


Parece que existe a intenção de recolocar na agenda política o tema da “Regionalização”.
Espero que seja mais que uma intenção, a Regionalização é uma necessidade do país e um imperativo constitucional, pelo que a seu debate e implementação se torna premente, em contraste com o centralismo cinzento e balofo do Terreiro do Paço, que nem para a região de Lisboa é útil e eficiente.
Para o Alentejo, uma Região Alentejo una e indivisível.
Pelo seu interesse, deixo-vos um texto de António Vitorino, inserto no ”DN Online” de hoje, 2010/07/09.
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A Comissão Coordenadora Regional do Norte e o Conselho Regional do Norte organizaram esta semana, no Porto, uma conferência sobre o contributo da regionalização do continente para o desenvolvimento económico do País.
A iniciativa visa claramente repor a regionalização administrativa na agenda política. O seu principal mérito é o de chamar a atenção para que a regionalização do continente constitua o único capítulo da Constituição portuguesa, que, ao fim de trinta e quatro anos, permanece integralmente por concretizar.
Naturalmente que não é por a Constituição o prever que, por si só, o processo de regionalização vai avançar.
Mas, de alguma forma, o facto de este capítulo da nossa Lei Fundamental permanecer como o único em que existe uma efectiva omissão integral de aplicação merece uma clarificação por parte dos agentes políticos.
Na realidade, ao estarmos a aproximar-nos de um período de revisão constitucional, conviria que os partidos políticos clarificassem as suas intenções: ou bem que existe uma vontade de desencadear um debate que permita um consenso amplo sobre a criação das regiões administrativas no continente, ou bem que, não havendo, seria imprescindível que se percebesse, ao menos, qual o significado de manter na Constituição um objectivo que não beneficia de uma intenção concretizadora suficientemente consistente.
Sou dos que pensam que o objectivo constitucional se justifica em nome do combate às ineficiências do centralismo e na potenciação das sinergias que decorrem de uma criteriosa aplicação do princípio da subsidiariedade na racionalização da organização da Administração do Estado.
Mas tenho também consciência de que o processo nasceu de algum modo inquinado, o que resulta claro do debate e do próprio resultado do referendo levado a cabo em 1998!
Já se percebeu que este tema pode ser tratado de forma racional, equacionando os prós e os contras das várias soluções possíveis, ou então ele será de novo prisioneiro de medos e fantasmas agitados em nome da pequenez do País, dos riscos de fracturas localistas ou das ameaças à coesão nacional.
A regionalização não é propriedade de ninguém nem constitui uma arma de arremesso contra quem quer que seja.
Os valores que lhe subjazem assentam numa análise criteriosa das vantagens de organizar a desconcentração dos serviços do Estado em função das cinco regiões que servem hoje de base ao planeamento económico.
As regiões justificam-se, assim, em nome do valor acrescentado da escala (supramunicipal) e da proximidade em relação aos destinatários das decisões.
A criação de um nível administrativo intermédio entre o nível municipal e o nível estadual pode e deve ser um instrumento de racionalização da desconcentração dos serviços centrais e de ordenamento da descentralização, entendida esta como transferência de poderes para instâncias decisórias mais próximas dos cidadãos.
Neste particular, o desafio consiste em clarificar as formas de articulação das regiões a criar com o associativismo intermunicipal já existente e com a realidade das grandes áreas metropolitanas que existem no território de várias das potenciais futuras regiões.
Por isso, o quadro de atribuições e de competências das regiões administrativas que foi definido por lei em 1991 deve ser submetido a uma rigorosa reavaliação, de modo a torná-lo conforme com a evolução entretanto verificada.
Esse será, decerto, o primeiro passo necessário para desencadear o debate sobre a regionalização.
Em paralelo, removido que está o obstáculo que constituiu, em 1998, um mapa das regiões que suscitou mais reservas que adesão, trabalhando na base do processo de desconcentração administrativa levado a cabo nos últimos anos em torno do modelo das cinco regiões, importa fazer a pedagogia das vantagens da regionalização sem precipitações e de forma sustentada.
Só assim será possível demonstrar que, para além dos constrangimentos imediatos da crise económica e financeira, existe um rumo de reforma estrutural da organização do Estado que não se confina apenas aos ditames do corte da despesa pública!
António Vitorino
publicado a 2010-07-09 às 01:30, pelo DN Online
José Capitão Pardal
Sem comentários junto informação do Portal do Governo
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2010-06-25
José Capitão Pardal
A investigação científica portuguesa dá mostras de que está “viva e de boa saúde”.
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Escrito por CienciaPT
09-Mar-2010
A intenção era estudar os efeitos da exposição pré-natal à cocaína durante a formação da cóclea (porção do ouvido interno onde se localizam as células sensitivas responsáveis pela audição), mas pelo caminho uma descoberta levou à reorientação dos trabalhos: a enzima tirosina hidroxílase participa no desenvolvimento dos neurónios do ouvido – revela um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP).
A investigação analisou a actividade da enzima nos neurónios dos ratos durante os vários processos de refinamento neuronal e bioquímico inerentes ao desenvolvimento normal da cóclea, verificando-se o aparecimento da tirosina hidroxílase no início da audição.
Os resultados do ensaio com fêmeas de rato grávidas, expostas a 60 miligramas de cocaína por dia, revelam complicações no feto, que a nível da audição se podem traduzir na surdez.
A exposição dos fetos à droga provoca um avanço (de 4 dias, em relação ao normal) na maturação das estruturas da cóclea em formação.
Isto leva à dessincronização entre o desenvolvimento da cóclea e os centros nervosos da via auditiva central, que ainda não estão prontos para receber as células neuronais, tornando-os vulneráveis à lesão.
A experimentação animal revelou, ainda, atraso na abertura do canal auditivo externo, diminuição do consumo da glicose nas estruturas auditivas centrais e surdez sensoneural.
Em recém-nascidos humanos, os estudos revelam alterações semelhantes em testes de compreensão auditiva e de expressão verbal em crianças expostas in útero ao psico-estimulante.
De relevar que a cocaína é uma molécula que atravessa facilmente as barreiras biológicas, como a placenta e pode, segundo o estudo, levar a defeitos no sistema cardiovascular, ao atraso no crescimento intra-uterino e ao parto prematuro.
O Instituto de Anatomia da FMUP e o Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC) da U.Porto dedicam-se ao estudo da neurotoxicidade das drogas há cerca de duas décadas.
Nessa linha de investigação, Nuno Trigueiros Cunha desenvolveu a sua tese de doutoramento em Medicina, analisando os efeitos da exposição pré-natal à cocaína durante a formação da cóclea.
Recorde-se que a nível mundial, a cocaína ocupa o quarto lugar das drogas ilícitas mais consumidas, com cerca de 16 milhões de consumidores.
Em Portugal, é a segunda droga mais consumida, com prevalência de 1,1% no sexo masculino e 0,2% no sexo feminino – 5 homens por cada mulher.
Nos últimos anos, 1% das mulheres grávidas afirma ter consumido cocaína durante a gravidez.
Actualizado em ( 09-Mar-2010 ).
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José Capitão Pardal
Para conhecimento dos meus leitores e por transcrição do Portal do Governo aqui deixo as medidas, constantes da Resolução do Conselho de Ministros abaixo indicada, de Apoio ao Desenvolvimento da Economia Social, através do PADES (Programa de Apoio ao Desenvolvimento da Economia Social).
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Resolução do Conselho de Ministros n.º 16/2010
O Programa do XVIII Governo Constitucional estabelece, entre as suas prioridades, o relançamento da economia e a promoção do emprego.
As entidades que integram o sector social são as cooperativas, as instituições particulares de solidariedade social, as misericórdias, as mutualidades, as associações de desenvolvimento local e outras entidades sem fins lucrativos.
Estas entidades desenvolvem actividades essenciais no domínio da acção social, em especial através da prestação de serviços de assistência de proximidade, contribuindo assim para o desenvolvimento local e a coesão social.
Por outro lado, desenvolvem acções para a promoção e a integração social activa dos grupos vulneráveis, como os imigrantes, os idosos e os desempregados, estabelecendo redes de apoio e contribuindo activamente para a criação de empregos estáveis.
O posicionamento destas organizações no domínio socioeconómico evidencia -se, assim, pelo facto de a sua intervenção se basear em princípios de defesa dos interesses colectivos, em mecanismos de cooperação e de solidariedade, bem como por uma forte componente de integração das suas actividades ao nível das comunidades e dos territórios.
Por este conjunto de factores, as entidades do sector social têm vindo a afirmar -se como elementos essenciais nas parcerias promovidas para o desenvolvimento das políticas sociais.
Perante esta realidade, o reforço do sector social constitui, inquestionavelmente, um dos pilares do desenvolvimento económico e social do nosso país, traduzindo -se a linha de intervenção estratégica a prosseguir pelo Governo, por um lado, na criação de um programa de formação profissional de apoio à qualificação institucional destinado a promover a inovação social e, por outro, na criação de estruturas e de mecanismos específicos de apoios e de incentivos ao exercício da sua actividade e ao seu desenvolvimento, contribuindo assim para o reforço da coesão e desenvolvimento sociais, mediante a melhoria da qualidade dos serviços prestados.
No seguimento deste esforço de dinamização da economia social, o primeiro passo em prol desta nova estratégia de reconhecimento e de valorização do sector social foi dado através do processo de criação da Cooperativa António Sérgio para a Economia Social — Cooperativa de Interesse Público de Responsabilidade Limitada (Cooperativa António Sérgio), expressando-se, assim, o reconhecimento oficial deste sector enquanto organismo com uma identidade comum, apesar da sua diversidade e heterogeneidade.
Um segundo passo foi, ainda, dado no sentido da afirmação do potencial de criação de emprego por parte deste sector, através da criação de um programa específico de estágios profissionais, o INOV -Social, aprovado pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 112/2009, de 26 de Novembro, visando a colocação de jovens quadros qualificados junto das instituições da economia social e, concomitantemente, o reforço da gestão e a modernização das instituições acolhedoras.
A presente resolução vem, agora, estabelecer um conjunto articulado de medidas de estímulo ao desenvolvimento da economia social, através da aprovação do Programa de Apoio ao Desenvolvimento da Economia Social (PADES).
A primeira medida no âmbito do PADES será a criação, durante o 1.º semestre de 2010, de uma linha de crédito bonificado, no valor de €12500000, com o objectivo de incentivar as entidades que integram o sector social ao investimento e ao reforço da actividade em áreas existentes ou em novas áreas de intervenção, na modernização dos serviços prestados às comunidades.
Por outro lado, lança -se o programa nacional de microcrédito, no montante global de € 15 000 000, gerido pelas entidades que integram o sector social, em parceria com as instituições de crédito e com as sociedades financeiras de microcrédito.
Este novo programa pretende ser uma medida de estímulo à criação de emprego e ao empreendedorismo entre as populações com maiores dificuldades de acesso ao mercado de trabalho, facilitando -se não só o acesso ao crédito bem como a prestação de apoio técnico à criação e consolidação dos projectos empresariais.
Em terceiro lugar, o Governo aposta na qualificação das entidades e dos seus dirigentes, dos seus quadros e dos restantes trabalhadores.
Por último, resolve -se criar Conselho Nacional para a Economia Social, órgão consultivo, de avaliação e de acompanhamento ao nível das estratégias e das propostas políticas nas questões ligadas à dinamização e ao desenvolvimento da economia social.
Foi ouvido o Banco de Portugal.
