MOTIVAÇÃO PARA ESTA PÁGINA

Esta página pessoal não tem uma pretenção especial, mas tão só dar-me a conhecer e intervir em sociedade.

Intervir e divulgar: a minha forma de pensar (política inclusive), o meu percurso pessoal, as minhas viagens, notícias, factos, imagens e textos (meus ou de terceiros) que considere relevantes e tudo o mais, que achar conveniente.

 

A Frase

Na escrita há os que escrevem aquilo que pensam e os outros, que pensam aquilo que escrevem..., pensando muitas vezes o oposto!...

José Capitão Pardal

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Apesar de discordar de muitos aspectos focados pelo articulista, achei que não deixa de ser interessante o seu conteúdo, pelos que o publico para conhecimento dos meus  leitores.

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por dos Santos Queirós, DN Online de 20100719

Devemos levar a sério as acusações recíprocas dos dirigentes do e do , que se responsabilizam mutuamente pelas dificuldades da .A partir do final dos anos 80 e com a eliminação, na e no texto , das mudanças revolucionárias na propriedade e nos órgãos de , impostas pela revolução democrática de 74/75, ou seja, o desmantelamento da Reforma Agrária no , a privatização da banca e seguros e da rede de telecomunicações, a desnacionalização das grandes empresas e do sector energético, a liberalização da comunicação e, sobretudo a integração do na Comunidade , cedendo a soberania do e depois do escudo, desde então, o 25 de , o PCP e o esquerdismo, deixaram de poder ser culpados pelo futuro da democracia portuguesa. O modelo ocidental de e de democracia política ficaram plenamente reconstituídos, e em condições extremamente favoráveis, dado o afluxo de fundos comunitários e de receitas e oportunidades geradas pelas desnacionalizações.

Um quadro político original

No entanto, tal como a revolução democrática portuguesa teve características únicas, desde logo porque ocorreu tardiamente,  um século depois das revoluções democráticas burguesas, e para pôr fim à colonial prolongada,  alguns decénios após as descolonizações europeias, também a contra revolução assumiu aspectos paradoxais.

Em primeiro lugar, porque no que respeita aos direitos políticos das élites, das classes populares e da classe média das regiões rurais, dos Açores e da Madeira, o português, tradicionalmente centralista e macrocéfalo, se descentralizou, aceitando a autonomia das ilhas e ; em segundo lugar, porque foram alargados aos trabalhadores do campo os direitos laborais, embora a um nível inferior e a , a e a segurança generalizaram-se nas cidades e vilas do mundo rural e passaram a abranger todos os cidadãos.

A Lei Barreto da Reforma Agrária foi o instrumento da sua desagregação, mas a Lei de Bases do Sistema Educativo ou a Lei de Bases do Serviço de , constituiram instrumentos de progresso , que permitiram colocar o ao mais alto nível da Materno Infantil e generalizar o ensino básico e secundário.

O e o , com coligações com o CDS, são de facto os principais responsáveis por esta evolução política e, a partir de então os únicos responsáveis, pois monopolizaram todas as instâncias do poder central.
Mas a década de 90 trouxe à política e uma nova fase.
A e as potências industriais europeias deslocaram o seu para Leste e passaram a desinvestir em .

O desmantelamento do que restava da Soviética e o afastamento do PCP da linha do PCUS recolocou-o como o mais nacionalista dos partidos .

A extrema-direita portuguesa abandonou o terrorismo do ELP MDLP, mas perdeu a capacidade para controlar o CDS ou organizar partidos representativos, dispersou-se também pelo , sem, contudo, se constituir no seio destes partidos como corrente política.

Os pequenos partidos da esquerda revolucionária unificaram-se progressivamente, a maior parte dos seus dirigentes ingressou nos “partidos  burgueses” e ascendeu mesmo aos quadros superiores do mundo empresarial e do democrático; o terrorismo de esquerda, confinado a um só grupo e do qual sempre se demarcaram, desapareceu com a sua desagregação.

