


Sem Comentários
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2010-04-14
A ciência, a energia e o digital são a agenda para o futuro de Portugal, afirmou o Primeiro-Ministro em Leiria. «Estratégia é escolher o sítio onde lutar e o sítio onde devemos lutar, no meu ponto vista, é nestas três áreas» que «influenciam e que mudam tudo o resto, tudo à sua volta, que são as três forças motrizes» da economia mundial no momento presente, sendo as áreas nas quais «as mudanças estão a acontecer a uma velocidade absolutamente vertiginosa», acrescentou José Sócrates.
«Se conseguirmos, na ciência, obter aquilo que deve ser o nosso objectivo, que é ter um investimento em ciência, investigação e desenvolvimento igual à média europeia, então eu digo temos vencido um dos maiores fossos, diferenças, défices que Portugal teve durante décadas e que nos condenou a um certo atraso», afirmou, referindo também como objectivo, atingir um número de diplomados com o ensino superior entre os 25 e 34 anos igual à média europeia.
No digital (tecnologias da informação e das comunicações), o PM apontou a instalação das redes de comunicações de nova geração, em curso, que deverá permitir impulsionar o desenvolvimento do sector de forma a que Portugal triplique as exportações, atingindo os cinco mil milhões de euros – «uma ambição perfeitamente razoável para os próximos dez anos» -, e criando «um sector digital à altura de uma economia moderna».
Na energia, o Chefe do Governo afirmou que se Portugal atingir 60% da produção de electricidade baseada em energias renováveis, desenvolver o projecto pioneiro no automóvel eléctrico e melhorar a eficiência energética em 20%, «teremos um País moderno e uma economia moderna e em condições de ter sucesso». Um País que aposta nas energias renováveis, na ciência e ensino superior, e na economia digital «é um País com confiança em si próprio».
Num jantar-conferência organizado pela Liga de Amigos da Casa Museu João Soares – pai do ex-Presidente da República Mário Soares – José Sócrates afirmou que «uma das tarefas prioritárias dos políticos é mobilizar para uma agenda de futuro, não apenas os serviços do Estado, mas a sociedade e as empresas e as famílias».
«Os défices orçamentais são maus ou bons no médio prazo, dependendo de uma coisa: do sítio onde investimos o dinheiro», apontou o Primeiro-Ministro, exemplificando com os diversos investimentos de modernização previstos ou em curso, os quais, simultaneamente, têm servido para «proteger o emprego e proteger a economia», porque «quando há uma crise económica como aquela que nós vivemos, o dever do Estado é aumentar o seu défice, o dever do Estado é fazer mais investimento». Agora, que a economia começa a dar sinais de retoma, as prioridades são «a recuperação económica, que é urgente» e «pôr as contas públicas em ordem, o que tem que ser feito ao mesmo tempo».
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José Capitão Pardal
O ministério da Economia vai criar um novo modelo de contratualização com as agências regionais de promoção turística, que deverá entrar em vigor a partir de 2011, anunciou hoje o secretário de Estado Carlos Zorrinho.
No âmbito das medidas de promoção e de estímulo à procura do destino Portugal, o novo modelo, “mais eficaz e mais adequado à realidade”, irá substituir o atual, que “vigorou entre 2006 e 2009 e foi prorrogado por mais um ano”, explicou.
O secretário de Estado da Energia e da Inovação, em representação do ministro da Economia, Vieira da Silva, falava na sessão de encerramento do 1.º Congresso de Turismo do Alentejo, que terminou hoje, em Beja, e cuja próxima edição vai decorrer em março de 2011, em Tróia, no litoral alentejano.
Na sua intervenção, Ceia da Silva, presidente da Turismo do Alentejo, organizadora do congresso, pediu ao Governo para “agilizar” e “mudar os regulamentos” do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN).
“Não percebo como é que o QREN não é agilizado e colocado ao dispor da revitalização da economia nacional”, disse, sublinhando que “não entende” como é que regulamento específico Promoção e Capacitação Institucional “só abriu este ano e com verbas irrisórias”.
Em resposta a Ceia da Silva, Carlos Zorrinho disse que o Governo está a fazer um “esforço titânico” para que o QREN “seja um instrumento mais ágil e próximo das necessidades da economia”.
“O QREN foi desenhado para um contexto económico completamente diferente e ninguém podia prever as dificuldades de cofinanciamento que entretanto surgiram”, justificou.
Ceia da Silva criticou o regulamento dos empreendimentos turísticos em Portugal, revisto em 2009, lamentando que “as entidades regionais de turismo, que são responsáveis pela promoção dos territórios, não tenham uma única intervenção no processo de licenciamento das unidades de alojamento”.
“A legislação tem que ser modificada e as entidades regionais de turismo têm que ter uma palavra a dizer em relação aos empreendimentos turísticos da sua região”, defendeu.
Ceia da Silva lançou ainda o repto ao Governo para transformar “num grande congresso de turismo nacional” o Congresso de Turismo do Alentejo, que “é um dos maiores senão o maior congresso de turismo que se realiza em Portugal”.
“Concordo com a ideia de se realizar um grande congresso de turismo em Portugal.
Se nós [Turismo do Alentejo] já realizamos este, pois que este seja o grande congresso de turismo que se realize em Portugal”, sugeriu.
A sessão de encerramento contou também com a participação do ministro da Agricultura, António Serrano, que defendeu que “não pode haver desenvolvimento turístico sem uma parceria estratégica com a agricultura”.
“A ligação entre o potencial agrícola do país e a promoção turística não pode ser descorada”, defendeu António Serrano, sublinhando que “todas as atividades complementares” ao trabalho do agricultor, como o turismo rural, o enoturismo e a gastronomia, “são fontes de atracão turística”.
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José Capitão Pardal

Foto Hoy (Imagen virtual de cómo se prevé que sea la refinería)
Unos ven el proyecto como una oportunidad única para la región, otros como un atentado ecológico.
José Capitão Pardal

É uma nação rede num mundo em rede e um País gerador de novos conceitos com impacto global.
O modelo de construção de novos conceitos em Portugal é muito interessante.
Os portugueses usam o talento e a criatividade não para encontrar soluções óbvias (plano A) mas para encontrar boas desculpas para não fazer ou não se comprometerem (Plano B).
Quando o Plano B falha então encontram soluções disruptivas, ainda mais criativas e talentosas (Plano C).
São os Planos C, o melhor e mais potente produto da economia portuguesa. Esses Planos C vão desde rotas alternativas para o comércio mundial e outras formas de navegar no passado, até projectos como a Via Verde, o SIS for All, o e-Escola ou a Empresa na Hora nos dias de hoje, para descrever apenas alguns dos mais emblemáticos.
Durante demasiado tempo olhámos para esta característica portuguesa e em boa parte da Europa do Sul como uma ameaça e um constrangimento.
Com o Plano Tecnológico, em Portugal apostámos na oportunidade que dela decorre. Qualificar os portugueses, reforçar as redes e impulsionar uma nova atitude que faça de Portugal um “living lab” global e dos portugueses produtores globais de planos C exportáveis, geradores de emprego e criadores de riqueza.
Se há coisa que faz sentido no Ano Europeu da Criatividade e da Inovação em Portugal é usar o talento e a criatividade para olhar a realidade de forma diferente e capturar novas competências de transformação do mundo.
Um mundo em que inovar já não basta e em que o conhecimento, a tecnologia e a inovação são apenas condições necessárias para competir.
Um mundo em que a atitude empreendedora faz a diferença.
Um mundo complexo e imprevisível em que só os protagonistas antecipam o futuro.
Um mundo de redes e de comunidades, em que o acesso à informação e a redução da exclusão digital são fundamentais.
Esta é uma conferência de protagonistas.
De fazedores de futuros.
Espero que nela se reforce o triângulo chave Acreditar – Aprender – Empreender - e que os seus ecos contaminem favoravelmente o debate sobre a Estratégia de Lisboa Pós – 2010.