Assim:
Nos termos da alínea g) do artigo 199.º da Constituição, o Conselho de Ministros resolve:
1 — Aprovar o Programa de Apoio ao Desenvolvimento da Economia Social (PADES), com o objectivo de permitir o acesso a programas específicos de desenvolvimento das suas actividades de natureza social e solidária às entidades que integram o sector social — as instituições particulares de solidariedade social, as mutualidades, as misericórdias, as cooperativas, as associações de desenvolvimento local e outras entidades da economia social sem fins lucrativos.
2 — Implementar, durante o 1.º semestre de 2010, no âmbito do PADES, uma linha de crédito bonificado, no valor de € 12 500 000, específica para as entidades que integram o sector social, com os seguintes objectivos:
a) Investimento no reforço da actividade em áreas existentes ou em novas áreas de intervenção;
b) Modernização dos serviços prestados às comunidades;
c) Modernização da gestão e reforço de tesouraria;
d) Reforço do fundo de maneio necessário ao desenvolvimento da sua actividade;
e) Liquidação de dívidas junto de instituições de crédito ou de fornecedores.
3 — Determinar que compete à Cooperativa António Sérgio para a Economia Social — Cooperativa de Interesse Público de Responsabilidade Limitada (Cooperativa António Sérgio) a gestão desta linha.
4 — Lançar, no âmbito do PADES, um programa nacional de microcrédito, no montante global de € 15 000 000, a criar durante o 2.º semestre de 2010, destinado a fomentar a criação de emprego e o empreendedorismo entre as populações com maiores dificuldades de acesso ao mercado de trabalho, beneficiando, preferencialmente, desempregados que pretendam desenvolver uma actividade por conta própria, para a qual necessitem de um empréstimo de baixo valor, com o limite máximo de € 25 000, e ao qual não consigam aceder junto de instituições financeiras.
5 — Determinar que os apoios a conceder para o desenvolvimento deste programa se consubstanciam na facilitação do acesso ao crédito e na prestação de apoio técnico à criação e à consolidação dos projectos empresariais.
6 — Estabelecer que o crédito ao investimento é concedido pelas instituições de crédito ou pelas sociedades financeiras de microcrédito, através de linhas de crédito a criar para o efeito, beneficiando de bonificação de taxa de juro e de garantia, no quadro do sistema de garantia mútua.
7 — Determinar que a operacionalização do programa assenta na celebração de protocolos com as instituições de crédito e com as sociedades financeiras de microcrédito, bem como com a intervenção descentralizada das entidades que integram o sector social, ao nível da identificação dos públicos-alvo e do acompanhamento dos projectos.
8 — Determinar que compete à Cooperativa António Sérgio a coordenação e o acompanhamento do programa nacional de microcrédito, em articulação com o Instituto de Emprego e Formação Profissional, o Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e à Inovação e Direcção-Geral de Tesouro e Finanças.
9 — Desenvolver, durante o 2.º semestre de 2010, no âmbito do PADES, um programa de formação profissional de apoio à gestão e à modernização das entidades do sector social com os seguintes objectivos:
a) Reforçar as qualificações dos seus dirigentes, dos seus quadros e dos restantes trabalhadores;
b) Promover a melhoria dos seus procedimentos de gestão e de administração.
10 — Implementar, durante o 2.º semestre de 2010, no âmbito do PADES, um programa de apoio à qualificação das entidades do sector social para melhorar a qualidade das suas actividades e o desenvolvimento de sistemas de certificação de qualidade, de modernização tecnológica e de gestão.
11 — Determinar a criação, durante o 1.º trimestre de 2010, do Conselho Nacional para a Economia Social, órgão consultivo de avaliação e de acompanhamento das estratégias e das propostas políticas nas questões ligadas à dinamização e desenvolvimento da economia social.
Presidência do Conselho de Ministros, 4 de Fevereiro de 2010.
O Primeiro-Ministro,
José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa.
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José Capitão Pardal
Aqui vos deixo a notícia inserta na Newsletter da “Turisver”, sobre as conclusões do 1º Congresso de Turismo do Alentejo, que decorreu durante os dias 26 e 27 do corrente, na cidade de Beja.
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Reunidos em Beja durante os dias 26 e 27, os participantes do 1º Congresso de Turismo do Alentejo aprovaram as seguintes conclusões finais que transcrevemos na íntegra.
Conclusões:
1.Este é um momento histórico de que os congressistas, na mesa e na plateia, são protagonistas: o primeiro congresso de turismo na região do Alentejo.
2.O congresso reflecte a tomada de consciência:
a.Que o Alentejo se apresenta, no início do século XXI, como um Destino emergente no panorama do turismo de Portugal, com peso crescente na economia e na vida social da região, sendo um factor importante de desenvolvimento regional;
b. Que o turismo pode (e deve) desempenhar um papel relevante na promoção da identidade do Alentejo, da sua cultura, das suas paisagens, do modo de vida das suas gentes…;
c.Que os agentes institucionais, os sectores empresariais, o tecido associativo, as comunidades locais alentejanas necessitam de discutir o tema do turismo em conjunto, pois só dessa discussão colectiva podem surgir novos caminhos para o desenvolvimento turístico desta região.
3.Mas o congresso reflecte também a ambição:
a. De afirmar um Destino e uma Marca forte a nível nacional, mas também internacional;
b. De identificar esse Destino com o território e com os seus valores, promovendo afinidades crescentes entre a região e os mercados turísticos;
c. De mobilizar todos os alentejanos e as suas instituições na afirmação do Destino, condição necessária para obter um desenvolvimento turístico mais sustentado e mais sustentável;
4.Esta ambição é fundamental para concretizar uma agenda de desenvolvimento turístico do Alentejo para os próximos anos, que assenta nas seguintes linhas de actuação principais:
1.A afirmação da notoriedade interna e externa do Destino “Alentejo”, alicerçado nos factores distintivos e autênticos que constituem a sua identidade.
A Toscânia mostra-nos que é possível inovar, modernizar e competir à escala internacional sem abdicar de valores, antes pelo contrário, colocando a identidade regional ao serviço do desenvolvimento sustentável do turismo.
2.O desenvolvimento e a consolidação de produtos turísticos à escala da região com o envolvimento colectivo dos agentes públicos e privados do turismo e sectores afins.
Por isso, está já a trabalhar-se na Grande Rota da Gastronomia e Vinhos do Alentejo, projecto que vai na linha do exemplo que nos trouxe La Rioja; na Grande Rota Alentejo – Património do Tempo; mas também na estruturação da Rota dos Mármores e do Turismo Industrial;
3. O aumento das competências de gestão do Destino, destacando-se a criação do Observatório de Turismo do Alentejo, que iniciará a sua actividade a partir de Maio, que é um bom exemplo do trabalho em rede entre a Entidade Regional de Turismo, as instituições de ensino superior e as associações empresariais;
4. A criação de uma rede de apoio ao investimento e à iniciativa turística, que estimule a captação de investimento adequado ao território e contribua para agilizar a concretização de projectos;
5.A gestão integrada da rede de postos de turismo do Alentejo pela ERT e Pólos, instrumento imprescindível à melhoria da qualidade do acolhimento do Destino;
6.Como plataforma de integração destas actuações, e respondendo aos novos paradigmas sociais e comerciais do turismo, criar uma Organização de Gestão do Destino (DMO), aproveitando a janela de oportunidade criada pelas novas tecnologias para agilizar a gestão da oferta desde a criação até à venda;
5.Para concretizar estas linhas de actuação, importa também capacitar as ERT e os Pólos para:
1. Uma intervenção consequente ao nível dos instrumentos de gestão territorial, em estreita articulação com as entidades sectoriais e territoriais competentes;
2. Uma participação efectiva no processo de licenciamento e classificação dos empreendimentos turísticos, o que só será possível pela atribuição de novas competências, por exemplo através do mecanismo legal da delegação;
3. Uma articulação estreita com a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional, na explicitação da componente turística das Estratégias de Eficiência Colectiva reconhecidas no Alentejo para dar coerência e organização às iniciativas de marketing territorial que estão a avançar na região;
4. Reivindicar, junto da administração central do turismo, o reforço do financiamento da actividade das ERT e dos Pólos, com base em critérios de mérito que reconheçam o trabalho realizado no melhoramento do produto e na promoção dos destinos regionais.
O Congresso verificou ainda com agrado que o PENT irá ser revisto, o que constituirá uma excelente oportunidade para este documento estratégico acolher a nova ambição prosseguida para o turismo alentejano, nomeadamente a inclusão do turismo de natureza como produto estratégico para o turismo no alentejo.
6.É nestes desafios globais que devemos concentrar a nossa atenção e os nossos esforços colectivos, agindo de forma estruturada e persistente para a obtenção de resultados concretos.
Para isso, contamos com um instrumento transversal e congregador do Turismo do Alentejo, o Plano Operacional de Turismo do Alentejo, 2010-2019.
Turisver – 30/03/2010
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José Capitão Pardal
A tecnologia será a mãe do nosso desenvolvimento e os portugueses, ao longo dos tempos e nos mais recônditos lugares do mundo, sempre a souberam utilizar.
Nos dias de hoje não pode ser diferente. Eis uma amostra.
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O Portal das Finanças foi eleito pelos leitores da PC Guia como melhor site na categoria «Melhor Site de Serviço Público».
É o terceiro ano consecutivo que a DGCI ganha este galardão.
No concurso «Prémios Leitor PCGuia 2009», cuja selecção dos premiados resultou de votação exclusiva dos leitores da Revista de Informática PCGuia, foi atribuído pelo terceiro ano consecutivo à DGCI o 1.º Prémio na categoria «Melhor Site de Serviço Público», com o Portal das Finanças, e menções honrosas ao Portal do Cidadão e à DECO.
O Portal das Finanças continua assim a fornecer serviços e informação da preferência dos contribuintes, que desta forma estimulam as equipas envolvidas (DGCI e DGITA) a prosseguir no objectivo de dar respostas às necessidades dos cidadãos facilitando o cumprimento das suas obrigações.
A distinção referida reforça uma vez mais que vale a pena apostar na melhoria da qualidade dos serviços, e que não foi em vão o esforço despendido, mostrando-se a Administração Tributária reconhecida pelo crédito que nela depositaram os eleitores que participaram no concurso.
«A Administração Pública online tem no site relacionado com a área das Finanças um dos seus melhores exemplos. O nosso público reconheceu mais uma vez essa importância, atribuindo com o mesmo peso a menção honrosa ao Portal do Cidadão…»
in Revista PCGuia, Junho 2009.
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José Capitão Pardal
Este artigo tem como fim alertar os proprietários dos estabelecimentos hoteleiros para a necessidade de durante este ano pedirem a actualização da classificação dos seus hotéis, residenciais, pensões, etc.
HARDMUSICA – 2010/03/02

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Estes requisitos fazem parte de uma lista de 139 em que se baseará a reclassificação dos empreendimentos turísticos, neste caso os estabelecimentos hoteleiros, que poderão ter uma a cinco estrelas, consoante a classificação obtida nesta tabela.
A reclassificação dos empreendimentos turísticos resulta de uma legislação de 2008 (Decreto-Lei nº 39/2008), a qual determina que todos têm de ter uma nova designação, até ao final deste ano, a qual é atribuída pelo Turismo e Portugal.
Em relação aos estabelecimentos hoteleiros, a tabela de classificação aborda as características das instalações, do equipamento e imobiliário, do serviço, lazer, qualidade ambiental e urbanística.
Certas características são opcionais ou obrigatórias, consoante o número de estrelas dos estabelecimentos hoteleiros.