O percurso do , de aproximação aos programas liberais, abriu de forma cíclica espaço político para o centro e o centro esquerda, ocupados efemeramente pelo PRD  e pelo melhor sucedido Bloco de Esquerda, coligação arco íris que dissolveu as suas ideologias de origem e se organizou para a acção eleitoral, e já não para a acção política, que era o seu campo de disputa com o PCP.

Neste quadro, este partido pôde não só consolidar a sua hegemonia nas organizações das classes trabalhadoras, como recuperar influência política e base . Superou mesmo a perda do seu líder histórico, criando uma direcção renovada; mas, cumprida a etapa da “revolução democrática e ” e desaparecido o “campo da URSS”, o PCP não conseguiu até agora elaborar o seu novo programa para o socialismo, tendo muita dificuldade em divulgar as suas propostas políticas imediatas e reformadoras.

O truncado

O início da década de 90 assinala o renascimento do capital financeiro em e alguns dos bancos revelaram uma dinâmica de modernidade e inovação reconhecida internacionalmente. Mas as condições políticas de hegemonia partidária do e depois do criaram um efeito perverso: a transferência para a da banca e depois das grandes empresas, ligadas sobretudo á e públicas, dos quadros partidários, desenvolvendo uma pesada e tentacular rede de influências e promiscuidade entre a elite económico-financeira e a nova elite política, enquanto o passou a funcionar como moeda de troca eleitoral, pagando carreiras, favores e oportunidades de negócio.

A civil e as públicas constituíram o principal vazadouro dos fundos comunitários e das nacionais, criando um surto de prosperidade geral que alimentou o aparecimento de um milhão de denominados “isolados” nas estatísticas nacionais, pequenos empreendedores e patrões que vivem de sub-empreitadas e da prestação de serviços ou comércio, e hoje, se vão arruinando.

Grandes empresas de comércio e serviços cresceram e internacionalizaram-se, saturando de oferta o exíguo e exportando cada vez mais para outros países, mas tal não significou a transferência para de uma cultura técnico-científica e de gestão mais avançadas, de que carece a rede de micro, pequenas e médias empresas, sendo que estas constituem a base da nossa economia e do e estão, na maior parte dos casos, fora do círculo de poder e dos financiamentos subsidiados pelo QREN.

Nasce o paradoxo de, o discurso político que mais defende o e a redução das funções do corresponder de facto à utilização do , ao nível central, e local, para garantir contratos, apoios e negócios.
Quando os escândalos rebentam, o aparelho judicial, mal apetrechado de quadros e recursos e servido por leis de malha grossa, feitas pelos deputados e daqueles partidos, torna-se o bode expiatório da má gestão política.

cego

Como no “Ensaio sobre a Cegueira” de Saramago, quando o mundo descobre a existência de um novo capital financeiro, sem qualquer ção à produção e fora do controle dos estados, protegido pelos paraísos ficais, não só de obscuras ilhas tropicais, mas da respeitável Suíça, do Luxemburgo, do Lichenstein, de Gibraltar ou da Madeira  e que utiliza a própria banca para especular sobre o imobiliário, alimentar e dos produtos energéticos e financeiros; quando os EUA, à beira do colapso financeiro mas intransigentes na imposição do dólar como moeda padrão, elegem Obama e tomam medidas de intervenção no , quando ampliam o sistema de e a função do ; quando o planeta respira de alívio, porque as empresas nacionais da República Popular da China, do , da Índia e mesmo da Rússia, sustêm a queda da economia capitalista e impulsionam a retoma , continuando a crescer e a permitir ao capital estrangeiro reinvestir e reproduzir-se; quando os conservadores ingleses ou franceses proclamam o como a única barreira eficaz contra a decomposição e a desordem … em , o e o provável sucessor da oposição, disputam ferozmente o poder de continuar a fazer política exactamente ao contrário dos sinais do tempo. E não estão sós, Bruxelas, liderada por um português, proclama igualmente as receitas do liberalismo sem pátria, e o primado das sobre a economia política.