Uma Estratégia que tem que ser reforçada na ambição, na dimensão política e nos mecanismos de cooperação e para a qual a abordagem criativa desenvolvida nesta conferência constitui uma ferramenta fundamental.
PS: Este texto é uma sintese da intervenção feita pelo autor na abertura da Conferência Criative Learning, realizada em Lisboa dias 15 e 16 de Outubro de 2009
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José Capitão Pardal
Sem comentários aqui vos deixo a notícia inserta no jornal extremenho “El Periódico” Online de 20091112.
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Veinte compañías y sociedades trabajan ya en las nuevas instalaciones de la antigua Escuela de ITI, en Badajoz.
Vara explica que servirá para crear empleo en nuevos sectores económicos con futuro, y que pedirá resultados.

12/11/2009 F. LEON
Foto:S. GARCIA
Las empresas de la región que desarrollen líneas de investigación en innovación y desarrollo ya disponen de una infraestructura que ofrece equipamiento, asesoramiento y acceso a otros recursos para hacer que sus productos y sus servicios sean más competitivos en el mercado. Ello es posible con la puesta en la marcha del Parque Científico Tecnológico de Extremadura (PCTEx), cuya sede provisional en Badajoz inauguró ayer el presidente de la Junta, Guillermo Fernández Vara, con el rector de la Uex, Francisco Duque, y el alcalde de Badajoz, Miguel Celdrán, entre otras autoridades y más de un centenar de invitados del mundo empresarial y la universidad.
Una veintena de empresas se encuentran ya ubicadas en el PCTEx, que se ubica en el edificio rehabilitado de la antigua Escuela de Ingenieros Industriales, en Huerta Rosales. Un equipo de siete personas, dirigido por Antonio Verde –director general–, lleva meses trabajando con las sociedades y entidades dedicas al desarrollo de procesos de i+D+I, radicadas en este nuevo espacio, con el fin de lograr que la transferencia de conocimiento y resultados de la investigación sean efectivas y lleguen al mercado.
NUEVA ECONOMIA El PCTEx nace también con el objetivo de apoyar la creación de nuevas empresas innovadoras y promover una cultura de la innovación tecnológica y la gestión del conocimiento que fomenten el conocimiento mutuo y la colaboración entre investigadores y empresas. Además de contribuir al desarrollo de una nueva economía con futuro en la región.
El parque, lejos de nacer con un planteamiento generalista, presta atención a sectores empresariales que le permitirán adquirir una identidad y ligarlo a un mercado potencial claramente diferenciado.
Nace el PCTEx con la idea de potenciar la creación de sinergias entre las entidades presentes en él. Esos sectores son los de energías renovables, biomedicina, tecnología de la información y la comunicación, agroalimentación, gestión de recursos naturales y servicios avanzados a la empresa.
TRES AREAS Antonio Verde los aglutinó en tres áreas: energía (renovables), suelo (campo e industria agroalimentaria) y personas (tecnología, cultura, ocio y turismo), trabajando todos ellos con “tejido, talento y capital”, dijo.
Se trata, como señaló el director general del PCTEx, de un único parque con dos sedes, en Cáceres y Badajoz, para las que se prevé una inversión de 12 millones de euros, con la construcción de sendos edificios de 4.000 metros cuadrados en los campus de ambas ciudades, con una superficie total de 22 hectáreas.
Guillermo Fernández Vara apuntó en su intervención, que en un futuro se podría pensar en ampliarlo a Mérida y Plasencia. En Badajoz, el centro que se construye en el campus estará ligado a la futura plataforma logística; y el de Cáceres, a la Sociedad de la Salud.
El presidente extremeño respondió a la hipotética pregunta de una persona que pase por el parque y pregunte qué es: se trata de un medio “para que su hijo pueda tener trabajo en un sector con futuro, que no tiene que ver con el de su abuelo ni el de su padre”. Y añadió que es “más camino, que morada, para conseguir aquello por lo que llevamos años luchando; que lo que se invente, sirva para crear trabajo para esos hijos”. Y recordó que el PCTEx es posible gracias a la trabajo “de mucha gente durante 30 años”.
También señaló que la lista de las empresas radicadas en el parque no es “baladí, pues no existían hace diez años; son las empresas de la nueva Extremadura”. Y dado que la Junta ha aportado dinero público, Vara se dirigió a Antonio Verde para decirle que este proyecto ha generado muchas expectativas que no se pueden defraudar, y que exigirá resultados, reto que recogió el director del PCTEx.
Duque trasladó el mérito de haber sacado el proyecto adelante al vicerrector de Investigación, como “verdadero líder” del mismo, y valoró que el parque viene a llenar un vacío, pues no es “fácil la transferencia del conocimiento para dar un servicio y pasar al sector productivo”, así como que orientará a los nuevos sectores en esa línea de innovación.
El parque de ITI funcionará durante dos o tres años, hasta que se abra el nuevo edificio en el campus, sin que por el momento se sepa si se mantendrá la actual sede o no, señaló el director de desarrollo de negocios, Francisco Pizarro. Este, como Verde, valoró las sinergias que se pueden y se deben crear en el PCTEx entre las empresas colaboradoras, que podrán aprovechar los servicios especializados del parque, pero también intercambiar los conocimientos de cada una de ellas.
Así, el Ministerio de Ciencia e Innovación ha concedido 7,5 millones de euros para atender los cuatro proyectos presentados por el PCTEx, asumidos al 100%, según Pizarro. Estos incluyen la construcción de dos edificios en Badajoz –Cetiex, de energías renovables; y un edificio de empresas–, así como un plan de viabilidad de I+D+i de la empresa jamonera Herlusa, y la construcción de una bioincubadora.
En cuanto a la accesibilidad del parque, Pizarro afirmó que desde 10 euros el metro cuadrado, cualquier empresa puede tener un sitio en el mismo con derechos a todos sus servicios avanzados, siempre que se dedique a uno de los sectores para los que se ha creado.
Asimismo, las empresas pueden instalarse en el PCTEx mediante adscripción, como residentes en el mismo o con su propio edificio construido en suelo cedido con derecho de uso por 50 años.
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José Capitão Pardal
O Professor José Carlos das Dores Zorrinho é o novo Secretário de Estado da Energia e da Inovação do novo Governo de José Socrates.

O Professor Carlos Zorrinho é Licenciado em Gestão e Professor Catedrático da Universidade de Évora, Deputado e Dirigente Nacional do Partido Socialista, tendo exercido o cargo de Coordenador do Plano Tecnológico, na última legislatura.
Ao novo Secretário de Estado os meus parabéns e muita sorte para o desempenho do cargo para que foi designado.
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Sócrates apresenta novos Secretários de Estado
O primeiro-ministro José Sócrates propôs hoje ao Presidente da República, Cavaco Silva, uma lista de 37 Secretários de Estado para o XVIII Governo Constitucional.
20:42 Quarta-feira, 28 de Out de 2009
Numa nota enviada à comunicação social, a assessoria de imprensa do gabinete do primeiro-ministro revela a proposta enviada hoje ao Presidente da República, Cavaco Silva, para a nomeação de 37 Secretários de Estado para o XVIII Governo Constitucional.
Há 17 novos Secretários de Estado, 16 permanecem no cargo, cinco mudam de pasta.
Foram criadas também duas novas Secretarias de Estado.