De acordo com a tabela, fica-se a saber que, para obter cinco estrelas, o estabelecimento hoteleiro tem de ter obrigatoriamente duas suites, um cofre na unidade do alojamento, secador de cabelo e roupão, kits na casa de banho superiores, com escova e pasta de dentes, lâmina e gel de barbear, lima de unhas e algodão de limpeza e acesso à Internet em banda larga nas unidades de alojamento.
O serviço num estabelecimento hoteleiro de cinco estrelas também presenteia os clientes com mordomias obrigatórias, como serviço de verificação de quartos para a noite, com abertura de cama, troca de toalhas e limpeza, um pequeno almoço “a-la-carte” nos quartos, um porteiro, um serviço de “valet parking” e de transporte de bagagens.
Os aldeamentos turísticos também têm uma tabela própria, com 110 requisitos, da qual resulta a sua classificação nas categorias de três a cinco estrelas.
Os estabelecimentos com mais estrelas têm de ter determinadas características, como casa de banho privativa, cofre na unidade de alojamento e acesso à Internet em banda larga nas unidades de alojamento.
Com cinco estrelas, os aldeamentos turísticos têm de garantir a limpeza e arrumação diária das unidades de alojamento, mudança diária de toalhas a pedido do cliente, bem como mudança de roupa a pedido do cliente.
Existe ainda uma tabela para os apartamentos turísticos, com 109 requisitos, que classifica estes estabelecimentos com três, quatro ou cinco estrelas.
Dos mais de 2000 empreendimentos turísticos que operam em Portugal, apenas 156 já obtiveram a sua reclassificação ao abrigo da nova lei, obrigatória até ao final do ano e que irá terminar com tipologias como motéis, pensões, estalagens ou albergarias.
A nova legislação foi publicada há dois anos (07 de Março de 2008) e definiu um novo regime jurídico para reclassificar os empreendimentos turísticos.
Esta reclassificação reduz a quantidade de tipologias, acabando com pensões, estalagens, albergarias e motéis que passam a “estabelecimentos hoteleiros” ou, quando não respeitem os requisitos necessários, a “alojamento local”.
Para tal, os operadores têm de submeter o seu pedido de reclassificação ao Turismo de Portugal (IT) que, até ao momento, recebeu 294 pedidos de reconversão e de classificação ao abrigo da nova lei, segundo fonte deste organismo do Ministério da Economia, da Inovação e do Desenvolvimento.
Destes pedidos, 156 já tiveram resposta positiva e, segundo fonte do IT, “têm sido muito poucos os casos de empreendimentos que não conseguem reconverter-se em empreendimentos turísticos”, não existindo mais de seis casos, até porque “a intenção do legislador foi a de abarcar a realidade existente”.
Os empreendimentos são os mesmos, mas, a partir de Janeiro do próximo ano, terão de estar integrados como estabelecimentos hoteleiros, aldeamentos turísticos, apartamentos turísticos, conjuntos turísticos (“resorts”), empreendimentos de turismo de habitação, empreendimentos de turismo no espaço rural, parques de campismo e de caravanismo e empreendimentos de turismo da natureza.
A nova lei veio ainda criar a classificação de “alojamento local”, na qual se incluem “as moradias, apartamentos e estabelecimentos de hospedagem que, dispondo de autorização de utilização, prestem serviços de alojamento temporário, mediante remuneração, mas não reúnam os requisitos para serem considerados empreendimentos turísticos”.
Estes estabelecimentos – que têm de estar registados nas câmaras municipais – devem, contudo, “respeitar os requisitos mínimos de segurança e higiene”.
A mudança no sector reflectiu-se, para já, na publicação de vária legislação: dois decretos-lei e uma portaria. O prazo para a reconversão dos empreendimentos turísticos foi alargado para o final deste ano – inicialmente, o processo tinha de estar concluído no último dia de 2009 – e as taxas de reconversão deixaram de ter custos.
Esta reclassificação é obrigatória, estando previsto um conjunto de contra-ordenações entre os 100 e os 44 891 euros para os incumpridores.
Estão igualmente definidas sanções acessórias que, nos casos mais graves – empreendimentos ou instalações onde são prestados serviços de alojamento turístico sem título válido -, podem resultar no encerramento, pelo prazo máximo de dois anos.
Dados da Associação dos Hotéis de Portugal (AHP) indicam que existem 2028 operadores turísticos, os quais asseguram 117 565 quartos e 264 037 camas.
(ES)
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José Capitão Pardal
Sem comentários vos deixo a notícia inserta no jornal “Correio do Alentejo”.
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quinta-feira, 04 de fevereiro de 2010 – 17h02

João Cordovil, vogal executivo da comissão directiva do INAlentejo, é o novo presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo, sucedendo a Maria Leal Monteiro, que não foi reconduzida no cargo, foi hoje anunciado.
Em comunicado, a CCDR Alentejo revela que João de Deus Cabral Cordovil, de 59 anos, foi nomeado pelo Governo para presidir ao organismo, de cujo quadro de pessoal faz parte, como Técnico Superior Assessor.
A anterior presidente da CCDR Alentejo, Maria Leal Monteiro, terminou a sua comissão de serviço no final de Janeiro e não foi reconduzida.
O despacho governamental que formaliza a nomeação do novo presidente foi divulgado hoje pela CCDR, estando João Cordovil em funções desde o início do mês.
Até agora, além de vogal executivo do programa operacional da região do Alentejo (INAlentejo), no âmbito do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN), o responsável era coordenador da Intervenção Desconcentrada do Emprego, Formação e Desenvolvimento Social (QCAIII). Licenciado em Economia, pelo Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) da Universidade Técnica de Lisboa, João Cordovil reside no Alentejo desde 1977.
De entre as funções que já desempenhou, nomeadamente em Gabinetes de Apoio Técnico às Autarquias Locais (GAT), o novo presidente da CCDR foi consultor independente de empresas e instituições públicas, regionais e nacionais, como a Somincor (das minas de Castro Verde).
Em Abril de 2000, foi nomeado Coordenador da Intervenção Sectorial Desconcentrada do Emprego, Formação e Desenvolvimento Social do Alentejo (com estatuto de Encarregado de Missão).
João Cordovil continuava a exercer este cargo, que acumulou, até Junho de 2001, com as funções de presidente da Unidade de Gestão do Fundo de Apoio ao Investimento no Alentejo (FAIA).
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José Capitão Pardal
Sem comentários e pelo interesse que tem para a comunidade escolar de Estremoz, deixo-vos a notícia inserta no Portal do Governo, de 20100105.

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O Ministério da Educação criou a Comissão de Acompanhamento do Programa Mais Sucesso Escolar, que tem como missão assegurar o acompanhamento técnico e pedagógico das escolas e dos agrupamentos envolvidos no referido programa.
Compete ainda a esta comissão garantir o cumprimento dos contratos celebrados entre os estabelecimentos de ensino e as respectivas direcções regionais de educação, bem como a articulação entre as escolas e as instituições de ensino superior escolhidas para proceder ao acompanhamento científico em função do modelo de tipologia seguido.
O acompanhamento científico dos projectos de tipologia Fénix é realizado pelo Centro de Estudos em Desenvolvimento Humano da Universidade Católica do Porto, enquanto os de tipologia Turma Mais são seguidos pelo Centro de Investigação em Educação e Psicologia da Universidade de Évora.
No caso de os projectos serem de tipologia mista, cabe à Direcção-Geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular (DGIDC) definir o centro de investigação que deve assegurar o acompanhamento científico.
Os instrumentos para o acompanhamento e a avaliação do Programa Mais Sucesso Escolar consistem na elaboração de um relatório anual da responsabilidade da equipa de acompanhamento de cada agrupamento ou escola e, ainda, na apresentação de um relatório global, de âmbito nacional, a elaborar pela Comissão de Acompanhamento.
A Comissão de Acompanhamento do Programa Mais Sucesso Escolar é coordenada pelo director regional de Educação do Alentejo e pela directora-geral da DGIDC, integrando, além destes elementos, dois representantes da DGIDC, dois representantes do Agrupamento de Escolas do Campo Aberto (projecto Fénix), dois representantes da Escola Secundária Rainha Santa Isabel de Estremoz (projecto Turma Mais) e um representante da direcção regional de educação da área de intervenção da escola.
O Programa Mais Sucesso Escolar foi lançado tendo em vista o apoio ao desenvolvimento de projectos de escola para a melhoria dos resultados escolares do ensino básico, com o objectivo de reduzir as taxas de retenção e de elevar a qualidade do sucesso dos alunos.
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José Capitão Pardal
Um tema sempre na ordem do dia.
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Quem o afirma é o Professor Robert Carlson, reconhecido especialista pelas suas ideias inovadoras em matéria de educação e investigação. Acrescenta que, “devido ao seu enfoque tradicional em matéria de investigação e educação, muitas unidades académicas não fizeram o suficiente para chegar à indústria. Por outro lado, muitas indústrias têm encontrado dificuldades para chegar à Universidade.
Contudo, quando os benefícios mútuos podem ser claramente identificados e coincidentes, então as colaborações prosseguem sem grandes percalços”.
O Dr. Robert C. Carlson é o Reitor do Centro para o Desenvolvimento Profissional (CPD), Director do Rice Campus em Wheaton (IIT), Director dos programas de Tecnologia da Informação e Gestão e professor de Ciência de Computação.
Anteriormente, foi “chairperson” do Departamento de Ciência de Computação, durante quinze anos, contribuindo para o seu crescimento, que o tornou no maior departamento do IITMain Campus. O Professor Carlson possui diversa bibliografia e textos publicados.
Foi pioneiro na pesquisa em áreas de “relational database design”, técnicas de “integrated software design” e “computer science education”. Algumas das ferramentas desenvolvidas pelo seu grupo de pesquisa têm sido utilizadas para resolver “large scale design problems” na AT& T, DOD e no Argonne National Laboratory. O seu “Testing Maturity Model” (TMM), modelo de processo, é reconhecido como um standard da indústria a nível mundial.
É membro do conselho editorial do International Journal of Innovation Science.
Inovação e Empreendedorismo - O que é o Centro para o Desenvolvimento Profissional?
Robert Carlson – O CPD oferece educação e treino orientados para a tecnologia. A licenciatura e os programas de mestrado em Tecnologia da Informação e Gestão (ITM) e Tecnologia Industrial e Gestão (INTM) juntamente com o Programa de Aprendizagem Profissional têm atraído estudantes de todo o mundo. Os Programas e cursos no CPD fornecem uma mistura de conteúdo teórico e de aplicação prática que permite aos alunos a aplicação do que aprendem em sala de aula na resolução de problemas da vida real. Os estudantes aprendem sobre tecnologias novas e emergentes e a aplicação, integração e práticas administrativas utilizadas na gestão eficaz destas tecnologias. O objectivo é o de preparar os estudantes para se tornarem inovadores na área de tecnologia, empresários e líderes do futuro.
I&E – Qual o factor mais importante para que ocorra inovação numa organização? Quem deve ser responsável pela inovação dentro de uma organização?
RC – As pequenas “startups” proporcionam um excelente ambiente para a inovação, em que os membros da equipa estão ansiosos por inovar, existindo o incentivo da liderança, em parte porque o crescimento e as recompensas andam de mãos dadas. Em grandes organizações, a liderança deverá incentivar e apoiar a atitude “startup” dentro da estrutura existente.
I&E – Relativamente à colaboração entre a academia e a indústria, como a encara? Qual é a importância da cooperação tecnológica Universidade-indústria?