Forçoso é dizer que nenhum partido, nenhum líder português, tem hoje capacidade para mudar este de coisas. Nem as direcções dos partidos têm soluções, nem os seus líderes estão particularmente bem preparados para as construir: em comum, as novas lideranças caracterizam-se hoje por um baixo nível académico e de cultura científica e a ausência de um pensamento político próprio.

As dificuldades do mundo empresarial não são menores: a concorrência é esmagadora e, tal como no da liderança política, a preparação académica, formação superior e cultura científica não fazem parte do currículo de mais de 90% dos empresários, nem as suas associações manifestam sequer o reconhecimento da existência deste problema incontornável e o imperativo de o ultrapassar. A necessidade de qualificar o sistema produtivo é transferida para os seus trabalhadores e a e a pública são os alvos da crítica.

Não há alternativa?

Sabemos apenas aquilo que não queremos e que não podemos suportar mais.
não é um de brandos costumes e o que caracteriza o seu povo é uma grande capacidade de sofrimento. O exército americano, líder em tecnologia e recompensas financeiras, não aguentaria 1 ano de em África nas condições em que os nossos militares suportaram 13 anos.

Nem a nem a encontraram trabalhadores mais disciplinados no esforço de reconstrução e de produção industrial.

Quando o sofrimento se torna insuportável, nasce a revolta ou sobrevém a inacção. Gomes da Costa marchou entre o aplauso das elites, os capitães de , entre alas do povo.

Assistimos na última década ao enfraquecimento moral e ético da acção popular: depois da campanha e de apoio à independência de Timor Leste, que teve impacto no Mundo,  o movimento popular foi reorientado para o futebol de alto nível ( recordam-se de quem chefiou a candidatura ao 2004?), como os cidadãos romanos eram convocados para assistir aos espectáculos do Circo. Indiferente aos salários em atraso de milhares de jogadores profissionais e semi-profissionais de todos os escalões; indiferente ao esbanjamento dos fundos do e municípios em 10 estádios ( o de Leiria foi orçamentado em 19 Milhões, custou 100 milhões e ainda custa 4 milhões ano, recursos que dariam para fazer na Região Centro de , onde não há nenhum,  3 aeroportos regionais de proximidade); o povo aplaude…

Face aos resultados negativos da gestão da maior parte dos municípios e dos governos das regiões autónomas, o voto popular continua a premiar os que gastam mais do que podem e devem, mesmo que tal signifique um futuro de ruína geral.

“Menos e melhor ”, é a mensagem das elites, mas nada significa. e empresas públicas e privadas bem ou mal geridas, eis o problema, em qualquer regime ou .

Ou melhor, num a envelhecer, fará de nós uma nação que não será para os mais velhos. E expulsará para a e a América uma nova geração de jovens emigrantes, licenciados e empreendedores.

Fará crescer a marginalidade e a corrupção generalizadas.

Apesar da lição contemporânea dos professores, que foram capazes de superar divisões e preconceitos, ocupando o lugar das vanguardas burguesas e operárias que agiam em defesa, não apenas dos seus interesses de classe, mas do que consideravam causa pública e , estaremos condenados à perda irreparável da solidariedade laboral, da família plurigeracional, dos laços ampliados de família e de naturalidade, da vizinhança, do convívio multiétnico.

Aumentará a pobreza geral e a indigência moral e ética das elites.

Quando se chega a este ponto. É preciso dizer não:

Negando o voto favorável, o aplauso e a nossa própria indiferença.
Diremos não à entrega da soberania do mar português à Comunidade , que representa mais de 50% do território marítimo da comunitária, previsto no projecto de Constituição e no Tratado Europeu de , factura oculta de todos os fundos comunitários.

Dizendo não à protecção de um capital financeiro sem pátria nem moral, nem .

Diremos não a um que não seja para os jovens e a velhice, que é de todos e virá.

Dizendo não à agonia do mundo rural, reserva ecologia, de água potável e alimentos, sumidouro do carbono.

Diremos não à participação das forças armadas portuguesas em qualquer missão que não seja de paz.

Dizendo não ao abandono dos laços de intercâmbio e cooperação com os povos de , que combateram connosco no século XIX em defesa da independência e connosco suportaram os combates pela democracia moderna e, não hesitaremos no da cooperação e entreajuda com os estados e povos irmãos do e da África.