NOTA À COMUNICAÇÃO SOCIAL
O Senhor Primeiro-ministro propôs hoje a S. Exa. o Presidente da República a nomeação dos seguintes Secretários de Estado do XVIII Governo Constitucional:
- Secretário de Estado Adjunto do Primeiro-Ministro, Dr. José Manuel Gouveia Almeida Ribeiro
- Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, Prof. João Titterington Gomes Cravinho
- Secretário de Estado dos Assuntos Europeus, Mestre Pedro Manuel Carqueijeiro Lourtie
- Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Dr. António Fernandes da Silva Braga
- Secretário de Estado Adjunto e do Orçamento, Mestre Emanuel Augusto dos Santos
- Secretário de Estado do Tesouro e Finanças, Mestre Carlos Manuel Costa Pina
- Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Prof. Dr. Sérgio Trigo Tavares Vasques
- Secretário de Estado da Administração Pública, Mestre Gonçalo André Castilho dos Santos
- Secretário de Estado da Juventude e do Desporto, Dr. Laurentino José Monteiro Castro Dias
- Secretária de Estado da Modernização Administrativa, Profª. Drª. Maria Manuel Leitão Marques
- Secretário Estado da Administração Local, Dr. José Adelmo Gouveia Bordalo Junqueiro
- Secretária de Estado da Igualdade, Drª. Elza Maria Henriques Deus Pais
- Secretário de Estado da Defesa Nacional e dos Assuntos do Mar, Dr. Marcos da Cunha e Lorena Perestrello de Vasconcellos
- Secretário de Estado Adjunto e da Administração Interna, Dr. José Manuel Vieira Conde Rodrigues
- Secretário de Estado da Administração Interna, Drª. Maria Dalila Correia Araújo Teixeira
- Secretário de Estado da Protecção Civil, Dr. Vasco Seixas Duarte Franco
- Secretário de Estado da Justiça, Dr. João José Garcia Correia
- Secretário de Estado da Justiça e da Modernização Judiciária, Dr. José Manuel Santos de Magalhães
- Secretário de Estado Adjunto, da Indústria e do Desenvolvimento, Mestre Fernando Medina Maciel Almeida Correia
- Secretário de Estado do Comércio, Serviços e Defesa do Consumidor, Dr. Fernando Pereira Serrasqueiro
- Secretário de Estado do Turismo, Dr. Bernardo Luís Amador Trindade
- Secretário de Estado da Energia e da Inovação, Prof. Doutor José Carlos das Dores Zorrinho
- Secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural, Eng. Rui Pedro de Sousa Barreiro
- Secretário de Estado das Pescas e Agricultura, Dr. Luís Medeiros Vieira
- Secretário de Estado Adjunto, das Obras Públicas e das Comunicações, Dr. Paulo Jorge Oliveira Ribeiro de Campos
- Secretário de Estado dos Transportes, Dr. Carlos Henrique Graça Correia da Fonseca
- Secretário de Estado do Ambiente, Prof. Doutor Humberto Delgado Ubach Chaves Rosa
- Secretária de Estado do Ordenamento do Território e das Cidades, Dra. Fernanda Maria Rosa do Carmo Julião
- Secretário de Estado da Segurança Social, Mestre Pedro Manuel Dias de Jesus Marques
- Secretário de Estado do Emprego e da Formação Profissional, Mestre Valter Victorino Lemos
- Secretária de Estado Adjunta e da Reabilitação, Idália Maria Marques Salvador Serrão de Menezes Moniz
- Secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Dr. Manuel Francisco Pizarro Sampaio e Castro
- Secretário de Estado da Saúde, Dr. Óscar Manuel de Oliveira Gaspar
- Secretário de Estado Adjunto e da Educação, Prof. Doutor José Alexandre da Rocha Ventura Silva
- Secretário de Estado da Educação, Dr. João José Trocado da Mata
- Secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Prof. Doutor Manuel Frederico Tojal de Valsassina Heitor
- Secretário de Estado da Cultura, Dr. Elísio Costa Santos Summavielle
Lisboa, 28 de Outubro de 2009.
A Assessoria de Imprensa
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José Capitão Pardal
O investimento em “energias limpas” está na ordem do dia e os cidadãos interessam-se cada vez mais pelo tema, pelo que considero de interesse a divulgação deste artigo que consta do jornal “Público.pt” de 20090823.
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por Lurdes Ferreira
As zonas de Porto Alto, Trafaria, Setúbal, Évora, Alqueva, Estói e Portimão foram as escolhidas para acolher os primeiros projectos portugueses de inovação e demonstração de energia solar concentrada termoeléctrica e concentrada fotovoltaica.
A potência total a concurso é pequena – são 33,5 megawatts que equivalem a apenas 16 torres eólicas das mais recentes -, as condições são restritivas, mas os interessados não deverão faltar.
É a perspectiva de futuro que atrai entidades como a EDP, que já anunciou que vai avançar nesta área, ou o grupo Dreen, ligado às energias renováveis, que prepara uma parceria com a Águas de Portugal, como revelou ao PÚBLICO, para entrar no fotovoltaico de alta concentração.
Dos EUA à China, o momento é de grande entusiasmo no desenvolvimento das tecnologias solares concentradas, que se baseiam em grandes instalações de espelhos parabólicos, algumas delas a funcionar há vários anos.
Símbolo desta nova vaga é o mega projecto Desertec, o consórcio liderado por grupos alemães que quer aproveitar o sol do deserto do Sara para produzir energia eléctrica que seja suficiente para satisfazer 15 por cento do consumo dos europeus e transportá-la ao longo de dois mil a três mil quilómetros.
Em Portugal, não são grandes centrais que o Governo quer promover, mas pequenas unidades de inovação e demonstração que possam entrar na geração tecnológica posterior à que será usada no arranque do Desertec, e que, sendo tecnologias afins, se encontram ainda hoje em etapas anteriores de desenvolvimento, explica Manuel Collares Pereira, vice-presidente da Dreen e professor catedrático do IST.
As inovações mais esperadas desta tecnologia passam pela possibilidade de armazenamento de energia e pelos tipos de espelhos parabólicos.
Assim, na opinião deste investigador, o país pode “apanhar a leva seguinte”.
A estreia portuguesa confina-se para já às zonas com grande exposição solar e onde há mais disponibilidade da rede eléctrica para receber energia.
Serão aprovados um máximo de 14 projectos “com forte componente de investigação e desenvolvimento tecnológico”, em função de três critérios, o mais restritivo dos quais é a valorização de parcerias com entidades com carreira nestas tecnologias, as quais não existem em Portugal.
Os outros dois são a ligação às universidades com relevância na área da energia solar e a eficiência energética associada ao projecto.
Os projectos vencedores terão ligação à rede eléctrica e uma tarifa subsidiada, a definir por portaria.
Espaço é bem escasso
Ao impulso à geração descentralizada, acessível a pequenos produtores/consumidores e designada por micro produção, parece suceder agora, a nível mundial, a aposta na produção de electricidade a partir de grandes centrais termoeléctricas concentradas que funcionam através do “velho” circuito fechado de água (ou de um fluido), mas em vez de ser com carvão ou gás natural é com a energia do sol.
As gigantescas centrais de painéis solares térmicos de concentração previstas no projecto Desertec deverão funcionar igualmente com vapor de água, de acordo com a informação disponível.
Se a investigação em Portugal se destinar a ser usada, no futuro, no deserto, “é uma boa ideia, se não, não serve”, defende Manuel Ferreira dos Santos, um dos dirigentes da associação ambientalista Geota, por considerar que não há ganhos garantidos de eficiência que tornem esta produção de energia mais barata (é cerca de três vezes mais cara do que a eólica) e por necessitar de muito espaço, um bem escasso no país.
Quando estiver a funcionar em cruzeiro, o projecto Desertec ocupará uma área do Sara equivalente à dos 18 municípios da Área Metropolitana de Lisboa. As consultoras não sabem ao certo quanto dinheiro se dirige neste momento para o desenvolvimento destas tecnologias, estando o bolo mais apetitoso, de 787 mil milhões de dólares, a ser distribuído pelo Governo dos EUA para as tecnologias limpas.
E não é por acaso que nos EUA se ouve dizer agora: “Estamos a vender solar à maluca, em Houston.” São palavras de John Berger, responsável da empresa de serviços energéticos Standard Renewable Energy, citado há alguns dias pelo Financial Times.