RC – O colapso económico de muitas empresas tem criado uma descontinuidade nas relações universidade-indústria. No entanto, quando ambas as partes encontram oportunidades para colaborar, os resultados são sempre mutuamente benéficos.
I&E – Que papel podem desempenhar os governos para promover a pesquisa cooperativa?
RC – Apoios e subvenções à investigação conjunta entre a Universidade e a Indústria contribuem positivamente para a criação de oportunidades de colaboração.
I&E – Que mudanças significativas se observaram nos últimos cinco anos?
RC – A recessão económica afectou negativamente muitos relacionamentos de longo prazo entre a academia e a indústria. Por outro lado, muitos desempregados lançaram “startups” que beneficiam claramente de um forte relacionamento de trabalho com as universidades. Essas relações, contudo, tornaram-se mais especulativas, devido à incerteza e à falta de recursos das “startups”.
I&E – Quais as tendências em Inovação que considera mais interessantes?
RC – “Startups” de sucesso, como o Google, enviaram uma mensagem aos estudantes universitários que deveriam tornar-se empreendedores, particularmente no mundo da internet. Universidades como o IIT procederam a alterações nos seus currículos, encorajando os alunos a frequentarem cursos enfocados na inovação e no empreendedorismo.
Para os estudantes internacionais que vêm de ambientes educacionais que enfatizam a imitação das obras do seu instrutor, a exploração de técnicas de inovação pode ser um desafio. Acrescentando esses elementos ao nosso currículo foi possível obter resultados notáveis.
João Mendes
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José Capitão Pardal
Numa altura (Março de 2007) em que ainda se opinava que o futuro Aeroporto, “jamais” seria na Margem Sul, redigi o artigo de opinião que aqui vos deixo, com as razões da minha discordância, sobre os planos, que à época pareciam intransponíveis.
A minha Opinião sobre…

Eu e o Aeroporto na OTA
Quando nos meus tempos de “rapazola” (num tempo em que como em todas as coisas, apenas havia uma alternativa, neste caso Rio Frio), se começou a falar na necessidade de um novo aeroporto para a zona de Lisboa, estava longe de pensar que passados quase 40 anos, ainda andaríamos a discutir sobre a sua necessidade e as várias localizações, para a sua implantação.
Depois disso, passámos da Ditadura para a Democracia e hoje, em pleno século XXI (em 2007), após muitos e aturados estudos, concluímos que a escolha efectuada e confirmada, pelos vários governos, dos vários quadrantes (a OTA), “talvez” não seja a melhor localização.
Sinceramente, é de lamentar, que nesta altura ainda haja muitas dúvidas, sobre a necessidade ou não do novo aeroporto e muitas mais sobre a sua localização.
Não sendo especialista em aeronáutica, dificilmente me podereria aventurar, a discutir do ponto de vista desta técnica, as várias opções.
Mas como qualquer português e interessado nas questões do Desenvolvimento, não posso deixar de vos transmitir aquí a minha opinião sobre este assunto.
Desde sempre, considerei que uma cidade da dimensão de Lisboa, não é o local ideal para um aeroporto internacional, pelos riscos inerentes a um eventual acidente aéreo.
E como defensor do desenvolvimento do interior do país, me deixei convencer pela localização do novo aeroporto, a sul do Tejo e cada vez mais encontro razões para que assim seja.
Senão vejamos:
- A localização do novo aeroporto na Ota, encurta a distância entre este e o aeroporto Sá Carneiro, no Porto, em perto de 60 kms, colocando este último a cerca de 250 kms e em causa a viabilidade, entre outros, dos voos entre Lisboa e o Porto, face à próxima concorrência do TGV.
- A localização do novo aeroporto na Ota, coloca-o fora dos corredores rodo-ferroviários, estratégicos de ligação de Portugal com o exterior.
- A localização do novo aeroporto na Ota, coloca os “nuestros hermanos” da Extremadura, mais longe dos embarques e desembarques, no aeroporto de Lisboa e mais perto dos aeroportos de Madrid.
- A localização do novo aeroporto na Ota, já levou a que venha a ser transformada a Base Áerea de Talavera (Badajoz) em aeroporto internacional ou em alternativa, na zona de Cáceres, desviando para este último grande parte do tráfego da Extremadura e do Alentejo raiano, onde se incluí parte dos futuros fluxos turísticos, previstos para a zona de influência da barragem de Alqueva (que se prevêm de grande monta).
- A localização do novo aeroporto na Ota, na opinião dos especialistas, parece ter custos e prazos de construção maiores, do que se este for construído a Sul do Tejo.
Se juntarmos a isso tudo a necessidade de desenvolver o Sul do Tejo (zona onde o estado de desenvolvimento é muito inferior, ao da zona circundante à Ota), então não podemos ter dúvidas, sobre a melhor localização, para o novo aeroporto (a sul do Tejo).
É certo que os constrangimentos ambientais, para a localização de um aeroporto internacional são importantes e devem ser tidos em conta, mas de certeza que não há nenhuma localização que os não tenha, pelo que a escolha deverá ser iminentemente política, optando pela melhor zona, do ponto de vista do ordenamento e coesão territoriais e, dentro destas, a localização onde os impactos ambientais, sejam menos significativos e a viabilidade aeronáutica não esteja em causa (como agora parece acontecer com a Ota).
Estou certo, que do ponto de vista desta análise a solução não poderia ser outra que a sua localização a Sul do Tejo.
Apesar dos 25 milhões já gastos com estudos e das justificações, no mínimo surealistas, do Sr. Ministro das Obras Públicas, ainda estamos a tempo de corrigir um erro que no futuro, nos pode custar muitos mais Milhões, pelos danos colaterais, as correcções e insuficiências, da construção do novo aeroporto na OTA.
O futuro é importante de mais, para que, ao planear investimentos de tão elevada monta (3.000 mil milhões de euros), o façamos de ânimo leve e não tenhamos em consideração todas as “nuances” do problema.
Em nome do desenvolvimento do interior do país e da convergência regional, impõe-se que haja bem senso.
Obrigado por me terem lido.
José Capitão Pardal
Em Março de 2007 redigi um texto sobre o Estudo de Enquadramento Estratégico para o Centro Histórico e Remate Urbano Leste de Estremoz, que em tempo oportuno, foi mandado realizar pelo actual executivo presidido pelo Dr. José Alberto Fateixa, que aqui vos deixo e que durante os próximos anos servirá de “bitola” na política municipal de Reabilitação Urbana da nossa cidade.
Devemos estar cientes que não se enquadrando numa estratégia de curto prazo não terá grande impacto eleitoral nas próximas eleições autárquicas, mas também não pudemos deixar de afirmar, que não é com políticas de curto prazo, só para “ganhar” eleições, em moda nos tempos que correm, que conseguiremos tornar Estremoz, num concelho mais atractivo, mais desenvolvido e mais justo socialmente.
Só com uma Estratégia de Médio e Longo Prazo (na qual se insere o Estudo de Enquadramento Estratégico para o Centro Histórico e Remate Urbano Leste de Estremoz) que perdure por vários mandatos e não se preocupe, exclusivamente, com as “sempre próximas eleições” será possível transformar o concelho e torná-lo mais atractivo para quem nele vive ou o visita.
Nada de consistente poderá ser realizado, se não compreendermos que para apareçerem os resultados de uma estratégia de médio e longo prazo, que não seja mais do que um somatório de medidas e realizações desenquadradas e sem qualquer ligação é necessário mais que um mandato eleitoral.

A minha Opinião sobre…
ESTUDO DE ENQUADRAMENTO ESTRATÉGICO
PARA O CENTRO HISTÓRICO E REMATE URBANO LESTE
A recente apresentação, com toda a “pompa e circunstância” que o assunto merecia, do Estudo de Enquadramento Estratégico, para o Centro Histórico e Remate Urbano Leste, na presença das forças vivas da cidade de Estremoz (entidades civis, militares, associativas e políticas, das várias sensibilidades), no Salão Nobre da Câmara Municipal de Estremoz e desde então colocado à discussão pública suscita, certamente, à maioria dos estremocenses, uma série de dúvidas, reflexões e interrogações.
E a primeira questão que de imediato se coloca, é saber se este documento será a panaceia para todos os nossos males (que são muitos, diga-se de passagem).
Naturalmente que não é, trata-se apenas e tão só, de um estudo, que com a consulta pública, aguarda os contributos dos estremocenses, e que se destina a enquadrar os princípios orientadores, que visarão a requalificação e reabilitação da futura zona de intervenção urbanística na cidade de Estremoz.
É certo que este documento representa um primeiro passo significativamente importante, para a Estratégia de Desenvolvimento Sustentado, que se pretende para o concelho.
Primeiro passo significativo de um trajecto enorme, que todos temos pela frente, eleitos e eleitores estremocenses, de todos os quadrantes, para que o concelho seja mais desenvolvido económica, social e culturalmente.
Apesar de conscientes que, a degradação urbanística e do património da cidade, não é de hoje, mas fruto de décadas de abandono e escassez de investimento público e privado, e que a execução da sua Reabilitação e Requalificação envolve investimentos de montantes, para os quais o Município, por si só, não dispõe de capacidade financeira para os realizar, todos nós sentimos no nosso dia-a-dia, uma necessidade enorme na sua concretização.
Os 170 milhões de Euros de Investimento Global, público e privado, que o estudo prevê para os próximos 15 anos, são deveras significativos no contexto económico do concelho de Estremoz.
Para que seja possível a sua execução total, muitos mais passos terão de ser dados e muitas mais vontades terão que ser conseguidas, ao nível: do Governo, do Município, dos Investidores Públicos e Privados, das Forças Vivas do Concelho (empresariais, associativas, políticas, etc.) e em especial de todos os Estremocenses, sem os quais, qualquer estudo ou qualquer plano, dificilmente passará do papel.
Certamente que o Executivo Municipal, através do seu Presidente, Dr. José Alberto Fateixa, utilizou os seus conhecimentos, efectuou os contactos e moveu as influências necessárias, junto do Governo, para aquilatar da abertura política necessária, ao futuro apoio à iniciativa que se pretende levar a efeito, no âmbito do QREN – Quadro de Referência Estratégica Nacional.
Certamente que ponderou os riscos do lançamento desta iniciativa, no actual momento, em que terminou o anterior Quadro Comunitário de Apoio e o novo Quadro Comunitário (QREN – Quadro de Referência Estratégica Nacional), ainda não está totalmente definido e que ponderou também os riscos duma iniciativa com a envergadura como a que está a ser delineada.
Como diz o nosso povo, “que quem não arrisca não petisca” e “que a candeia que vai à frente ilumina duas vezes”.
O volume dos investimentos que se pretende realizar, parte da responsabilidade do sector privado, é por si só, de risco elevado, mas mesmo arriscando a que algo não corra totalmente de acordo com o planeado, há que seguir em frente e mobilizar todos os envolvidos no projecto, nomeadamente, os beneficiários das medidas que se pretendem implementar.
Nos últimos 30 anos, muitos investimentos se efectuaram no concelho, mas ainda muitos estão por realizar, alguns dos quais básicos e de grande prioridade.
Este Quadro Comunitário de Apoio (QREN) configura-se como a última oportunidade de os realizar.
A Reabilitação e a Requalificação da nossa cidade afigura-se-nos como de uma importância decisiva, para que possamos perder esta última oportunidade de a efectuar.
Daí a importância do Estudo que no passado dia 8, foi apresentado pelo executivo municipal e se encontra aberto à discussão pública.