Diremos não a um que não proteja a maternidade ao mesmo tempo que acolhe os novos emigrantes.

Dizendo não a uma comunicação que não apoie a e a cultura pluralistas.

Diremos não ao dogma, liberal ou , ao desprezo pelo novo pensamento político que transformou a China Popular um só com dois sistemas, pacífico e unificador de 56 nacionalidades, que fez do e da Índia, neocolonizados e empobrecidos, potências democráticas emergentes, que ressurge na América Latina como projecto para realizar os velhos sonhos de liberdade e progresso.

E voltaremos a militar nos partidos, a apoiar os líderes e a ler os jornais, que sejam os protagonistas desta esperança.

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José Capitão Pardal

Sex, 26/03/2010

Mais um do (nomeadamente de , Borba e ) de reconhecido êxito.

Deixo-vos este artigo do jornal “Sol” e da jornalista Sónia Balasteiro

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a_ameixas

Conceição não parava um segundo.

Não podia parar.

No Verão passado os frutos amadureceram duas semanas antes do previsto e era preciso dar vazão aos quilos de ameixas que os fornecedores lhe entregavam, em duas remessas, todos os dias.

A culpa, explicava, era das temperaturas elevadas que varreram o em poucos dias.

Por isso, nem nem nenhum dos seus seis trabalhadores – três mulheres, três rapazes – tinham tempo a perder.

Conseguiu estacionar sem problemas a carrinha de caixa fechada à porta da pequena fábrica ‘escondida’ na velha, privilégio da destreza do hábito.

Abriu as portas da carrinha e chamou um dos rapazes para o ajudar a descarregar as 13 caixas de ameixas verdes.

Um pouco mais maduras e tornavam -se impossíveis de ser ‘as’ Ameixas de .

«O método que utilizamos é exactamente o mesmo há 90 anos», garantia , por entre a azáfama da cozedura das ameixas, num pátio cheio de panelas de cobre, água quente, açúcar. «Seis mil quilos por ano de açúcar, 10 a 11 mil quilos de ameixas», especifica.

Números que o tornam o maior produtor da Ameixa de do .

As trabalhadoras suavam, frente aos fogões onde as ameixas cozem em água – primeira fase; depois tiram-nas para fora, para repousar, em alguidares de plástico.

Noémia Miranda, a encarregada de 34 anos, lenço na cabeça, é a única que aqui trabalha todo o ano.

E há mais tempo que . «Já trabalhava para os pais dele», conta. «Comecei aos treze».

Trabalho duro este, com as temperaturas elevadíssimas, o peso dos alguidares de ameixas, a cadência mecânica dos gestos a acontecer no momento exacto em que têm que acontecer.

Ao lado, fica um dos armazéns, onde as ameixas aguardam o primeiro ponto; outras o segundo.

«É que, nisto, não há segredo nenhum», simplifica o produtor, «a não ser o facto de tudo isto ser feito exactamente como no primeiro dia, completamente à mão». E ia apontando: «Estas têm só cozedura; aquelas já têm o primeiro ponto».

Por dia, são produzidos 1.200 quilos de ameixas. Saem daqui para todo o refere o grupo Nabeiro e as Pousadas de como exemplos de cadeias suas clientes – e para o exterior: Inglaterra, Estados Unidos da América…

Queixa-se da falta de apoios por parte da câmara de , de reconhecimento dos 90 anos da casa: nasceu em 1919, pelas mãos de Candeias, padrinho do pai de ; em 1970 passava para a sua família e, em 1999, tinha então 40 anos, Conceição tomava-lhe conta dos desígnios: «Era director de um banco, na altura.

Larguei tudo. E, sim, vale a pena.

Só o facto de o meu pai saber que isto não vai acabar enche-me de uma alegria imensa».

E, como dizem por aí, quem corre por gosto não cansa.