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José Capitão Pardal
Nunca condicionantes tão decisivas para a nossa economia, estiveram tão intimamente ligadas, nos tempos globais que decorrem, como estes dois (endividamento externo e potencial hidroeléctrico).
Sabendo que a nossa dependência energética, contribui com mais de 50%, para o endividamento externo, não é difícil concluir que a aposta, nas respostas e no investimento no sector energético é de uma crucial importância, para a redução desse endividamento.
Sobre o assunto deixo-vos para todos o texto de Glória Rebelo.
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2009-07-11
Em Portugal, desde 2006 – altura em que o Governo apresentou um conjunto de propostas para a área da energia previstas no Plano Tecnológico e na Estratégia Nacional para a Energia – que, assumindo que o sector energético representa um dos domínios prioritários de I & D em Portugal, têm emergido novas medidas estruturantes no campo energético nacional.
Estruturantes, dado que procuram reduzir a dependência energética nacional e, consequentemente, reduzir o endividamento externo do país.
De facto, se a energia é, simultaneamente, um importante factor de crescimento da economia e um elemento vital para o desenvolvimento sustentável de qualquer país, a verdade é que o endividamento externo é já um mal crónico em Portugal.
E parte desse problema está estreitamente associado à dependência energética do país, dado que cerca de 50% desse endividamento se devem à compra de petróleo ao exterior.
Ora, reforçar o investimento no sector energético e planear a diversificação da oferta de fontes de energia alternativas ao petróleo é, como se sabe, e sobretudo no actual contexto económico, um desafio incontornável.
Portugal apresenta, como é reconhecido internacionalmente, um enorme potencial nas áreas da biomassa, da energia eólica, solar ou das ondas. Mas importa não ignorar a importância da energia hidroeléctrica.
E quando a escassez de petróleo pode, a prazo, ameaçar as economias mais dependentes deste combustível, a aposta neste tipo de energia – através do Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico 2007-2020 – e no fortalecimento da capacidade energética das barragens e de produção hidráulica será crucial para um crescimento sustentável em Portugal.
Por diversos motivos. Em primeiro, porquanto as centrais eléctricas e as barragens permitem produzir electricidade a um custo comparativamente muito baixo, sendo a energia hidroeléctrica um bom meio de fazer face a picos de consumo. Depois, porque é um meio de desenvolver parte das energias renováveis e de diversificar o portfólio energético do país. Por fim, pelo impulso que pode significar para a agricultura nacional, criando condições para o desenvolvimento do regadio.
Daí que apostar em projectos como o Regadio da Cova da Beira, o segundo maior aproveitamento hidroagrícola em construção em Portugal – reforçado em Junho último com a adjudicação dos dois novos blocos da Covilhã e do Fundão – com conclusão prevista para 2010 e que servirá mais de 12 mil hectares de terrenos, seja fundamental para a economia portuguesa.
O tempo é também, pois, de reforçar infra-estruturas e de explorar novas oportunidades para relançar a economia e criar emprego.
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José Capitão Pardal
António Costa
07/08/09 00:10
Numa entrevista exclusiva ao Diário Económico, Luís Figo fala dos seus negócios, da situação do país e faz uma “avaliação muita positiva” do trabalho do Governo de Sócrates nos últimos quatro anos.
O Luís Figo é uma marca mundial. O país tem aproveitado bem essa marca?
Poderíamos ficar aqui horas a falar sobre isso… Eu tenho a sorte de praticar um desporto popular, que mobiliza milhões e que chega a todo o mundo, tenho também a sorte de ser conhecido em todo mundo, mas não falo no meu caso particular.
Realmente, poderíamos associar os nossos melhores produtos, aquilo em que somos fortes, à imagem do país.
Acho que isto poderia ajudar a mostrar o país, mas acho que, muitas vezes, não há uma estratégia de divulgação daquilo que fazemos bem. Poderíamos chegar ao consumidor internacional de forma muito mais eficaz se houvesse uma estratégia de publicidade e marketing correcta. Muitas vezes, aposta-se em outros caminhos, as vezes até em personalidades estrangeiras. De qualquer maneira, lembro-me de que no ano passado, salvo erro, houve uma primeira campanha de divulgação internacional dos nossos valores, como a Marisa, a Joana Vasconcelos, etc.
Acho que foi uma boa iniciativa que devia ser repetida mais vezes.
Que apostas deveriam ser feitas?
Uma das apostas de futuro do país e do seu desenvolvimento deve ser claramente nos nossos produtos e nas nossas pessoas, no vinho do Porto, na Cortiça, no Turismo, nas Energias renováveis.
Temos de enaltecer e publicitar de forma mais agressiva o que temos e fazemos, mas fora do país, porque cá dentro nós sabemos o que temos e fazemos.
Portugal pode equiparar-se a Espanha ou a Itália, podemos oferecer tudo o que os outros oferecem.
Como é que vê hoje o país?
Portugal tem feito um caminho… foram feitos investimentos importantes em infra-estruturas nos últimos anos, a aposta nas energias renováveis é também muito importante, hoje e no futuro, mas acabámos por ser apanhados pela turbulência do sistema financeiro que abalou o país.
Mas, acho que, pouco a pouco, o país tem feito um caminho de desenvolvimento, por exemplo na educação e nas novas tecnologias, por isso, parece-me que este trabalho tem de ser continuado nos próximos anos…
Faz uma avaliação positiva deste governo?
Ainda há muita coisa a fazer, mas, visto de fora, faço uma avaliação muita positiva do trabalho deste Governo nos últimos quatro anos.
No momento em que estamos com as eleições à porta, é preciso garantir a estabilidade e continuidade das decisões que foram tomadas, para que a entrada de um novo governo não signifique que se começa tudo outra vez do início.
Não é positivo para o país estar sempre a mudar de rumo e de opções e é sempre necessário algum tempo para as coisas produzirem efeitos.
No seu entender, era desejável que o actual governo ganhasse as eleições legislativas?
A implementação de algumas opções políticas não se faz em quatro anos.
As pessoas também têm a consciência que algumas das opções foram erradas, porque ninguém é perfeito, mas, havendo mais quatro anos de governação, esses eventuais erros podem ser corrigidos.
Aliás, sou defensor de governos com dois mandatos para podermos avaliar a governação.
Fica claro em quem vai votar no dia 27 de Setembro…
Sempre votei em pessoas e não em partidos políticos.
Eu vejo a energia de José Sócrates, a capacidade empreendedora, e espero que continue a ter essa capacidade de mobilizar o país.
Bem precisamos!
O que é deve ser, para si, uma prioridade do próximo Governo?
O desemprego é o nosso maior problema hoje, e temos de garantir que o país se desenvolve para diminuir essa taxa de desemprego.
É verdade que é um problema mundial com a actual crise, mas isso não diminui a responsabilidade do Governo.
Depois deve apostar em cursos profissionalizantes, em vez dos habituais. São esses cursos que podem dar as melhores ferramentas as pessoas que querem trabalhar, os cursos clássicos não tem saída. Temos demasiados doutores, e cada vez mais desemprego.
É preciso mudar de mentalidades, não temos todos de ser doutores, temos é de fazer bem aquilo que sabemos fazer! Em termos de prioridades, o foco deve ser o aumento do salário mínimo.
O caminho que foi feito foi positivo, mas temos de continuar a aumentar aqueles cujos salários são mais baixos.
Isso vai, de certeza, ajudar a economia, porque as pessoas têm mais capacidade para consumir, além de contribuir também para credibilizar os órgãos políticos aos olhos dos cidadãos, porque as pessoas estão a deixar de acreditar nos políticos e no que dizem.
É uma questão, se quiserem, de justiça social.
Depois, como já disse, é preciso apostar naquilo em que somos bons, incentivar a exportação desses produtos, além de melhorar, pouco a pouco, os pontos mais focados pelos cidadãos, boas condições de acesso à saúde e à educação. Por exemplo, é necessário ajudar as famílias numerosas.