Deseja-se uma participação o mais alargada possível, na discussão do documento, para que este exprima a vontade de todos os estremocenses, que sabemos desejarem uma Nova e Mais Qualificada Cidade.
Cremos estar no início de um ciclo, que a médio prazo, vai transformar a cidade e tornar o concelho de Estremoz, mais atractivo e com: Mais Qualidade para Viver e Visitar, Mais Capaz de Atrair Investimento, que Crie Riqueza, Emprego e Acrescente Valor, Mais Competitivo no Contexto Regional e Supra Regional, Socialmente Mais Justo e Mais Amigo do Ambiente e do Património.
A aposta está lançada, há que ter esperança, mantermo-nos atentos e confiantes num futuro melhor.
Espero que o tempo me dê razão.
Obrigado por me terem lido.
José Capitão Pardal
O investimento em “energias limpas” está na ordem do dia e os cidadãos interessam-se cada vez mais pelo tema, pelo que considero de interesse a divulgação deste artigo que consta do jornal “Público.pt” de 20090823.
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por Lurdes Ferreira
As zonas de Porto Alto, Trafaria, Setúbal, Évora, Alqueva, Estói e Portimão foram as escolhidas para acolher os primeiros projectos portugueses de inovação e demonstração de energia solar concentrada termoeléctrica e concentrada fotovoltaica.
A potência total a concurso é pequena – são 33,5 megawatts que equivalem a apenas 16 torres eólicas das mais recentes -, as condições são restritivas, mas os interessados não deverão faltar.
É a perspectiva de futuro que atrai entidades como a EDP, que já anunciou que vai avançar nesta área, ou o grupo Dreen, ligado às energias renováveis, que prepara uma parceria com a Águas de Portugal, como revelou ao PÚBLICO, para entrar no fotovoltaico de alta concentração.
Dos EUA à China, o momento é de grande entusiasmo no desenvolvimento das tecnologias solares concentradas, que se baseiam em grandes instalações de espelhos parabólicos, algumas delas a funcionar há vários anos.
Símbolo desta nova vaga é o mega projecto Desertec, o consórcio liderado por grupos alemães que quer aproveitar o sol do deserto do Sara para produzir energia eléctrica que seja suficiente para satisfazer 15 por cento do consumo dos europeus e transportá-la ao longo de dois mil a três mil quilómetros.
Em Portugal, não são grandes centrais que o Governo quer promover, mas pequenas unidades de inovação e demonstração que possam entrar na geração tecnológica posterior à que será usada no arranque do Desertec, e que, sendo tecnologias afins, se encontram ainda hoje em etapas anteriores de desenvolvimento, explica Manuel Collares Pereira, vice-presidente da Dreen e professor catedrático do IST.
As inovações mais esperadas desta tecnologia passam pela possibilidade de armazenamento de energia e pelos tipos de espelhos parabólicos.
Assim, na opinião deste investigador, o país pode “apanhar a leva seguinte”.
A estreia portuguesa confina-se para já às zonas com grande exposição solar e onde há mais disponibilidade da rede eléctrica para receber energia.
Serão aprovados um máximo de 14 projectos “com forte componente de investigação e desenvolvimento tecnológico”, em função de três critérios, o mais restritivo dos quais é a valorização de parcerias com entidades com carreira nestas tecnologias, as quais não existem em Portugal.
Os outros dois são a ligação às universidades com relevância na área da energia solar e a eficiência energética associada ao projecto.
Os projectos vencedores terão ligação à rede eléctrica e uma tarifa subsidiada, a definir por portaria.
Espaço é bem escasso
Ao impulso à geração descentralizada, acessível a pequenos produtores/consumidores e designada por micro produção, parece suceder agora, a nível mundial, a aposta na produção de electricidade a partir de grandes centrais termoeléctricas concentradas que funcionam através do “velho” circuito fechado de água (ou de um fluido), mas em vez de ser com carvão ou gás natural é com a energia do sol.
As gigantescas centrais de painéis solares térmicos de concentração previstas no projecto Desertec deverão funcionar igualmente com vapor de água, de acordo com a informação disponível.
Se a investigação em Portugal se destinar a ser usada, no futuro, no deserto, “é uma boa ideia, se não, não serve”, defende Manuel Ferreira dos Santos, um dos dirigentes da associação ambientalista Geota, por considerar que não há ganhos garantidos de eficiência que tornem esta produção de energia mais barata (é cerca de três vezes mais cara do que a eólica) e por necessitar de muito espaço, um bem escasso no país.
Quando estiver a funcionar em cruzeiro, o projecto Desertec ocupará uma área do Sara equivalente à dos 18 municípios da Área Metropolitana de Lisboa. As consultoras não sabem ao certo quanto dinheiro se dirige neste momento para o desenvolvimento destas tecnologias, estando o bolo mais apetitoso, de 787 mil milhões de dólares, a ser distribuído pelo Governo dos EUA para as tecnologias limpas.
E não é por acaso que nos EUA se ouve dizer agora: “Estamos a vender solar à maluca, em Houston.” São palavras de John Berger, responsável da empresa de serviços energéticos Standard Renewable Energy, citado há alguns dias pelo Financial Times.
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José Capitão Pardal
Pela actualidade do tema e a sua importância para os alentejanos, que desejam melhores acessibilidades para o Alentejo, aproveito para transcrever o artigo do jornal “Diário de Notícias” de hoje, 20090901, sobre a reunião havida hoje em Elvas, em defesa do projecto do TGV, entre autarcas e empresários dos dois lados da fronteira, onde esteve presente o Presidente da Câmara Municipal de Estremoz, José Alberto Fateixa.

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Autarcas do Alentejo e Extremadura espanhola criam comissão em defesa do TGV
por Lusa Hoje
Vários autarcas do Alentejo e da Extremadura espanhola aprovaram hoje, em Elvas, um documento em defesa da continuidade do projecto ferroviário de alta velocidade, nomeadamente a ligação Lisboa-Madrid, e a criação de uma comissão de acompanhamento do TGV.
“Este documento será entregue a todas as forças políticas com o objectivo de as sensibilizar para a importância da alta velocidade”, disse o presidente da Câmara Municipal de Elvas, José Rondão Almeida, no final de um encontro que juntou os autarcas dos dois lados da fronteira.
A reunião em Elvas, convocada pelo autarca local, abordou, entre outras matérias, o projecto do TGV, tendo contado com a presença de vários presidentes de câmara do Alentejo (dois deles eleitos pela CDU e os outros pelo PS) e cinco autarcas da Extremadura: Cáceres, Mérida, Plasencia, Olivença e Lobón, todos eleitos pelo PSOE.
Além dos autarcas, também associações empresariais dos dois lados da fronteira estiveram representadas no encontro.
Além de terem aprovado e assinado o documento em defesa da alta velocidade, os participantes na reunião acordaram criar uma Comissão de Acompanhamento do projecto, que será constituída por autarcas alentejanos e “alcaides” espanhóis.
Esta comissão terá por missão defender e trabalhar em prol da concretização da linha de mercadorias Sines-Évora-Caia e da plataforma logística do Caia.
Em representação dos “alcaides” socialistas da Extremadura, Angel Calle, presidente do município de Mérida, lembrou que existem “acordos internacionais assinados” entre Portugal e Espanha, em matéria de alta velocidade, e que “têm apoio de fundos europeus”.
“Os acordos internacionais são para cumprir, sobretudo quando falamos do TGV que pressupõe uma união económica entre duas regiões até aqui deprimidas, como é o caso do Alentejo e da Extremadura”, disse.
Angel Calle acrescentou que “será uma grande frustração para o povo espanhol se o TGV parar em Badajoz”, sem que siga para Lisboa, relativamente à projectada linha entre a capital portuguesa e a espanhola, Madrid.
O autarca espanhol apelou à líder nacional do PSD, Manuela Ferreira Leite, “para que reconsidere a sua atitude, porque há alturas em que os interesses nacionais e internacionais devem ficar acima dos projectos partidários”.
No sábado passado, em declarações à agência Lusa, o presidente do município de Elvas divulgou o agendamento da reunião e acusou o PSD por, no seu programa eleitoral para as eleições legislativas, colocar “em causa certos investimentos públicos, como a alta velocidade Lisboa-Madrid”.
Do lado dos empresários alentejanos, Rui Nabeiro, presidente do Grupo Nabeiro/Delta Cafés, defendeu hoje que “construir a alta velocidade é construir o progresso”.
“Enquanto empresário, exijo que as autoridades cumpram o prometido. Os governos têm a obrigação de dar ao Alentejo e à Extremadura o que merecem: desenvolvimento e prosperidade”, argumentou.
O empresário Rui Nabeiro realçou ainda a importância da linha de mercadorias Sines-Évora-Caia, com ligação ao interior de Espanha, como forma de recepção e escoamento de produtos e matérias-primas da sua empresa.
“Falamos de eficácia e melhorias acentuadas com a alta velocidade para o sucesso empresarial“, vincou.
Por seu turno, Alvaro Sancho, da confederação empresarial da Extremadura e de Badajoz, lembrou que, do lado espanhol, “a construção da ligação entre Madrid e Badajoz já está em fase avançada”.
Ao mesmo tempo, o empresário defendeu que, a nível empresarial, “a ligação Lisboa-Madrid é uma infra-estrutura fundamental para o desenvolvimento económico dos dois países”.
Em declarações à Lusa, o presidente da distrital de Portalegre do PSD, Cristóvão Crespo, acusou segunda-feira Rondão Almeida de “faltar à verdade” e argumentou que o programa eleitoral social-democrata “não diz que vai acabar com o TGV”, mas apenas que “a situação económica do país não permite assumir esse compromisso”.
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José Capitão Pardal
António Costa
07/08/09 00:10
Numa entrevista exclusiva ao Diário Económico, Luís Figo fala dos seus negócios, da situação do país e faz uma “avaliação muita positiva” do trabalho do Governo de Sócrates nos últimos quatro anos.
O Luís Figo é uma marca mundial. O país tem aproveitado bem essa marca?
Poderíamos ficar aqui horas a falar sobre isso… Eu tenho a sorte de praticar um desporto popular, que mobiliza milhões e que chega a todo o mundo, tenho também a sorte de ser conhecido em todo mundo, mas não falo no meu caso particular.
Realmente, poderíamos associar os nossos melhores produtos, aquilo em que somos fortes, à imagem do país.
Acho que isto poderia ajudar a mostrar o país, mas acho que, muitas vezes, não há uma estratégia de divulgação daquilo que fazemos bem. Poderíamos chegar ao consumidor internacional de forma muito mais eficaz se houvesse uma estratégia de publicidade e marketing correcta. Muitas vezes, aposta-se em outros caminhos, as vezes até em personalidades estrangeiras. De qualquer maneira, lembro-me de que no ano passado, salvo erro, houve uma primeira campanha de divulgação internacional dos nossos valores, como a Marisa, a Joana Vasconcelos, etc.
Acho que foi uma boa iniciativa que devia ser repetida mais vezes.
Que apostas deveriam ser feitas?
Uma das apostas de futuro do país e do seu desenvolvimento deve ser claramente nos nossos produtos e nas nossas pessoas, no vinho do Porto, na Cortiça, no Turismo, nas Energias renováveis.
Temos de enaltecer e publicitar de forma mais agressiva o que temos e fazemos, mas fora do país, porque cá dentro nós sabemos o que temos e fazemos.
Portugal pode equiparar-se a Espanha ou a Itália, podemos oferecer tudo o que os outros oferecem.
Como é que vê hoje o país?