Silveirinha Conceição

Rua Martim Mendes, 17 A

Tel. 268 628 364

sonia.balasteiro@sol.pt

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José Capitão Pardal

 
, 25 fev () – A produtora de vinho Porta de Catarina, de , que exporta metade da sua produção, pretende reforçar as vendas para o dos Estados Unidos, revelou hoje fonte da .

Em declarações à , o sócio-gerente da , José Poeiras, adiantou que a Porta de Catarina já conquistou clientes em vários países, sobretudo nos Estados Unidos, Luxemburgo, e Bélgica.

“A nossa produção de vinhos de qualidade é reduzida, por isso, é complicado avançar para outros mercados”, referiu José Poeiras, que é também o enólogo da , acrescentando que, “apesar disso, há intenção de reforçar as vendas para o dos Estados Unidos”.

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José Capitão Pardal

Deixo-vos este agradável texto do Martins, inserto na última edição da revista “Única”, do jornal Expresso, sobre a Quinta do Carmo (quinta e marca de vinhos).

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Esta propriedade tem uma grande história para contar – Os rótulos começam nos anos 70 e vêm até à actualidade

Martins 7:41 Quarta-feira, 27 de Jan de 2010

qtacarmo-e617

Localizada perto de , a quinta surpreende o visitante pela belíssima traça da enorme casa e pelo espaço envolvente.

É, na minha opinião, a que melhor reproduz o conceito bordalês de Château, com a adega por perto e uma ideia de luxo rural de bom gosto.

Tal é bem notório numa visita ao site www.donamaria.pt.

A marca Quinta do Carmo pertence hoje à Bacalhôa Vinhos feita com vinhos que não provêm da quinta e os vinhos da quinta propriamente dita passaram a ter a designação Dona .

É confuso mas é a consequência de negócios em que o “peso” de uma marca se sobrepõe à origem do vinho.

A quinta é muito antiga (séc. XVIII) e um dos seus proprietários, John Reynolds – que já era dono da Herdade do Mouchão – ficou na posse da quinta por ter casado com Isabel d’Andrade Bastos. O actual proprietário, Júlio Bastos, é descendente desta família.

A história dos Reynolds do Mouchão vem bem documentada no livro “Memórias do Vinho”, de de e Laureano.

Da ção familiar Mouchão/Carmo resultou também o uso comum da casta Alicante Bouschet, durante décadas apenas plantada nestas propriedades e é hoje, assumidamente, uma das boas variedades alentejanas.

Os vinhos Quinta do Carmo só começaram a ter maior notoriedade nos anos 80, quando Ramos (JPR) assumiu a condução enológica.

Antes não ostentavam sequer data de colheita, como é o caso do rótulo mais antigo aqui reproduzido. Sugiram então os famosos Garrafeira, ainda hoje passíveis de compra, principalmente em leilão.

No início dos anos 90 foi feita uma associação com a família Rothschild (Lafite), saiu JPR, foi arrancado o Alicante Bouschet, tida como casta menor (o que é verdade em ) e os vinhos perderam brilho.

À força do arranque das antigas e das plantações novas, vulgarizou-se o vinho mas, mais recentemente, voltou a plantar-se Alicante Bouschet, quando finalmente se percebeu que a casta tem particularidades na planície que não tem no sul da , de onde é originária.

Os Rothschild fizeram, entretanto, uma associação com Joe Berardo (que comprou a parte de Júlio Bastos) mas o dono da Bacalhôa comprou finalmente a parte dos franceses que, assim, abandonaram o projecto.

A marca, essa, continua, com vinhos produzidos na de , com um branco de grande aceitação no (PVP €8), um tinto que não tem hoje a procura que teve (2005 – PVP €11) e um Reserva (2005 – PVP €30) que nasceu no ano 2000 e que mostra o estilo francês (ou bordalês) de fazer vinho, com barricas excelentes, algumas notas animais à mistura mas com muita finura.

Faltavam dois dias para o Natal quando participei numa prova vertical de Quinta do Carmo com uma particularidade curiosa: todos os vinhos foram provados em garrafa normal e magnum (litro e meio). Faz todo o sentido uma prova assim porque a evolução em magnum é mais lenta e isso favorece os vinhos antigos (já que nos novos não se nota diferença significativa).