Fundação Luís Figo ainda à espera do estatuto de utilidade público
Luís Figo tem outra prioridade na sua vida, a Fundação que tem o seu nome. “Olhe, a fundação foi criada em 2003, mas ainda não temos o estatuto de utilidade público, por isso, não se pense que fizemos a fundação por razões de ordem fiscal.
Nos primeiros cinco anos, tivemos vários mecenas, a começar por mim, que sou o presidente da Fundação, a Coca-Cola, o BPN e a Galp, esta última, como parceira não-financeira, e nenhum de nós teve qualquer tipo de benefício”.
Os projectos que a fundação desenvolveu nos últimos anos enchem-no de orgulho, que se percebe em cada palavra. “Com um esforço financeiro destes mecenas, começamos com um projecto de apoio a jovens de diferentes modalidades, ténis, motor e atletismo, e com o jogo anual All Stars, que continua e é a principal fonte de receita da fundação”.
“Hoje, apostámos em quatro eixos: saúde, desporto, educação e esperança, cada um deles com projectos próprios, financiados pelos orçamentos dos primeiros cinco anos da fundação e que corresponderam também ao período de contrato dos mecenas. Agora, o momento não é o melhor nem o mais adequado para arranjar novos parceiros financeiros, mas vamos utilizando as receitas desse jogo anual para garantir doações necessárias a várias instituições, desenvolver novas iniciativas”.
Figo garante manter uma preocupação: “O mais importante é sermos credíveis porque os portugueses são muito disponíveis para ajudar e apoiar os que estão em situação difícil, mas querem saber de que forma o seu dinheiro é utilizado.
E isso é muito importante para nós. Também por aquilo que já fizemos, hoje é mais fácil seduzir as empresas numa lógica de parceria. Além disso, a fundação tem um objectivo que é criar condições para o desenvolvimento e não simplesmente distribuir dinheiro.
Há aquele célebre ditado chinês: mais importante do que dar o peixe, é ensinar as pessoas a pescar. É isso que tentamos fazer na Fundação”.
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Após 20 anos de carreira, terminada em Maio, Luís Figo diz que se preparou para não ser obrigado a seguir um percurso em torno do futebol.
Luís Figo pôs fim à sua carreira futebolística como sonhava, num grande clube e com um título de campeão de Itália. Na primeira grande entrevista depois de abandonar o futebol, como não podia deixar de ser no Algarve, em Albufeira, a olhar para o mar, Figo não dá sinais de saudades da competição.
Figo descarta, pelo menos nos próximos anos, vir a ser treinador de futebol. Prefere, antes, dedicar-se aos seus projectos empresariais, além de manter uma ligação ao Inter na área das relações internacionais. Mas Figo afirma estar preocupado com o futuro do país e, por isso, acredita na importância da continuidade do trabalho de José Sócrates para um futuro melhor para os Portugueses e para Portugal.
O antigo jogador não foge a nenhuma questão, fala do sistema financeiro português e, até, de futebol Foi uma entrevista diferente de um jogador de futebol diferente.
O Luís Figo deixou este ano o futebol profissional. Está a ser um Verão diferente dos outros?
Até ao momento, está a ser um Verão normal, porque acabei a época como nos outros anos e passei umas semanas de férias, de descanso… Está a ser, no fundo, uma transição tranquila e, por isso, ainda não notei diferenças, pelo menos mentalmente.
Em Outubro ou Novembro é que lhe poderei dar uma resposta. Quando a competição começar a sério é que poderei sentir a nostalgia de não estar em competição.
Mas se conseguir estar ocupado, acredito que não vou sentir diferenças significativas em relação a uma actividade futebolística activa.
Tem acompanhado a pré-época?
Sim, em Portugal e no estrangeiro.
E tendo em conta os resultados da pré-época, qual é a sua aposta no campeonato português?
Face aos resultados da pré-época, o Benfica vai ser campeão (risos). O que conta é o resultado no final do campeonato, mas é um bom indício. É sempre bom para o futebol português que o campeonato seja disputado até às últimas jornadas e que os três grandes estejam envolvidos, porque isso garante maior emoção.
De qualquer forma, não deixo de gozar as minhas férias ou de fazer o que tenho a fazer diariamente para ver os jogos, ao vivo ou na televisão.
Sempre passou a imagem de que a sua vida não se esgota no futebol. Isso ajuda-o a passar esta fase?
Sim. Não vivia 24 horas a pensar em futebol nem estava dependente do futebol. Tenho outros gostos, outras preferências, e tive a preocupação de me preparar para o fim da carreira, para a necessidade de não ficar dependente do futebol depois de deixar de jogar.
Eu preparei-me ao longo destes anos para não ter de pedir favores a ninguém, nem estar obrigado a seguir uma carreira em torno do futebol, como treinador ou dirigente. Depois de tantos anos de sacrifícios, quero ser eu a decidir o que vou fazer, com liberdade para o fazer.
Se quiser ir para Espanha, vou, se quiser ir para Itália, vou. Se quiser dedicar-me à agricultura, posso. Numa palavra, liberdade.
Acabou a carreira como queria?
Qualquer jogador quer ser eterno, manter-se a jogar para sempre, estar sempre no auge. Ao mesmo tempo, temos de ser realistas e, por isso, decidi que queria terminar em alta, num grande clube e a ganhar títulos, queria sair com um bom sabor na boca, em vez de acabar a carreira numa equipa de segundo nível ou lesionado..
E conseguiu…
Tive sorte e lutei por isso. No futebol, nunca se sabe quem ganha um campeonato, as vitórias são imprevisíveis, por isso, foi ainda mais importante sair com o título de campeão de Itália.
Posso revelar que, há dois anos, estive para pôr fim à carreira, mas depois tive a infelicidade de me lesionar no fim da temporada e pensei: estou há quinze anos a jogar futebol de alto nível, por isso seria terminar a carreira com um mau sabor na boca, terminar desta forma, lesionado. Então, decidi jogar mais uma temporada para terminar de outra forma.
E José Mourinho chegou ao Inter no último ano…
Sim, depois, tive a sorte de encontrar o Zé [José Mourinho] e isso foi também um estímulo acrescido, foi, de certa forma, a renovação da ambição para poder ter uma nova experiência em termos profissionais. E foi uma experiência maravilhosa, apesar dos problemas físicos que tive no início do ano…. mas antes no princípio do que no final do campeonato, outra vez.
Ainda não se arrependeu dessa decisão?
Não, não me arrependi. Este ano, a única possibilidade que admiti foi ter uma nova experiência de vida nos Estados Unidos, especialmente por causa da minha família, particularmente para as minhas filhas, que estudam num colégio britânico e poderiam ter a oportunidade de praticar a língua inglesa.
Essa possibilidade está em cima da mesa?
Neste momento, não, porque as opções não eram para as cidades que eu queria e, depois, porque o período de contrato que me foi proposto não estava de acordo com o calendário escolar das minhas filhas.
Está preparado para a ressaca do estrelato?
Estou… estou preparado, porque não vivo nem vivi do estrelato, vivo do que produzi em termos profissionais e não da notoriedade.
Agora, como é que é o seu quotidiano?
O meu quotidiano vai ser ocupado. Não me vejo a estar em casa, sem fazer nada. Tenho, em primeiro lugar, as minhas obrigações familiares e, depois, terei a oportunidade de me envolver em áreas de que gosto. Estarei, também, ligado ao Inter nos próximos dois anos na área das relações internacionais, apesar de ficar a viver em Madrid.
Admitiu a hipótese de ser candidato à Federação Portuguesa de Futebol e nunca pôs em cima da mesa a possibilidade de ser treinador…
…Isso não significa que, dentro de quatro ou cinco anos, não possa vir a ser treinador, não sei. No curto prazo, acho que a carreira de treinador é muito mais exaustiva e dependente de outras pessoas do que a de jogador. O jogador treina, trabalha e vai para casa, enquanto o treinador é um escravo da profissão.