Portugal tem feito um caminho… foram feitos investimentos importantes em infra-estruturas nos últimos anos, a aposta nas energias renováveis é também muito importante, hoje e no futuro, mas acabámos por ser apanhados pela turbulência do sistema financeiro que abalou o país.
Mas, acho que, pouco a pouco, o país tem feito um caminho de desenvolvimento, por exemplo na educação e nas novas tecnologias, por isso, parece-me que este trabalho tem de ser continuado nos próximos anos…
Faz uma avaliação positiva deste governo?
Ainda há muita coisa a fazer, mas, visto de fora, faço uma avaliação muita positiva do trabalho deste Governo nos últimos quatro anos.
No momento em que estamos com as eleições à porta, é preciso garantir a estabilidade e continuidade das decisões que foram tomadas, para que a entrada de um novo governo não signifique que se começa tudo outra vez do início.
Não é positivo para o país estar sempre a mudar de rumo e de opções e é sempre necessário algum tempo para as coisas produzirem efeitos.
No seu entender, era desejável que o actual governo ganhasse as eleições legislativas?
A implementação de algumas opções políticas não se faz em quatro anos.
As pessoas também têm a consciência que algumas das opções foram erradas, porque ninguém é perfeito, mas, havendo mais quatro anos de governação, esses eventuais erros podem ser corrigidos.
Aliás, sou defensor de governos com dois mandatos para podermos avaliar a governação.
Fica claro em quem vai votar no dia 27 de Setembro…
Sempre votei em pessoas e não em partidos políticos.
Eu vejo a energia de José Sócrates, a capacidade empreendedora, e espero que continue a ter essa capacidade de mobilizar o país.
Bem precisamos!
O que é deve ser, para si, uma prioridade do próximo Governo?
O desemprego é o nosso maior problema hoje, e temos de garantir que o país se desenvolve para diminuir essa taxa de desemprego.
É verdade que é um problema mundial com a actual crise, mas isso não diminui a responsabilidade do Governo.
Depois deve apostar em cursos profissionalizantes, em vez dos habituais. São esses cursos que podem dar as melhores ferramentas as pessoas que querem trabalhar, os cursos clássicos não tem saída. Temos demasiados doutores, e cada vez mais desemprego.
É preciso mudar de mentalidades, não temos todos de ser doutores, temos é de fazer bem aquilo que sabemos fazer! Em termos de prioridades, o foco deve ser o aumento do salário mínimo.
O caminho que foi feito foi positivo, mas temos de continuar a aumentar aqueles cujos salários são mais baixos.
Isso vai, de certeza, ajudar a economia, porque as pessoas têm mais capacidade para consumir, além de contribuir também para credibilizar os órgãos políticos aos olhos dos cidadãos, porque as pessoas estão a deixar de acreditar nos políticos e no que dizem.
É uma questão, se quiserem, de justiça social.
Depois, como já disse, é preciso apostar naquilo em que somos bons, incentivar a exportação desses produtos, além de melhorar, pouco a pouco, os pontos mais focados pelos cidadãos, boas condições de acesso à saúde e à educação. Por exemplo, é necessário ajudar as famílias numerosas.
Fundação Luís Figo ainda à espera do estatuto de utilidade público
Luís Figo tem outra prioridade na sua vida, a Fundação que tem o seu nome. “Olhe, a fundação foi criada em 2003, mas ainda não temos o estatuto de utilidade público, por isso, não se pense que fizemos a fundação por razões de ordem fiscal.
Nos primeiros cinco anos, tivemos vários mecenas, a começar por mim, que sou o presidente da Fundação, a Coca-Cola, o BPN e a Galp, esta última, como parceira não-financeira, e nenhum de nós teve qualquer tipo de benefício”.
Os projectos que a fundação desenvolveu nos últimos anos enchem-no de orgulho, que se percebe em cada palavra. “Com um esforço financeiro destes mecenas, começamos com um projecto de apoio a jovens de diferentes modalidades, ténis, motor e atletismo, e com o jogo anual All Stars, que continua e é a principal fonte de receita da fundação”.
“Hoje, apostámos em quatro eixos: saúde, desporto, educação e esperança, cada um deles com projectos próprios, financiados pelos orçamentos dos primeiros cinco anos da fundação e que corresponderam também ao período de contrato dos mecenas. Agora, o momento não é o melhor nem o mais adequado para arranjar novos parceiros financeiros, mas vamos utilizando as receitas desse jogo anual para garantir doações necessárias a várias instituições, desenvolver novas iniciativas”.
Figo garante manter uma preocupação: “O mais importante é sermos credíveis porque os portugueses são muito disponíveis para ajudar e apoiar os que estão em situação difícil, mas querem saber de que forma o seu dinheiro é utilizado.
E isso é muito importante para nós. Também por aquilo que já fizemos, hoje é mais fácil seduzir as empresas numa lógica de parceria. Além disso, a fundação tem um objectivo que é criar condições para o desenvolvimento e não simplesmente distribuir dinheiro.
Há aquele célebre ditado chinês: mais importante do que dar o peixe, é ensinar as pessoas a pescar. É isso que tentamos fazer na Fundação”.
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Após 20 anos de carreira, terminada em Maio, Luís Figo diz que se preparou para não ser obrigado a seguir um percurso em torno do futebol.
Luís Figo pôs fim à sua carreira futebolística como sonhava, num grande clube e com um título de campeão de Itália. Na primeira grande entrevista depois de abandonar o futebol, como não podia deixar de ser no Algarve, em Albufeira, a olhar para o mar, Figo não dá sinais de saudades da competição.
Figo descarta, pelo menos nos próximos anos, vir a ser treinador de futebol. Prefere, antes, dedicar-se aos seus projectos empresariais, além de manter uma ligação ao Inter na área das relações internacionais. Mas Figo afirma estar preocupado com o futuro do país e, por isso, acredita na importância da continuidade do trabalho de José Sócrates para um futuro melhor para os Portugueses e para Portugal.
O antigo jogador não foge a nenhuma questão, fala do sistema financeiro português e, até, de futebol Foi uma entrevista diferente de um jogador de futebol diferente.
O Luís Figo deixou este ano o futebol profissional. Está a ser um Verão diferente dos outros?
Até ao momento, está a ser um Verão normal, porque acabei a época como nos outros anos e passei umas semanas de férias, de descanso… Está a ser, no fundo, uma transição tranquila e, por isso, ainda não notei diferenças, pelo menos mentalmente.
Em Outubro ou Novembro é que lhe poderei dar uma resposta. Quando a competição começar a sério é que poderei sentir a nostalgia de não estar em competição.
Mas se conseguir estar ocupado, acredito que não vou sentir diferenças significativas em relação a uma actividade futebolística activa.
Tem acompanhado a pré-época?
Sim, em Portugal e no estrangeiro.
E tendo em conta os resultados da pré-época, qual é a sua aposta no campeonato português?
Face aos resultados da pré-época, o Benfica vai ser campeão (risos). O que conta é o resultado no final do campeonato, mas é um bom indício. É sempre bom para o futebol português que o campeonato seja disputado até às últimas jornadas e que os três grandes estejam envolvidos, porque isso garante maior emoção.
De qualquer forma, não deixo de gozar as minhas férias ou de fazer o que tenho a fazer diariamente para ver os jogos, ao vivo ou na televisão.
Sempre passou a imagem de que a sua vida não se esgota no futebol. Isso ajuda-o a passar esta fase?
Sim. Não vivia 24 horas a pensar em futebol nem estava dependente do futebol. Tenho outros gostos, outras preferências, e tive a preocupação de me preparar para o fim da carreira, para a necessidade de não ficar dependente do futebol depois de deixar de jogar.
Eu preparei-me ao longo destes anos para não ter de pedir favores a ninguém, nem estar obrigado a seguir uma carreira em torno do futebol, como treinador ou dirigente. Depois de tantos anos de sacrifícios, quero ser eu a decidir o que vou fazer, com liberdade para o fazer.
Se quiser ir para Espanha, vou, se quiser ir para Itália, vou. Se quiser dedicar-me à agricultura, posso. Numa palavra, liberdade.
Acabou a carreira como queria?
Qualquer jogador quer ser eterno, manter-se a jogar para sempre, estar sempre no auge. Ao mesmo tempo, temos de ser realistas e, por isso, decidi que queria terminar em alta, num grande clube e a ganhar títulos, queria sair com um bom sabor na boca, em vez de acabar a carreira numa equipa de segundo nível ou lesionado..
E conseguiu…
Tive sorte e lutei por isso. No futebol, nunca se sabe quem ganha um campeonato, as vitórias são imprevisíveis, por isso, foi ainda mais importante sair com o título de campeão de Itália.
Posso revelar que, há dois anos, estive para pôr fim à carreira, mas depois tive a infelicidade de me lesionar no fim da temporada e pensei: estou há quinze anos a jogar futebol de alto nível, por isso seria terminar a carreira com um mau sabor na boca, terminar desta forma, lesionado. Então, decidi jogar mais uma temporada para terminar de outra forma.
E José Mourinho chegou ao Inter no último ano…
Sim, depois, tive a sorte de encontrar o Zé [José Mourinho] e isso foi também um estímulo acrescido, foi, de certa forma, a renovação da ambição para poder ter uma nova experiência em termos profissionais. E foi uma experiência maravilhosa, apesar dos problemas físicos que tive no início do ano…. mas antes no princípio do que no final do campeonato, outra vez.
Ainda não se arrependeu dessa decisão?
Não, não me arrependi. Este ano, a única possibilidade que admiti foi ter uma nova experiência de vida nos Estados Unidos, especialmente por causa da minha família, particularmente para as minhas filhas, que estudam num colégio britânico e poderiam ter a oportunidade de praticar a língua inglesa.
Essa possibilidade está em cima da mesa?
Neste momento, não, porque as opções não eram para as cidades que eu queria e, depois, porque o período de contrato que me foi proposto não estava de acordo com o calendário escolar das minhas filhas.
Está preparado para a ressaca do estrelato?
Estou… estou preparado, porque não vivo nem vivi do estrelato, vivo do que produzi em termos profissionais e não da notoriedade.
Agora, como é que é o seu quotidiano?
O meu quotidiano vai ser ocupado. Não me vejo a estar em casa, sem fazer nada. Tenho, em primeiro lugar, as minhas obrigações familiares e, depois, terei a oportunidade de me envolver em áreas de que gosto. Estarei, também, ligado ao Inter nos próximos dois anos na área das relações internacionais, apesar de ficar a viver em Madrid.
Admitiu a hipótese de ser candidato à Federação Portuguesa de Futebol e nunca pôs em cima da mesa a possibilidade de ser treinador…
…Isso não significa que, dentro de quatro ou cinco anos, não possa vir a ser treinador, não sei. No curto prazo, acho que a carreira de treinador é muito mais exaustiva e dependente de outras pessoas do que a de jogador. O jogador treina, trabalha e vai para casa, enquanto o treinador é um escravo da profissão.
Foi a cara do BPN e é cliente do BPP. Figo diz-se surpreendido pelos casos e espera um final feliz.
Foi a cara do BPN. Era accionista do banco?
Eu nunca fui accionista do BPN, fui, apenas, a cara do banco em campanhas de publicidade e, nessa altura, obviamente, também cliente.
Foi surpreendido com os problemas do BPN?
Quem é que ia imaginar que um banco poderia cair na situação em que o BPN caiu? Os portugueses confiavam nas instituições bancárias, e eu não fugia à regra. Se não temos confiança no sistema financeiro, estamos mortos…
Tem confiança no sistema financeiro?