Neste caso, e salvo o Garrafeira 87, as diferenças, estranhamente, foram mínimas o que nos diz quer não haverá grande diferença entre a prova nos dois formatos.

Resultados da prova? Um 87 grandioso, 88 e 89 em perfeito de e, de seguida, um longo período de vinhos menos conseguidos (mas com ), resultantes das vinhas muito novas: 92, 93, 94, 95, 96, 97, 98, 99, 2000, 01 e 02.

A partir de 2003 a qualidade volta a subir e os Reserva (que começaram em 2000) são vinhos de bom porte.

(Texto publicado na Revista Única do expresso de 23 de Janeiro de 2010)

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José Capitão Pardal

Mais uma curiosidade sobre o “nosso” , neste caso sobre as botas alentejanas.

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As botas alentejanas protegiam os pés e parte da perna dos rigores da no campo.

Hoje, as botas, são mais um adorno do que um sapato de trabalho.

Perderam peso e ganharam um desenho mais moderno.

Mário Grilo começou a fazer botas alentejanas por medida aos 12 anos e nunca mais deixou.

É com prazer que fala da sua actividade tradicional, onde gosta de inovar. De Cuba, no , chegou ao mundo através da persistência.

Sara Pelicano | sábado, 9 de Janeiro de 2010

Na vila de Cuba, , há 25 anos atrás, enquanto os jovens de 12 anos lançavam o peão, brincavam ao berlinde, Mário Grilo passava as férias de Verão a trabalhar com um sapateiro.

Deu, assim, os primeiros passos na arte de fazer sapatos. Rápido, os sapatos tornaram-se a actividade diária de Mário Grilo.

Passados 25 anos, o sapateiro tem um negócio de sucesso produzindo botas alentejanas por medida, entre outros sapatos. É com orgulho que fala do seu ofício e, vincando este gosto, brinca comentado que «continua de férias». Isto porque continua a entregar-se à sua profissão com o entusiasmo de um jovem de 12 anos numas férias de Verão.

A oficina deste sapateiro de 37 anos localiza-se numa típica casa : rés-do-chão, fachada pintada de branco com friso azul a contornar porta e janelas. O silêncio da rua é quebrado quando se abre a porta da casa.

Mário trabalha ao som da música que o rádio emite como é comum em casa de sapateiro. Amontoa-se o couro, sobretudo de vaca, linhas de coser sapatos, canos de botas já talhados à espera de um pé para fazer a base e, por fim, numa prateleira uma pequena mostra do que são as botas alentejanas deste jovem sapateiro.

«Tudo o que faço já está vendido», conta Mário Grilo revelando que «já teve de abandonar algumas feiras porque depois não consegue responder a todas as encomendas». ‘Não tem ninguém que o ajude?’

«Já tive alguns colaboradores. Mas tirar medidas de pés, alguns com problemas, e moldar os materiais não são tarefas fáceis. E, depois, há as dores nas costas, que ninguém gosta.

Ora, hoje em dia poucas pessoas estão predispostas para este trabalho», diz. Após uma pequena pausa no discurso, remata: «O ofício está dentro da pessoa».

A vila onde nasceu e tem vivido grande parte do tempo é o local «onde faz sentido fazer as botas alentejanas», confessa o artesão. Contudo os largos quilómetros que o separam dos grandes centros urbanos não o impediram de levar a sua arte a todo o e também além fronteiras.

Mário afirma orgulhoso: «Sozinho, consegui chegar a 31 países». Todos os meses ruma ao para comprar material de fabrico. É lá que se encontram as fábricas e «como não há sapateiros, não há vendedores que se desloquem às terras».

Quebrar distâncias parece, assim, ser uma outra arte deste jovem artesão. O recurso à tem sido uma outra forma de ‘sair’ de Cuba. «Tenho as minhas botas espalhadas em muitos sítios da . Uma rápida pesquisa e encontra-se logo o meu nome», comenta enquanto retoma o trabalho.