Foi a cara do BPN e é cliente do BPP. Figo diz-se surpreendido pelos casos e espera um final feliz.
Foi a cara do BPN. Era accionista do banco?
Eu nunca fui accionista do BPN, fui, apenas, a cara do banco em campanhas de publicidade e, nessa altura, obviamente, também cliente.
Foi surpreendido com os problemas do BPN?
Quem é que ia imaginar que um banco poderia cair na situação em que o BPN caiu? Os portugueses confiavam nas instituições bancárias, e eu não fugia à regra. Se não temos confiança no sistema financeiro, estamos mortos…
Tem confiança no sistema financeiro?
Tenho confiança na justiça, apesar de pensar que é necessário mudar o sistema para acelerar as decisões judiciais. Enquanto cliente, não me passava pela cabeça que um banco poderia cair, mesmo com uma crise económica grave.
Tendo sido a imagem do BPN, prejudicou-o o que aconteceu? Sentiu-se enganado?
O que é que eu poderia fazer? Fui contratado para promover o BPN, mas não tinha nada a ver com a gestão do banco, por isso, não acredito que possa ser prejudicado pelo que aconteceu. Ainda para mais, era um banco com uma rede de balcões importante no país e, além disso, sempre fui muito bem tratado, inclusive pelo presidente, Oliveira e Costa. Falava bem com ele [Oliveira e Costa], por isso, fui surpreendido, logicamente.
Se quiserem, olhando para trás, a única coisa que posso lamentar é ter dado a cara por um projecto que provou que não merecia a confiança que as pessoas depositaram nele. Mas é evidente que a minha boa fé me levou a acreditar na seriedade dos responsáveis do Banco!
Porque é que moveu um processo judicial ao BPN?
Basicamente, estão desde há dois anos em falta com o pagamento do contrato de imagem que assinaram comigo e que termina em 2009. Não era necessário que as coisas se tivessem degradado ao ponto de ter que mover um processo judicial. Tentei conversar com os responsáveis do banco, mas nem sequer se preocuparam em dar uma explicação, uma resposta, em devolver as chamadas. Afinal de contas, não sou eu que estou em dívida com o banco. Foi uma falta de consideração e respeito.
Apesar desta experiência, mantém a confiança no sistema financeiro nacional?
Não perdi a confiança, mas digo-lhe, para uma pessoa que vê de fora, a partir de Itália ou de Espanha, o que aconteceu em Portugal, nomeadamente no BPP, não foi nada positivo para o sistema financeiro. Especialmente porque as coisas se arrastam no tempo sem solução, porque não são dadas explicações aos clientes e isso é o mais grave!. É verdade que, infelizmente, houve situações idênticas em outros países, mas naturalmente o que mais me preocupa é o que se passa em Portugal.
É cliente do BPP?
Sou, e também de outros bancos portugueses, dos quais sou cliente e com os quais faço as minhas operações. No caso do BPN, foi tomada uma decisão, mas no caso do BPP não, e é urgente que seja, porque as contas dos clientes não podem continuar congeladas. Nos últimos meses, vários amigos perguntaram-me o que está a suceder nos bancos portugueses. E, ao contrário do que dizem, o BPP não é um banco dos ricos, há de tudo, como em todos os bancos.
Conheço várias pessoas que amealharam as suas poupanças durante uma vida, que têm pequenos negócios, e que passam hoje por grandes dificuldades, enquanto os três ou quatro responsáveis pela situação a que se chegou continuam a viver ‘à grande’. Considero extremamente negativo que um banco vá à falência em Portugal.
“Gosto de dinheiro, não sou hipócrita”
Como é que lida com o dinheiro?
Muitas pessoas acusam-me de gostar muito de dinheiro, mas, pergunto, quem não gosta? Eu digo que gosto porque não sou hipócrita, mas quem não gosta? Você não gosta? A minha primeira e principal preocupação é precaver o futuro da minha família, garantir a estabilidade e o conforto da minha família. Depois, gosto de economia e de negócios, mas acho que isso está no sangue de cada um. Há gente que gosta de estar tranquila, de viver dos rendimentos, outros não. Eu gosto de estar ocupado com projectos e negócios.
Gostar de dinheiro significa ser forreta?
Não, gostar de dinheiro significa ter a noção de que custa ganhar, está a perceber? E eu tenho a noção de que me custou muito, muito, muito aquilo que consegui. E significa transmitir essa noção às minhas filhas, que ainda são pequenas para perceber isto. A mais velha, com dez anos, começa agora a fazer perguntas e a perceber a moeda que se usa. Queremos incutir às nossas filhas, eu e a minha mulher, a responsabilidade e a noção de que as coisas têm o seu valor, não caem do céu. Temos muitas vezes de lhes dizer ‘não’ e de explicar porquê.
Então, onde é que investe o seu dinheiro?
O primeiro dinheiro que ganhei serviu para comprar uma casa para os meus pais. Era um investimento mais seguro, e continua a sê-lo.
As suas ambições ultrapassam o investimento em imobiliário?
Sim, tenho feito alguns investimentos em outras áreas, algumas aplicações financeiras, na restauração e na hotelaria, designadamente no Suites Alba Resort & Spa, aliás, gostaria de investir numa cadeia de hotéis. Tenho, também, um investimento na área dos vinhos, na D+D (‘Douro&Duero), no Douro.
Qual é o negócio que lhe consome mais atenção e que lhe dá mais gosto?
Eu gosto de investir em ‘real estate’ [imobiliário], fundamentalmente em Itália, Espanha e Portugal. Mas, neste momento, estou em processo de contenção, por causa da crise económica e até por causa das eleições. De qualquer forma, a crise não está a ser tão forte em Portugal como em Espanha, a nossa economia tem sobrevivido bem a esta crise mundial, mas é uma bola de neve. As pessoas ouvem falar em crise, deixam de consumir e, depois, é lógico que isso afecta a economia em geral.
E projectos em novas áreas?
Neste momento, tenho em vista uma aposta na energia renovável, a área da energia solar, no Alentejo. O país tem investido muito nas renováveis, e bem, e o potencial da energia solar é enorme.
O futuro de Figo pode passar pela Federação, mas isso estaria dependente de mudanças no futebol nacional.
O futebol português está bem?
Vendo de fora, acho que o futebol português tem de se preocupar em formar jogadores para poder consolidar os seus clubes, excepção feita às equipas que jogam na Liga dos Campeões, como é o caso do Porto, que têm mais receitas e, por isso, podem investir mais. Caso contrário, os clubes acabam por endividar-se e, no prazo de quatro ou cinco anos, passam a ser controlados pelo sistema financeiro.
É isso que está a acontecer?
Não sei, porque não estou por dentro da realidade dos clubes… mas existe esse risco.
Aí, o Porto é um caso à parte, não é?
Eu acho que o Porto pode estar um bocadinho à frente dos outros clubes, especialmente pela experiência que ganhou na Liga dos Campeões e pela forma como gere esses interesses.
Em Portugal, há três modelos: o Porto vende bem, o Sporting forma bem e o Benfica tenta fazer um pouco de tudo e, por isso, acaba por ter mais dificuldades…
À vista, é o que sucede.
Está a viver no estrangeiro há muitos anos. Como é que o futebol português é visto no estrangeiro quando surgem tantos casos judiciais?
As notícias do futebol português que chegam ao estrangeiro não são assim tantas, por isso, quando existem é por causa de algum resultado desportivo fantástico ou por notícias mais preocupantes, como as relacionados com os problemas de que fala. Mas é bom não esquecer que esse tipo de casos existe em todos os países. Não vamos destacar em excesso algo que sucede em todos os países. O importante é ter vontade de os resolver e de evitar que eles se repitam no futuro.
Porque é que admitiu candidatar-se à Federação? O futebol português precisa de mudar e considera que pode contribuir para essa mudança?