Tenho confiança na justiça, apesar de pensar que é necessário mudar o sistema para acelerar as decisões judiciais. Enquanto cliente, não me passava pela cabeça que um banco poderia cair, mesmo com uma crise económica grave.
Tendo sido a imagem do BPN, prejudicou-o o que aconteceu? Sentiu-se enganado?
O que é que eu poderia fazer? Fui contratado para promover o BPN, mas não tinha nada a ver com a gestão do banco, por isso, não acredito que possa ser prejudicado pelo que aconteceu. Ainda para mais, era um banco com uma rede de balcões importante no país e, além disso, sempre fui muito bem tratado, inclusive pelo presidente, Oliveira e Costa. Falava bem com ele [Oliveira e Costa], por isso, fui surpreendido, logicamente.
Se quiserem, olhando para trás, a única coisa que posso lamentar é ter dado a cara por um projecto que provou que não merecia a confiança que as pessoas depositaram nele. Mas é evidente que a minha boa fé me levou a acreditar na seriedade dos responsáveis do Banco!
Porque é que moveu um processo judicial ao BPN?
Basicamente, estão desde há dois anos em falta com o pagamento do contrato de imagem que assinaram comigo e que termina em 2009. Não era necessário que as coisas se tivessem degradado ao ponto de ter que mover um processo judicial. Tentei conversar com os responsáveis do banco, mas nem sequer se preocuparam em dar uma explicação, uma resposta, em devolver as chamadas. Afinal de contas, não sou eu que estou em dívida com o banco. Foi uma falta de consideração e respeito.
Apesar desta experiência, mantém a confiança no sistema financeiro nacional?
Não perdi a confiança, mas digo-lhe, para uma pessoa que vê de fora, a partir de Itália ou de Espanha, o que aconteceu em Portugal, nomeadamente no BPP, não foi nada positivo para o sistema financeiro. Especialmente porque as coisas se arrastam no tempo sem solução, porque não são dadas explicações aos clientes e isso é o mais grave!. É verdade que, infelizmente, houve situações idênticas em outros países, mas naturalmente o que mais me preocupa é o que se passa em Portugal.
É cliente do BPP?
Sou, e também de outros bancos portugueses, dos quais sou cliente e com os quais faço as minhas operações. No caso do BPN, foi tomada uma decisão, mas no caso do BPP não, e é urgente que seja, porque as contas dos clientes não podem continuar congeladas. Nos últimos meses, vários amigos perguntaram-me o que está a suceder nos bancos portugueses. E, ao contrário do que dizem, o BPP não é um banco dos ricos, há de tudo, como em todos os bancos.
Conheço várias pessoas que amealharam as suas poupanças durante uma vida, que têm pequenos negócios, e que passam hoje por grandes dificuldades, enquanto os três ou quatro responsáveis pela situação a que se chegou continuam a viver ‘à grande’. Considero extremamente negativo que um banco vá à falência em Portugal.
“Gosto de dinheiro, não sou hipócrita”
Como é que lida com o dinheiro?
Muitas pessoas acusam-me de gostar muito de dinheiro, mas, pergunto, quem não gosta? Eu digo que gosto porque não sou hipócrita, mas quem não gosta? Você não gosta? A minha primeira e principal preocupação é precaver o futuro da minha família, garantir a estabilidade e o conforto da minha família. Depois, gosto de economia e de negócios, mas acho que isso está no sangue de cada um. Há gente que gosta de estar tranquila, de viver dos rendimentos, outros não. Eu gosto de estar ocupado com projectos e negócios.
Gostar de dinheiro significa ser forreta?
Não, gostar de dinheiro significa ter a noção de que custa ganhar, está a perceber? E eu tenho a noção de que me custou muito, muito, muito aquilo que consegui. E significa transmitir essa noção às minhas filhas, que ainda são pequenas para perceber isto. A mais velha, com dez anos, começa agora a fazer perguntas e a perceber a moeda que se usa. Queremos incutir às nossas filhas, eu e a minha mulher, a responsabilidade e a noção de que as coisas têm o seu valor, não caem do céu. Temos muitas vezes de lhes dizer ‘não’ e de explicar porquê.
Então, onde é que investe o seu dinheiro?
O primeiro dinheiro que ganhei serviu para comprar uma casa para os meus pais. Era um investimento mais seguro, e continua a sê-lo.
As suas ambições ultrapassam o investimento em imobiliário?
Sim, tenho feito alguns investimentos em outras áreas, algumas aplicações financeiras, na restauração e na hotelaria, designadamente no Suites Alba Resort & Spa, aliás, gostaria de investir numa cadeia de hotéis. Tenho, também, um investimento na área dos vinhos, na D+D (‘Douro&Duero), no Douro.
Qual é o negócio que lhe consome mais atenção e que lhe dá mais gosto?
Eu gosto de investir em ‘real estate’ [imobiliário], fundamentalmente em Itália, Espanha e Portugal. Mas, neste momento, estou em processo de contenção, por causa da crise económica e até por causa das eleições. De qualquer forma, a crise não está a ser tão forte em Portugal como em Espanha, a nossa economia tem sobrevivido bem a esta crise mundial, mas é uma bola de neve. As pessoas ouvem falar em crise, deixam de consumir e, depois, é lógico que isso afecta a economia em geral.
E projectos em novas áreas?
Neste momento, tenho em vista uma aposta na energia renovável, a área da energia solar, no Alentejo. O país tem investido muito nas renováveis, e bem, e o potencial da energia solar é enorme.
O futuro de Figo pode passar pela Federação, mas isso estaria dependente de mudanças no futebol nacional.
O futebol português está bem?
Vendo de fora, acho que o futebol português tem de se preocupar em formar jogadores para poder consolidar os seus clubes, excepção feita às equipas que jogam na Liga dos Campeões, como é o caso do Porto, que têm mais receitas e, por isso, podem investir mais. Caso contrário, os clubes acabam por endividar-se e, no prazo de quatro ou cinco anos, passam a ser controlados pelo sistema financeiro.
É isso que está a acontecer?
Não sei, porque não estou por dentro da realidade dos clubes… mas existe esse risco.
Aí, o Porto é um caso à parte, não é?
Eu acho que o Porto pode estar um bocadinho à frente dos outros clubes, especialmente pela experiência que ganhou na Liga dos Campeões e pela forma como gere esses interesses.
Em Portugal, há três modelos: o Porto vende bem, o Sporting forma bem e o Benfica tenta fazer um pouco de tudo e, por isso, acaba por ter mais dificuldades…
À vista, é o que sucede.
Está a viver no estrangeiro há muitos anos. Como é que o futebol português é visto no estrangeiro quando surgem tantos casos judiciais?
As notícias do futebol português que chegam ao estrangeiro não são assim tantas, por isso, quando existem é por causa de algum resultado desportivo fantástico ou por notícias mais preocupantes, como as relacionados com os problemas de que fala. Mas é bom não esquecer que esse tipo de casos existe em todos os países. Não vamos destacar em excesso algo que sucede em todos os países. O importante é ter vontade de os resolver e de evitar que eles se repitam no futuro.
Porque é que admitiu candidatar-se à Federação? O futebol português precisa de mudar e considera que pode contribuir para essa mudança?
O futebol português tem de mudar e isso depende do reforço do poder da federação. Ainda recentemente, foi levada à discussão mudanças dos estatutos e essas mudanças não foram aceites. Neste momento, o futebol português depende de quatro ou cinco associações distritais e eu não concordo com isso, considero que o poder deve estar concentrado num órgão, que é a Federação.
Como é que se consegue isso?
O Governo tem de ter um papel importante nesta mudança, porque nos outros países, são as federações a mandar. Porque é que em Portugal continuamos a depender das associações mais fortes? Qualquer que seja, neste momento, o projecto da direcção da Federação, esbarra sempre nas decisões das associações. Mas, é o que eu digo, há muitos interesses e quando há muitos interesses há muitos conflitos.
Neste quadro e com esta organização, não está disposto a candidatar-se?
Neste modelo, não faria sentido porque seria só uma cabeça de cartaz e eu não estou disponível para isso. Para ser uma cara, fico em casa.
Faz uma avaliação positiva do trabalho de Gilberto Madaíl?
Eu faço uma análise positiva. Foi o presidente que nos levou às fases finais dos europeus e dos mundiais. Ao contrário do que, por vezes se disse, eu tenho um bom relacionamento com o presidente da federação. Em alguns pontos, estávamos em desacordo, porque Madaíl defendia os interesses da Federação e eu, como capitão da Selecção, tinha que defender os interesses da equipa. De qualquer forma, não me pronuncio sobre a federação, até porque existe um presidente e, por isso, não vou passar por cima de ninguém para ser candidato.
Se a oportunidade surgir e eu verificar que há condições para implementar as mudanças que entendo devem ser feitas, então, aí, podemos voltar a falar.
Não vai candidatar-se contra Gilberto Madaíl?
Não, não. Nunca me vou candidatar passando por cima de outras pessoas, porque não faz parte da minha forma de estar. Nunca me candidataria contra ninguém, mas sim em função de uma ideia, de um projecto. O tempo o dirá, em função dos estatutos e das minhas ideias para o futuro do futebol português.
Seria muito grave falhar o apuramento para o mundial
Admite a possibilidade da Selecção Portuguesa falhar o apuramento para o Mundial?
Eu sou bastante realista, gosto de sonhar acordado… Neste momento, é uma das possibilidades.
Isso seria um cataclismo para o futebol português?
Eu acho que seria extremamente negativo. Primeiro, para os jogadores, depois, para a imagem do futebol português, finalmente, para a própria Federação. Ainda mais importante, se Portugal não conseguir o apuramento, vai quebrar-se um ciclo consecutivo de apuramentos para as fases finais. De um momento para o outro, perderemos esse prestígio, até uma relação de amor que existe – e espero que se mantenha – com os portugueses. Esta foi uma das grandes conquistas dos últimos anos e, se perdermos isso, perde-se tudo.
O que é que está a falhar?
Os jogadores são praticamente os mesmos relativamente à última classificação. Não sei o que está a falhar, não sei. Eu não gosto tecer considerações avulsas, de opinar sem estar por dentro das situações. A única coisa que me preocupa é a credibilidade da selecção junto das pessoas, porque sei que é muito difícil de ganhar e muito fácil de perder. Uma das maiores dificuldades da minha geração foi ganhar o respeito e o apoio dos portugueses, porque isso depende dos resultados e demora anos. Além disso, ganhámos também o respeito, que não existia, de outras selecções, e isso não pode perder-se.
Não é possível rentabilizar uma transferência com a venda de camisolas
O futebol está sobrevalorizado pela sociedade?
Do meu ponto de vista, está, especialmente pelos interesses financeiros que gera, isto é, por causa do valor das transferências de jogadores, o que torna a recuperação do investimento muito difícil ou mesmo impossível. O futebol é uma realidade com muitos interesses, quer em termos financeiros, quer em relação às expectativa e emoções dos adeptos e, por isso, do meu ponto de vista, a sobrevalorização que pode haver dos jogadores e do futebol pode ser prejudicial, mas só o tempo poderá responder a essa pergunta.
Porquê?
O futebol produz tantas emoções que as pessoas, os adeptos, esquecem os problemas financeiros, o que um jogador custa. Se um presidente de um clube apresentar um jogador fantástico, a primeira preocupação dos sócios e adeptos não é o estado de saúde financeira do clube, porque são levados pelas emoções clubísticas.
