, que telefonei à minha mulher e disse ‘já está, pronto, sou do Real Madrid’. Já não regressei a Barcelona”.
Luís Figo garante que nunca se arrependeu do passo que deu. “Nunca me arrependi de mudar para o Real Madrid, foi uma decisão difícil, porque tinha de começar tudo de novo, mas também era um grande desafio e, felizmente, consegui vencê-lo”.
Luís Figo regressou na época seguinte a Barcelona, com a camisola do Real, e, como recorda, foi um momento difícil. “Fui o único jogador a ser assobiado por um estádio com mais de 120 mil pessoas”. Depois, regressou a Barcelona a título privado, para o nascimento da filha de Pepe Guardiola, que considera “irmão”. “Foi das pessoas que mais me ajudou em Barcelona, e a nossa amizade é para sempre, independentemente de tudo o resto”.
Figo continua a ter muitos amigos em Barcelona, mas há outro factor que o mantém chegado à cidade. “Tenho uma filha catalã, e gostava que ela visse e conhecesse a cidade em que nasceu”.
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José Capitão Pardal