O futebol português tem de mudar e isso depende do reforço do poder da federação. Ainda recentemente, foi levada à discussão mudanças dos estatutos e essas mudanças não foram aceites. Neste momento, o futebol português depende de quatro ou cinco associações distritais e eu não concordo com isso, considero que o poder deve estar concentrado num órgão, que é a Federação.
Como é que se consegue isso?
O Governo tem de ter um papel importante nesta mudança, porque nos outros países, são as federações a mandar. Porque é que em Portugal continuamos a depender das associações mais fortes? Qualquer que seja, neste momento, o projecto da direcção da Federação, esbarra sempre nas decisões das associações. Mas, é o que eu digo, há muitos interesses e quando há muitos interesses há muitos conflitos.
Neste quadro e com esta organização, não está disposto a candidatar-se?
Neste modelo, não faria sentido porque seria só uma cabeça de cartaz e eu não estou disponível para isso. Para ser uma cara, fico em casa.
Faz uma avaliação positiva do trabalho de Gilberto Madaíl?
Eu faço uma análise positiva. Foi o presidente que nos levou às fases finais dos europeus e dos mundiais. Ao contrário do que, por vezes se disse, eu tenho um bom relacionamento com o presidente da federação. Em alguns pontos, estávamos em desacordo, porque Madaíl defendia os interesses da Federação e eu, como capitão da Selecção, tinha que defender os interesses da equipa. De qualquer forma, não me pronuncio sobre a federação, até porque existe um presidente e, por isso, não vou passar por cima de ninguém para ser candidato.
Se a oportunidade surgir e eu verificar que há condições para implementar as mudanças que entendo devem ser feitas, então, aí, podemos voltar a falar.
Não vai candidatar-se contra Gilberto Madaíl?
Não, não. Nunca me vou candidatar passando por cima de outras pessoas, porque não faz parte da minha forma de estar. Nunca me candidataria contra ninguém, mas sim em função de uma ideia, de um projecto. O tempo o dirá, em função dos estatutos e das minhas ideias para o futuro do futebol português.
Seria muito grave falhar o apuramento para o mundial
Admite a possibilidade da Selecção Portuguesa falhar o apuramento para o Mundial?
Eu sou bastante realista, gosto de sonhar acordado… Neste momento, é uma das possibilidades.
Isso seria um cataclismo para o futebol português?
Eu acho que seria extremamente negativo. Primeiro, para os jogadores, depois, para a imagem do futebol português, finalmente, para a própria Federação. Ainda mais importante, se Portugal não conseguir o apuramento, vai quebrar-se um ciclo consecutivo de apuramentos para as fases finais. De um momento para o outro, perderemos esse prestígio, até uma relação de amor que existe – e espero que se mantenha – com os portugueses. Esta foi uma das grandes conquistas dos últimos anos e, se perdermos isso, perde-se tudo.
O que é que está a falhar?
Os jogadores são praticamente os mesmos relativamente à última classificação. Não sei o que está a falhar, não sei. Eu não gosto tecer considerações avulsas, de opinar sem estar por dentro das situações. A única coisa que me preocupa é a credibilidade da selecção junto das pessoas, porque sei que é muito difícil de ganhar e muito fácil de perder. Uma das maiores dificuldades da minha geração foi ganhar o respeito e o apoio dos portugueses, porque isso depende dos resultados e demora anos. Além disso, ganhámos também o respeito, que não existia, de outras selecções, e isso não pode perder-se.
Não é possível rentabilizar uma transferência com a venda de camisolas
O futebol está sobrevalorizado pela sociedade?
Do meu ponto de vista, está, especialmente pelos interesses financeiros que gera, isto é, por causa do valor das transferências de jogadores, o que torna a recuperação do investimento muito difícil ou mesmo impossível. O futebol é uma realidade com muitos interesses, quer em termos financeiros, quer em relação às expectativa e emoções dos adeptos e, por isso, do meu ponto de vista, a sobrevalorização que pode haver dos jogadores e do futebol pode ser prejudicial, mas só o tempo poderá responder a essa pergunta.
Porquê?
O futebol produz tantas emoções que as pessoas, os adeptos, esquecem os problemas financeiros, o que um jogador custa. Se um presidente de um clube apresentar um jogador fantástico, a primeira preocupação dos sócios e adeptos não é o estado de saúde financeira do clube, porque são levados pelas emoções clubísticas.
O futebol também se joga muito neste campo, não há grandes preocupações de curto prazo, apenas a gestão das emoções e a conquista de títulos, que é aquilo que conta. E os problemas surgem depois, passados anos.
Não acredita na rentabilização de um jogador que custa o que custou, por exemplo, Cristiano Ronaldo?
Devo dizer-lhe que, se fosse presidente de um clube, venderia todos os jogadores, fossem eles quem fossem, por um valor acima dos 30 milhões de euros. E, caso fosse presidente de um clube comprador, poderia pagar eventualmente por um, mas não pagaria por quatro ou cinco, como está a suceder em alguns clubes.
Eu não sou economista, mas parece-me enganador tentar, não digo confundir, mas garantir aos adeptos e sócios de um determinado clube que é possível rentabilizar uma transferência de 50 milhões de euros com a venda de camisolas…
Não se rentabiliza?
Não, isso é uma loucura. Eu não sou economista, mas expliquem-me como é que é possível, como é que um clube recupera cinquenta milhões com a venda de camisolas. Até porque a maior percentagem da venda das camisolas vai para os patrocinadores e apenas uma pequena fatia para os clubes. Isso é que eu não entendo, e gostava que me explicassem.
“Ronaldo não me pediu conselhos”
Que conselhos deu a Cristiano Ronaldo, já que passou, em 2000, por uma experiência semelhante, também no Real Madrid?
Não dei conselhos, desde logo, porque isso não se proporcionou. Mas creio que ele sabe a dimensão do clube a que chegou e a pressão que representa esta mudança, desde logo pelo valor da transferência. Não gosto de me meter na vida de ninguém. Nem devo. É evidente que se o Ronaldo quiser algum conselho meu em relação a alguma questão mais específica, não tenho nenhum problema em faze-lo.
Das cidades em que jogou, Madrid é a mais difícil para um jogador?
É a mais exigente, sem dúvida, porque os adeptos querem sempre ganhar e, ao mesmo tempo, ver bom futebol. A equipa pode ganhar 4-0, mas se não jogar bem, as pessoas não aplaudem… estão habituadas a bom futebol desde o Di Stefano.
Vai ser esse o principal desafio de Cristiano Ronaldo?
Ronaldo vai ter dificuldades por causa desta exigência, mas principalmente, repito, pelo valor da transferência. É algo que o vai perseguir nos tempos mais próximos.
“O melhor treinador que tive foi Cruift”
Qual foi o momento mais importante da sua carreira?
É muito difícil escolher um momento ao longo de tantos anos, há tantos… mas acho que foi o primeiro contrato de profissional com o Sporting…A primeira marca é sempre a mais duradoura.
…provavelmente, muitos esperariam a escolha de um golo ou de um título?
O primeiro contrato foi o momento da transição, o momento em que tinha de escolher entre o futebol e os estudos. Aí, percebi e senti que teria uma oportunidade no futebol profissional.
E qual foi o clube que mais o marcou?
O Sporting marcou-me pela formação, aprendi muito naquela casa em dez anos, e encontrei pessoas que ainda hoje estão no clube. O Barcelona foi o meu primeiro clube no estrangeiro, foi onde fiz a transição de adolescente para adulto, o Real Madrid deu-me uma projecção mundial e o Inter foi o clube familiar que acreditou em mim, apesar de já ter passado dos 30 anos. Tenho um relacionamento fantástico com o presidente, Massimo Morati, que é uma pessoa única, não é uma pessoa do futebol e o futebol precisava de mais pessoas como ele. Além disso, fiz laços muito apertados com os adeptos do Inter durante os quatro anos de contrato e identifiquei-me muito com o clube, daí, aliás, continuar ligado a ele.
José Mourinho não tem esse perfil familiar?