O futebol também se joga muito neste campo, não há grandes preocupações de curto prazo, apenas a gestão das emoções e a conquista de títulos, que é aquilo que conta. E os problemas surgem depois, passados anos.
Não acredita na rentabilização de um jogador que custa o que custou, por exemplo, Cristiano Ronaldo?
Devo dizer-lhe que, se fosse presidente de um clube, venderia todos os jogadores, fossem eles quem fossem, por um valor acima dos 30 milhões de euros. E, caso fosse presidente de um clube comprador, poderia pagar eventualmente por um, mas não pagaria por quatro ou cinco, como está a suceder em alguns clubes.
Eu não sou economista, mas parece-me enganador tentar, não digo confundir, mas garantir aos adeptos e sócios de um determinado clube que é possível rentabilizar uma transferência de 50 milhões de euros com a venda de camisolas…
Não se rentabiliza?
Não, isso é uma loucura. Eu não sou economista, mas expliquem-me como é que é possível, como é que um clube recupera cinquenta milhões com a venda de camisolas. Até porque a maior percentagem da venda das camisolas vai para os patrocinadores e apenas uma pequena fatia para os clubes. Isso é que eu não entendo, e gostava que me explicassem.
“Ronaldo não me pediu conselhos”
Que conselhos deu a Cristiano Ronaldo, já que passou, em 2000, por uma experiência semelhante, também no Real Madrid?
Não dei conselhos, desde logo, porque isso não se proporcionou. Mas creio que ele sabe a dimensão do clube a que chegou e a pressão que representa esta mudança, desde logo pelo valor da transferência. Não gosto de me meter na vida de ninguém. Nem devo. É evidente que se o Ronaldo quiser algum conselho meu em relação a alguma questão mais específica, não tenho nenhum problema em faze-lo.
Das cidades em que jogou, Madrid é a mais difícil para um jogador?
É a mais exigente, sem dúvida, porque os adeptos querem sempre ganhar e, ao mesmo tempo, ver bom futebol. A equipa pode ganhar 4-0, mas se não jogar bem, as pessoas não aplaudem… estão habituadas a bom futebol desde o Di Stefano.
Vai ser esse o principal desafio de Cristiano Ronaldo?
Ronaldo vai ter dificuldades por causa desta exigência, mas principalmente, repito, pelo valor da transferência. É algo que o vai perseguir nos tempos mais próximos.
“O melhor treinador que tive foi Cruift”
Qual foi o momento mais importante da sua carreira?
É muito difícil escolher um momento ao longo de tantos anos, há tantos… mas acho que foi o primeiro contrato de profissional com o Sporting…A primeira marca é sempre a mais duradoura.
…provavelmente, muitos esperariam a escolha de um golo ou de um título?
O primeiro contrato foi o momento da transição, o momento em que tinha de escolher entre o futebol e os estudos. Aí, percebi e senti que teria uma oportunidade no futebol profissional.
E qual foi o clube que mais o marcou?
O Sporting marcou-me pela formação, aprendi muito naquela casa em dez anos, e encontrei pessoas que ainda hoje estão no clube. O Barcelona foi o meu primeiro clube no estrangeiro, foi onde fiz a transição de adolescente para adulto, o Real Madrid deu-me uma projecção mundial e o Inter foi o clube familiar que acreditou em mim, apesar de já ter passado dos 30 anos. Tenho um relacionamento fantástico com o presidente, Massimo Morati, que é uma pessoa única, não é uma pessoa do futebol e o futebol precisava de mais pessoas como ele. Além disso, fiz laços muito apertados com os adeptos do Inter durante os quatro anos de contrato e identifiquei-me muito com o clube, daí, aliás, continuar ligado a ele.
José Mourinho não tem esse perfil familiar?
Ele [Mourinho] é um vencedor, adapta-se aos clubes onde está, às causas impossíveis, e quer ganhar sempre…
…foi o melhor treinador que teve?
Foi dos melhores, especialmente no gozo de treinar todos os dias, foi uma experiência fantástica. Mas continuo a dizer que o melhor treinador que tive foi Joan Cruift, pelos seus métodos de trabalho. Tive a sorte de trabalhar com ele em Barcelona e foi ele, aliás, um dos motivos que me levou a assinar pelo clube. Talvez por ter sido o primeiro treinador que tive no estrangeiro, influenciou-me muito. Cruift deixou de treinar há dez anos e continua à frente de muitos treinadores, dez anos à frente. Obviamente, Carlos Queirós também me marcou muito, quase toda a vida na selecção, acompanhou-me em toda a carreira.
Os jogadores precisam de ser geridos com chicote?
Não, o mais difícil e essencial é gerir uma equipa. A grande arma dos treinadores, hoje, é saber gerir um plantel, garantir um bom ambiente de trabalho. Hoje, todos os treinadores têm um preparador físico, todos dominam as tácticas e as metodologias de treino, mas nem todos sabem gerir. Neste sentido, um grande treinador foi Vicente del Bosque, que não tinha um ar sofisticado, mas que ganhou tudo.
Mas, como se gere uma equipa de estrelas, como foi a do Real Madrid em que esteve ou a actual?
O treinador tem de ter a capacidade de dizer não e de cortar com o mal pela raiz quando se justifica, para garantir a estabilidade da equipa. Mas acho que as coisas funcionam quando os jogadores são contratados em função das necessidades da equipa e quando se sacrificam em prol da equipa. Quando os jogadores são contratados com outros fins, o sucesso é muito mais difícil.
“Não vou a casa de quem não me convida”
É sportinguista?
Sou, mas não sou fanático. Sou sportinguista, mas penso de forma diferente do habitual. Dou-lhe um exemplo, sobre o qual nunca falei: muitos criticaram-me por ter festejado um golo do Inter contra o Sporting. É verdade, sou sportinguista e quero que o clube tenha sucesso, mas, primeiro, sou profissional e devo esse profissionalismo ao clube que me paga. Perguntam-me, és do Sporting ou queres ganhar? Quero ganhar.
Mesmo contra o Sporting?
Mesmo contra o Sporting, eu quero ganhar. Mas não deixo de ser do Sporting por causa disso. E há muitas pessoas que não entendem isso. Essas pessoas dizem que não sou do Sporting porque festejei um golo, então, deveria fazer de propósito para falhar esse golo? Se eu gostasse tanto do meu clube em relação ao clube onde jogo, em vez de marcar um golo, deveria mandar a bola para fora, não é? Isso é uma hipocrisia.
Porque é que nunca admitiu acabar a carreira no Sporting, como sucedeu com outros jogadores da sua geração, no Porto e no Benfica?
Eu nunca vou a casa de uma pessoa ou a uma festa sem ser convidado. Eu não sei se as pessoas fazem isso, mas eu não faço…
E se fosse?
Se fosse, avaliava a situação, avaliava os prós e os contras e decidia. Mas como não houve convite nenhum, não me posso oferecer. Primeiro, porque sou orgulhoso, depois porque não me cabia a mim fazer esse convite.
Luís Figo protagonizou no Verão de 2000 a mais cara e mais turbulenta transferência do mundo até então. De Barcelona para Madrid, Figo passou de figura de primeira linha e dos mais acarinhados jogadores catalães para o símbolo da nova força do Real Madrid.
Hoje, nove anos depois, Figo recorda a telenovela e revela episódios nunca contados de uma transferência de 61,7 milhões de euros. A primeira pessoa a saber da assinatura do contrato com o Real foi a sua mulher, Helen Svedin.
“Viajei de avião para Lisboa, e dirigi-me ao escritório do José Veiga. Quando cheguei e entrei na sala, estavam cerca de dez pessoas à volta de uma mesa, todos a tentaram convencer-me a assinar naquele momento. Foi, então, que telefonei à minha mulher e disse ‘já está, pronto, sou do Real Madrid’. Já não regressei a Barcelona”.
Foi no dia seguinte às eleições do Real que deram a vitória a Florentino Perez, a 17 de Julho de 2000, segunda-feira. No mês anterior, Luís Figo foi deixando saber ao então presidente do Barcelona,. Luiz Nuñez, que tinha clubes interessados na sua contratação e que estavam dispostos a pagar a cláusula de rescisão.
“Eu decidi, na altura, confrontar o presidente do Barcelona, essencialmente pela forma como estava a reagir à minha proposta. Na altura, a Lazio estava disponível para pagar a minha cláusula de transferência e, por isso, comuniquei-lhe que tinha uma oferta e que, por isso, teria de rever as minhas condições e equipará-las às melhores praticadas no clube”, recorda Figo.
Figo foi para o campeonato da Europa sem o seu futuro decidido. E foi por essa altura que surgiu a possibilidade de vestir a camisola do Real. “Estava no campeonato da Europa na Holanda e as coisas estavam a correr bem.
Houve, entretanto, a possibilidade de um dos candidatos à presidência do Madrid, Florentino Perez, me contratar e eu voltei a comunicar ao presidente Nuñez que existia essa proposta. Nessa altura, eu não queria sair do Barcelona, apenas queria que reconhecessem a minha qualidade, e ele limitava-se a dizer que iria esperar pelo pagamento da cláusula de rescisão”.
“Todo o meu processo de transferência para Madrid foi caricato. Depois do Europeu, estive de férias no Algarve e, depois, voei para a Sardenha com a minha família e, nessa altura, ainda não tinha decidido o que fazer, porque, por esses dias, realizavam-se eleições nos dois clubes. Num desses fins-de-semana, tinha à minha porta vários intermediários a tentarem convencer-me a assinar pelo Madrid e alguns deles a chorarem à frente da minha mulher, porque tinham assumido compromissos em meu nome que, se não fossem cumpridos, teriam um custo elevado e a pagar do bolso deles”, diz, hoje com um sorriso.
“O candidato concorrente ao presidente Nuñez, Joan Gaspart, queria que eu continuasse, mas não confiava nas promessas que me fazia. Finalmente, Florentino Perez ganhou as eleições no Real Madrid [a 16 de Julho], e eu assumi a responsabilidade de concretizar o que o José Veiga tinha acordado nas semanas anteriores”.
Figo esperou pelo resultados das eleições no Real Madrid e decidiu, naquele dia, assumir a responsabilidade de chocar o mundo futebolístico. “Viajei de avião para Lisboa no dia seguinte às eleições, segunda-feira, e dirigi-me ao escritório do José Veiga. Quando cheguei e entrei na sala, estavam cerca de dez pessoas à volta de uma mesa, todos a tentaram convencer-me a assinar naquele momento. Foi, então, que telefonei à minha mulher e disse ‘já está, pronto, sou do Real Madrid’. Já não regressei a Barcelona”.
Luís Figo garante que nunca se arrependeu do passo que deu. “Nunca me arrependi de mudar para o Real Madrid, foi uma decisão difícil, porque tinha de começar tudo de novo, mas também era um grande desafio e, felizmente, consegui vencê-lo”.
Luís Figo regressou na época seguinte a Barcelona, com a camisola do Real, e, como recorda, foi um momento difícil. “Fui o único jogador a ser assobiado por um estádio com mais de 120 mil pessoas”. Depois, regressou a Barcelona a título privado, para o nascimento da filha de Pepe Guardiola, que considera “irmão”. “Foi das pessoas que mais me ajudou em Barcelona, e a nossa amizade é para sempre, independentemente de tudo o resto”.
Figo continua a ter muitos amigos em Barcelona, mas há outro factor que o mantém chegado à cidade. “Tenho uma filha catalã, e gostava que ela visse e conhecesse a cidade em que nasceu”.
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José Capitão Pardal