A pele que molda é semelhante à de uma zebra. Mário sabe que é estranha e antes mesmo da pergunta diz: «Gosto de inovar».

Este ano quero pegar no tradicional e dar-lhe nova confecção, brincar com as cores. Afinal tudo o que seja calçado eu faço porque gosto» e continua: «As actividades tradicionais pecam por não querer inovar por não saber brincar e, às vezes, basta mudar a cor da pele».

Um par de botas alentejanas hoje em dia-a-dia é mais um adorno do que um sapato de trabalho. Procuradas por diversos estratos sociais, Mário Grilo vai respondendo às exigências dos seus clientes em encomendas muitas vezes feitas por telefone.

«Faço vários pares ao mesmo tempo. Um par levaria dois dias sempre mais do que oito horas de trabalho. Eu entendi que devia começar o maior número de pares e ir acabando, assim é possível ter sempre um par de botas. Dou assistência durante toda a das botas».

Antigamente este calçado chegava a pesar três quilos, hoje um número 40 pesa perto de dois quilogramas.

Mário Grilo confessa que nunca teve apoios ou incentivos à sua actividade. E revela que quando começou o ofício existia mais aptidão dos municípios para mostrar as artes tradicionais do concelho de Cuba e lamenta que esse interesse se tenha desvanecido.

«Nessa altura [há 20 anos atrás] gostavam de ter em feiras uma representação daquilo que era o nicho do artesanato do concelho. Os anos passaram e essa apetência desapareceu um pouco.

O que é pena porque se o município divulgar um pouco essas actividades gera e trabalho e, assim, este saber fica um pouco no meu segredo».

Mário considera que as artes tradicionais vão sobreviver quando houver uma mudança de mentalidade na e se coloque o gosto por um ofício à frente dos lucros. Este trabalho «para ser rentável é preciso meter o coração à frente do dinheiro e esquecer todas as horas de trabalho».

Nunca tive apoios de ninguém e não há grandes incentivos. A nível local já tivemos uma pessoa na câmara. Há 20 anos, uma pessoa que tinha aptidão por estas coisas.

Nessa altura gostavam de ter em feiras uma representação daquilo que era o nicho do artesanato do concelho. Os anos passaram e essa apetência desapareceu um pouco.

Se o município divulgar um pouco essas actividades gera e trabalho e assim fica um pouco no meu segredo. Para ser rentável é preciso meter o coração à frente do dinheiro e esquecer todas as horas de trabalho.

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José Capitão Pardal

Qua, 26/08/2009

No seguimento da publicação dos dados do de Estatística, sobre o do Interno Bruto, deixo-vos o texto do , de 20090813.

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Contrariando a previsão da maioria dos analistas, a economia portuguesa registou de ,3% no segundo trimestre do ano, tirando o da recessão em que estava mergulhado há longos meses.

Da Redacção

O Interno Bruto português, soma de todas as riquezas criadas no , registou de ,3% no segundo trimestre deste ano, face ao primeiro trimestre, de acordo com dados divulgados nesta quinta-feira pelo de Estatística ().

O , contrariando a previsão de contracção de ,6% apontada pela maioria dos analistas, tira da recessão em que estava mergulhado há longos meses.

Os números hoje divulgados, a um mês das legislativas a realizar em 27 de Setembro, poderão repercutir no ambiente eleitoral.

Apesar da recuperação verificada entre e Junho, face ao trimestre anterior, a economia continua em queda quando os resultados são comparados com o período homólogo de 2008, verificando-se uma queda de 3,7%.

Segundo o , houve “redução acentuada das Exportações de Bens e Serviços, do e, em menor grau, das Despesas de Consumo Final das Famílias”.

Assim, a economia portuguesa apresentou comportamento similar aos resultados divulgados também hoje pela e que apresentaram, igualmente, de ,3% no segundo trimestre, embora o da continue no vermelho.

Os dados divulgados pelo foram comemorados pelo do primeiro ministro José .

Embora muitos economistas comecem a avaliar que “o pior da crise já passou”, alertam que não tem a mesma dinâmica de de países como a ou a .

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José Capitão Pardal