Ele [Mourinho] é um vencedor, adapta-se aos clubes onde está, às causas impossíveis, e quer ganhar sempre…
…foi o melhor treinador que teve?
Foi dos melhores, especialmente no gozo de treinar todos os dias, foi uma experiência fantástica. Mas continuo a dizer que o melhor treinador que tive foi Joan Cruift, pelos seus métodos de trabalho. Tive a sorte de trabalhar com ele em Barcelona e foi ele, aliás, um dos motivos que me levou a assinar pelo clube. Talvez por ter sido o primeiro treinador que tive no estrangeiro, influenciou-me muito. Cruift deixou de treinar há dez anos e continua à frente de muitos treinadores, dez anos à frente. Obviamente, Carlos Queirós também me marcou muito, quase toda a vida na selecção, acompanhou-me em toda a carreira.
Os jogadores precisam de ser geridos com chicote?
Não, o mais difícil e essencial é gerir uma equipa. A grande arma dos treinadores, hoje, é saber gerir um plantel, garantir um bom ambiente de trabalho. Hoje, todos os treinadores têm um preparador físico, todos dominam as tácticas e as metodologias de treino, mas nem todos sabem gerir. Neste sentido, um grande treinador foi Vicente del Bosque, que não tinha um ar sofisticado, mas que ganhou tudo.
Mas, como se gere uma equipa de estrelas, como foi a do Real Madrid em que esteve ou a actual?
O treinador tem de ter a capacidade de dizer não e de cortar com o mal pela raiz quando se justifica, para garantir a estabilidade da equipa. Mas acho que as coisas funcionam quando os jogadores são contratados em função das necessidades da equipa e quando se sacrificam em prol da equipa. Quando os jogadores são contratados com outros fins, o sucesso é muito mais difícil.
“Não vou a casa de quem não me convida”
É sportinguista?
Sou, mas não sou fanático. Sou sportinguista, mas penso de forma diferente do habitual. Dou-lhe um exemplo, sobre o qual nunca falei: muitos criticaram-me por ter festejado um golo do Inter contra o Sporting. É verdade, sou sportinguista e quero que o clube tenha sucesso, mas, primeiro, sou profissional e devo esse profissionalismo ao clube que me paga. Perguntam-me, és do Sporting ou queres ganhar? Quero ganhar.
Mesmo contra o Sporting?
Mesmo contra o Sporting, eu quero ganhar. Mas não deixo de ser do Sporting por causa disso. E há muitas pessoas que não entendem isso. Essas pessoas dizem que não sou do Sporting porque festejei um golo, então, deveria fazer de propósito para falhar esse golo? Se eu gostasse tanto do meu clube em relação ao clube onde jogo, em vez de marcar um golo, deveria mandar a bola para fora, não é? Isso é uma hipocrisia.
Porque é que nunca admitiu acabar a carreira no Sporting, como sucedeu com outros jogadores da sua geração, no Porto e no Benfica?
Eu nunca vou a casa de uma pessoa ou a uma festa sem ser convidado. Eu não sei se as pessoas fazem isso, mas eu não faço…
E se fosse?
Se fosse, avaliava a situação, avaliava os prós e os contras e decidia. Mas como não houve convite nenhum, não me posso oferecer. Primeiro, porque sou orgulhoso, depois porque não me cabia a mim fazer esse convite.
Luís Figo protagonizou no Verão de 2000 a mais cara e mais turbulenta transferência do mundo até então. De Barcelona para Madrid, Figo passou de figura de primeira linha e dos mais acarinhados jogadores catalães para o símbolo da nova força do Real Madrid.
Hoje, nove anos depois, Figo recorda a telenovela e revela episódios nunca contados de uma transferência de 61,7 milhões de euros. A primeira pessoa a saber da assinatura do contrato com o Real foi a sua mulher, Helen Svedin.
“Viajei de avião para Lisboa, e dirigi-me ao escritório do José Veiga. Quando cheguei e entrei na sala, estavam cerca de dez pessoas à volta de uma mesa, todos a tentaram convencer-me a assinar naquele momento. Foi, então, que telefonei à minha mulher e disse ‘já está, pronto, sou do Real Madrid’. Já não regressei a Barcelona”.
Foi no dia seguinte às eleições do Real que deram a vitória a Florentino Perez, a 17 de Julho de 2000, segunda-feira. No mês anterior, Luís Figo foi deixando saber ao então presidente do Barcelona,. Luiz Nuñez, que tinha clubes interessados na sua contratação e que estavam dispostos a pagar a cláusula de rescisão.
“Eu decidi, na altura, confrontar o presidente do Barcelona, essencialmente pela forma como estava a reagir à minha proposta. Na altura, a Lazio estava disponível para pagar a minha cláusula de transferência e, por isso, comuniquei-lhe que tinha uma oferta e que, por isso, teria de rever as minhas condições e equipará-las às melhores praticadas no clube”, recorda Figo.
Figo foi para o campeonato da Europa sem o seu futuro decidido. E foi por essa altura que surgiu a possibilidade de vestir a camisola do Real. “Estava no campeonato da Europa na Holanda e as coisas estavam a correr bem.
Houve, entretanto, a possibilidade de um dos candidatos à presidência do Madrid, Florentino Perez, me contratar e eu voltei a comunicar ao presidente Nuñez que existia essa proposta. Nessa altura, eu não queria sair do Barcelona, apenas queria que reconhecessem a minha qualidade, e ele limitava-se a dizer que iria esperar pelo pagamento da cláusula de rescisão”.
“Todo o meu processo de transferência para Madrid foi caricato. Depois do Europeu, estive de férias no Algarve e, depois, voei para a Sardenha com a minha família e, nessa altura, ainda não tinha decidido o que fazer, porque, por esses dias, realizavam-se eleições nos dois clubes. Num desses fins-de-semana, tinha à minha porta vários intermediários a tentarem convencer-me a assinar pelo Madrid e alguns deles a chorarem à frente da minha mulher, porque tinham assumido compromissos em meu nome que, se não fossem cumpridos, teriam um custo elevado e a pagar do bolso deles”, diz, hoje com um sorriso.
“O candidato concorrente ao presidente Nuñez, Joan Gaspart, queria que eu continuasse, mas não confiava nas promessas que me fazia. Finalmente, Florentino Perez ganhou as eleições no Real Madrid [a 16 de Julho], e eu assumi a responsabilidade de concretizar o que o José Veiga tinha acordado nas semanas anteriores”.
Figo esperou pelo resultados das eleições no Real Madrid e decidiu, naquele dia, assumir a responsabilidade de chocar o mundo futebolístico. “Viajei de avião para Lisboa no dia seguinte às eleições, segunda-feira, e dirigi-me ao escritório do José Veiga. Quando cheguei e entrei na sala, estavam cerca de dez pessoas à volta de uma mesa, todos a tentaram convencer-me a assinar naquele momento. Foi, então, que telefonei à minha mulher e disse ‘já está, pronto, sou do Real Madrid’. Já não regressei a Barcelona”.
Luís Figo garante que nunca se arrependeu do passo que deu. “Nunca me arrependi de mudar para o Real Madrid, foi uma decisão difícil, porque tinha de começar tudo de novo, mas também era um grande desafio e, felizmente, consegui vencê-lo”.
Luís Figo regressou na época seguinte a Barcelona, com a camisola do Real, e, como recorda, foi um momento difícil. “Fui o único jogador a ser assobiado por um estádio com mais de 120 mil pessoas”. Depois, regressou a Barcelona a título privado, para o nascimento da filha de Pepe Guardiola, que considera “irmão”. “Foi das pessoas que mais me ajudou em Barcelona, e a nossa amizade é para sempre, independentemente de tudo o resto”.
Figo continua a ter muitos amigos em Barcelona, mas há outro factor que o mantém chegado à cidade. “Tenho uma filha catalã, e gostava que ela visse e conhecesse a cidade em que nasceu”.
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José Capitão Pardal


